Pinturas de Abdias do Nascimento mostra experiência negra na América

 

“Cristo Negro”, pintura de Abdias. (FOTO/ Reprodução redes sociais).

Abdias Nascimento: um artista panamefricano” é o tema da maior exposição já feita dedicada ao intelectual, ativista político, dramaturgo, ator, escritor e diretor que está em cartaz no MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), na capital paulista. Reunindo 62 pinturas, desde o início de sua produção em 1968 até o ano de 1998, a mostra enfatiza o repertório de Abdias a partir de ideias, cores e formas do movimento pan-africanista, com noções, fontes e imaginário ladino-amefricano (termo cunhado por Lélia Gonzalez (1935-1994), amiga e interlocutora política e intelectual do artista e formuladora do conceito de amefricanidade, para se referir à experiência negra na América Latina.

A exposição retoma conceitos formulados por Nascimento, como o quilombismo, para destacar o projeto de transformação social sobre bases que retomam a experiência dos quilombos. O artista materializou seu pensamento também na pintura homônima, presente na exposição e visualmente representada pela união do tridente de Exu aos ferros de Ogum, divindades iorubás que se popularizaram no Brasil, com a umbanda e o candomblé. 

Parte das pinturas da mostra apresenta ao público a pesquisa de Nascimento sobre símbolos e bandeiras de projetos e identidades nacionais, que podem ser lidas de uma perspectiva simultaneamente pan-africanista e amefricanista. Além disso, as obras também associam orixás à abstração geométrica, formas livres a símbolos africanos como os adinkras, além de explorarem gêneros mais tradicionais, como paisagens e retratos. Os trabalhos “Okê Oxóssi” e “Xangô”, ambos de 1970, por exemplo, estabelecem paralelos entre representações do Brasil e dos Estados Unidos por meio de uma recomposição de símbolos nacionais, mais especificamente os elementos de suas bandeiras. 

Com curadoria de Amanda Carneiro, curadora assistente, e Tomás Toledo, curador-chefe do MASP, a exposição está aberta à visitação do público até o 5 de junho de 2022, ocupando os espaços da galeria e do mezanino do local. É uma das mostras do biênio dedicado às Histórias Brasileiras no museu, desta vez com apoio cultural do IPEAFRO, instituição fundada em 1981 pelo artista e responsável por seu acervo. 
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Com informações do Notícia Preta.

Imprensa cobre guerra da Ucrânia com “release único” divulgado por Washington

 

Avião atingindo Kiev. (FOTO/ Reprodução).

Na guerra, a primeira vítima é a verdade”. Autoria desconhecida

A cobertura que a mídia hegemônica faz da crise na Ucrânia é alarmantemente viciada, além de claramente racista e preconceituosa.

Os meios de comunicação em todo mundo são meros repetidores dos mantras russofóbicos fabricados em Washington para instrumentalizar a guerrilha geopolítica e ideológica das “forças do bem”, a civilização ocidental, contra a “força do mal” – os russos, caucasianos e eurasiáticos.

Em geral, a mídia não só é subserviente ao “release único” escrito em Washington, como também é indigente e desonesta. Além de omitir aspectos étnicos, históricos e culturais dos povos eslavos, também mente, estigmatiza Putin e falsifica a história.

Na reprodução do noticiário e através de comentaristas vulgares, despreparados ou mal-intencionados, a mídia hegemônica segue omitindo, por exemplo, os antecedentes históricos da crise atual, que se localizam na farsesca revolução Maidan, que desembocou no golpe financiado pelos EUA para derrubar o governo pró-russo de Viktor Yanukovytch em 2014.

A mídia continua escondendo, também, que a Ucrânia descumpriu o Protocolo de Minsk, assinado por representantes reconhecidos das repúblicas independentes de Donetsk e Luhansk e o governo ucraniano com a fiança institucional da própria União Europeia.

E os meios de comunicação a serviço de Washington continuam omitindo o perfil neonazista do presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky e dos agrupamentos de ultradireita extremista que apoiam o governo.

É cada vez mais conhecida a conexão entre a ultradireita neonazista ucraniana e os grupos fascistas e neonazistas no mundo e, também, com o bolsonarismo – Sara Winter e “Os 300 do Brasil”. Mas, inclusive isso também é sonegado.

Os EUA exercem sua primazia e hegemonia informacional e comunicacional no mundo por meio do pensamento único deste jornalismo de guerra. Um jornalismo sem compromisso com a verdade factual e histórica.

