Globo que antes era vista como “a imprensa” agora é taxada de “Globo Lixo” por defensores do presidente


Altaneira deu 435 votos a Bolsonaro no 2º turno das eleições de 2018. (FOTO/ Reprodução do vídeo no YouTube postado na conta de "Derleykrys deficiente". 


Se tornou comum pós vitória do ex-capitão do exército, Jair Bolsonaro (sem partido), a utilização do lema “Globo Lixo” entre eleitores/as, simpatizantes e defensores/as do presidente.

A bem da verdade, a expressão trazida aqui não é uma novidade. Ela já foi utilizada várias e várias vezes por manifestantes nas ruas durante a cobertura deplorável dessa emissora no processo que culminaria com o impeachment de Dilma Rousseff (PT) da presidência da república e, se se puxar pela memória, muito antes disso.

Ainda em que pese a emissora - aquela que atinge em cheio a maiores dos lares brasileiros e que tem a maior audiência dentre os canais de televisão -, fez uma cobertura em peso nos seus principais telejornais (Hora 1, Bom dia Brasil, Jornal Hoje, Brasil TV, Jorna Nacional e Jornal da Globo) dos “escândalos de corrupção” do PT e do Lula, mas que até hoje o principal representante do partido que foi preso e solto clama para que sejam apresentadas provas consistentes contra ele.

Quem não se lembra de assuntos massificados como “o tríplex do Guarujá”; “da condução coercitiva de Lula” (que atestou a confissão de medo de seus principais adversários, inclusive do que hoje ocupa o planalto); “da sua condenação injusta” (pois até agora não foi apresentada provas cabais e irrefutáveis); “do envolvimento de Sérgio Moro no processo” (atuando mais como informante das mídias – representada pela Globo) do que propriamente como um “juiz”. Quem não se lembra? Eu lembro muito bem, afinal nesse período eu viajava para Araripe e entre a primeira e a última aula ministrada acompanhava noticiários da Globo no Hotel desta cidade onde ficava hospedado.

Foi essa mesma Globo que não usou de seu poder para noticiar de forma massificada (na grande maioria das vezes nem noticiava) o caso da “privataria tucana”; o “escândalo da merenda escolar” durante o governo Alclmin (PSDB) que ficou conhecida como “máfia da merenda”; "do tucano Aécio Neves e o caso helicóptero 450kg de cocaína” ou ainda das inúmeras vezes em que essa mesma Globo não deu a mesma importância aos casos que demonstram desprezo, aversão do Bolsonaro a grupos que são maioria, porém minorias nos espaços de poder (mulheres, negros, indígenas e LGBTs)?

Onde estavam esses/as fieis defensores/as da política do ódio alimentada por Bolsonaro diante desses casos citados acima? Onde estão esses/as mesmas pessoas que não se levantam diante de uma programação que não leva em consideração a diversidade brasileira e que ajuda a reforçar uma política de extermínio do povo negro e indígena, essa mesma política que foi peça propagandística a vida política inteira de Bolsonaro?

Tive que sair de diversos grupos em redes sociais, como no Facebook e no WhatsApp em virtude da ausência de debates e do aumento desenfreado de ódio praticado por robôs virtuais e que infelizmente são reproduzidos por pessoas próximas a mim.

Foi alvo recentemente de ataques, ofensas e ameaças virtuais via WhatsApp por pessoas que jamais tive contato e sequer as conheço. O fato ocorreu horas depois de um texto que escrevi com o título “Sempre é hora de pedir o Fora Bolsonaro” no último dia 29 de março neste Blog.

Essa galera tem também em Altaneira e ocupa uma pequena parte da juventude. Vimos isso no processo eleitoral de 2018. Assim como também tem entre representantes políticos. São pessoas que antes se propunha a discutir, mas hoje assumiram uma postura dos robôs, se ausentam de qualquer discussão que precise usar argumentos mais aprofundados e aparecem logo com respostas prontas e acabadas – “E o Lula”, "O PT acabou com o Brasil”, “Bolsonaro Presidente”, “Mito”, “Bolsonaro 2022” e agora “Globo Lixo”.

Para se ter uma dimensão do que falo/escrevo, Bolsonaro obteve em Altaneira 6,05% do votos no primeiro turno - onde ficou em terceiro lugar -, perdendo apenas para Haddad (58,55% dos votos) e Ciro Gomes (33,27%). Na disputa apenas com Haddad no segundo turno, Bolsonaro aumentou mais 3% (435 votos contra 267 que teve no 1º turno)s, o que significa que parte dos/as eleitores/as do Ciro Gomes foi para ele, o que em tese é injustificável diante do posicionamento do Ciro no primeiro turno, mas entendível no segundo.

Sai dos grupos para manter a minha saúde mental. Em outros optei por permanecer em respeito aos administradores, as administradoras e parte dos/as membros/as.

Por fim, reafirmo o que disse em outras oportunidades. É chegada a hora de se manter firme, manter a postura e continuar sempre com base científicas, na realidade desigual, racista, machista, homofóbica e com resquícios ditatoriais, a disputar narrativas e propor soluções para os principais problemas do país, do Estado e do município.

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