Nas últimas semanas, houve a escalada desta guerra informacional para criminalizar e demonizar o presidente russo Vladimir Putin e incensar o papel dos EUA e da OTAN.

Neste jornalismo de guerra, todos os veículos hegemônicos no Brasil – absolutamente todos, é preciso sublinhar – repetiram como papagaios o viés de análise de Washington. Não ficou de fora nem mesmo um único veículo de nenhum meio de transmissão – nas rádios, TVs, redes sociais e portais da internet.

Somente os portais da mídia independente estão desde o início da crise reportando os acontecimentos desde uma perspectiva abrangente e aberta. Não fossem estes veículos contra-hegemônicos de informação e comunicação, a população brasileira seria totalmente entorpecida com o pensamento único russofóbico.

Em semanas de crise, pela primeira vez apareceu em um veículo da mídia hegemônica uma abordagem dissonante do pensamento único. Aconteceu só agora, nesta sexta-feira, 25/2. O portal UOL publicou entrevista em que o analista político estadunidense Andrew Korybko afirma que “o Brasil e a Ucrânia foram ambos vitimados pelas guerras híbridas dirigidas pelos Estados Unidos com o objetivo de fortalecer a hegemonia unipolar norte-americana”.

Da mesma maneira que a Ucrânia rapidamente deverá assinar a rendição a Moscou, a mídia hegemônica se verá obrigada a se render às exigências de um jornalismo plural e honesto, se quiser sobreviver no mundo multipolar que começa nascer.

Caso contrário, será enterrada junto com os escombros da ordem unipolar e imperial que está morrendo.

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Por Jeferson Miola, em seu Blog.

Programa um milhão de cisternas sofre com cortes do governo federal

 

De 2020 para 2021, o programa "1 Milhão de Cisternas", do Governo Federal, sofreu um corte de cerca de 94%. (FOTO/ ASA Brasil).

Em muitos lares do semiárido, ter água em casa é um privilégio. O clima é marcado por altas temperaturas e chuvas irregulares, o que deixa a região sob-risco constante de escassez hídrica. No Brasil, a região ocupa 12% do território nacional e abriga cerca de 28 milhões de habitantes, é um dos semiáridos mais povoados do mundo.

Sem nenhum rio perene, que corra durante o ano inteiro, a região apresenta o menor percentual de água reservada no país, algo em torno de 3%. Para lidar com essa realidade e mostrar que o êxodo não é a única saída para o sertanejo, a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), há mais de vinte anos vem desenvolvendo tecnologias de convivência esse clima.  Entre os exemplos está o programa que já construiu mais de 1 milhão de cisternas distribuídas pela região Nordeste e pelo Norte de Minas Gerais.

Alexandre Pires, coordenador executivo da ASA, conta como o Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC) impactou a população do semiárido: "o Programa de Cisternas rompe com um ciclo histórico que é o da dependência da população do carro pipa, da dependência da população rural do semiárido às vontades políticas e interesses políticos eleitorais. Então, o programa de cisternas mudou a cara do semiárido quando assegurou uma tecnologia simples, barata, de domínio popular, uma tecnologia social, que garantiu à população, através da captação de água das chuvas, ter água na porta de casa".

Pires explica ainda que o P1MC é uma iniciativa da sociedade civil, que o governo Lula acolheu como uma política pública capaz de resolver um problema secular, enfrentado pela população rural do semiárido, que é o de acesso à água: "Essa decisão política fez com que a gente conseguisse, num diálogo entre sociedade civil e governo, garantir que em 2016 chegássemos a 1,2 milhão de cisternas construídas".

As cisternas, além de água para beber e para o uso diário, armazenam também a possibilidade de geração de renda através da agricultura e pecuária familiar, impactando de forma significativa sobretudo na vida das mulheres. Como explica o coordenador executivo da ASA no Ceará, Marcos Jacinto: "era comum a imagem da mulher com a lata d'água na cabeça no nosso semiárido. Essa imagem ficou mais rara com a chegada do Programa 1 Milhão de Cisternas porque com ele a família tem na sua própria residência a água para consumo das pessoas e também para sua própria produção".

No Estado do Ceará, desde o início do programa, a meta era beneficiar 304 mil famílias. Desse total, 248 mil receberam a tecnologia, o que sinaliza que muitas outras ainda vivem num contexto de insegurança hídrica. Uma preocupação que se intensifica ainda mais num contexto de desmonte da política promovido pelo atual governo de Jair Bolsonaro.

 É o que denuncia Jacinto: "esse momento nos preocupa muito mais, porque nós sabemos que existe ainda um contingente muito grande de famílias no semiárido cearense, que ainda não tem acesso a água potável. Nós temos ainda cerca de 50 mil famílias que ainda não têm a tecnologia social de primeira água e nós estamos num momento em que o programa tem sido desmontado e está paralisado do ponto de vista de investimentos públicos federais".

E essa não é uma realidade só do Ceará, no país cerca de 350 mil famílias do semiárido ainda não dispõem da tecnologia. Nos últimos anos, o recurso federal destinado aos programas de convivência com o semiárido vem sofrendo sucessivos cortes. Em 2012, por exemplo, o P1MC teve o menor orçamento da história destinado ao programa.

"É difícil da gente compreender como uma política que tem tanto sucesso, mudou e transformou tanto a vida das pessoas no semiárido brasileiro, e em outras regiões semiáridas, é desestruturada por este governo. Quer dizer, eu digo que é difícil da gente compreender, mas a gente sabe que o governo Bolsonaro é um governo que não tem prioridade pela população mais pobre do nosso país, na verdade é um governo que tem prática genocida, uma prática que não atende as necessidades daqueles que mais precisam", enfatiza Alexandre.

Nossa reportagem entrou em contato com o Ministério do Desenvolvimento Regional para questionar sobre o corte, mas não obtivemos resposta até o fechamento da matéria. Para continuar o trabalho, a ASA está com uma campanha para levantar fundos para o programa. Intitulada 'Tenho Sede', a campanha já está dando resultado: agora em março, estão executando as 20 primeiras cisternas com dinheiro arrecadado. Para saber como ajudar, acesse o site tenhosede.org.br

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Com informações do Brasil de Fato CE.

Ucrânia não é a única bombardeada: Somália, na África, também sofre ataque dos Estados Unidos

Somália, na África, sofreu ataque de drone dos Estados Unidos no início da semana; foto não corresponde ao ataque de 2022, mas sim a um de 2017 - Divulgação/Twitter.

O conflito na Ucrânia no leste europeu registrou uma série de bombardeios aéreos feitos pela Rússia nas últimas horas. Enquanto o mundo acompanha com atenção o avanço de tropas russas em território ucraniano, países como Síria, Somália e Iêmen também sofreram ataques aéreos - sob ofensivas de Israel, Estados Unidos e Arábia Saudita, respectivamente.

Pelo menos outros 28 países passam por conflitos ou registram combates armados neste início de 2022. A informação é do Projeto de Dados de Localização e Eventos de Conflitos Armados (Acled, na sigla em inglês), que analisou dados até 11 de fevereiro. O levantamento foi publicado pelo jornal Folha de S.Paulo na semana passada.

Apenas nesta semana, segundo os principais veículos jornalísticos internacionais, o governo de Israel matou seis combatentes pró-Síria pelo ar, os Estados Unidos lançaram um drone contra a Somália e a Arábia Saudita realizou ataques no Iêmen.

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Com informações do Brasil de Fato. Acesse o site e leia o texto completo.

Herança do Tupi presente no português falado no Brasil

 

Padre José de Anchieta esteve entre os primeiros estudiosos da língua tupi. (FOTO/ Biblioteca Nacional).

Os povos que habitavam o território brasileiro antes da chegada dos primeiros colonizadores portugueses falavam cerca de mil línguas, segundo registros da Faculdade de Filosofia; Letras e Ciências da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP).

Além da riqueza linguística, a maioria deles, principalmente os que habitavam o litoral, onde se formaram as primeiras cidades do país, falava uma língua comum, o tupi antigo. Chamado de "língua brasílica" pelos portugueses, ele foi utilizado no Brasil durante séculos, por jesuítas, colonizadores e até bandeirantes.

Na verdade, os falantes do tupi antigo, assim como os do guarani – vale ressaltar que tupi-guarani não é uma língua, mas uma família de línguas indígenas –, iam muito além do Brasil e se espalhavam por um vasto território da América do Sul, na época da chegada dos europeus ao continente.

Dentro do Brasil, o tupi antigo apresentava variações linguísticas ao longo da costa. Os potiguares do Paraíba até os tamoios do Rio de Janeiro, por exemplo, pronunciavam inteiros os verbos acabados em consoante, enquanto os tupis de São Vicente não pronunciavam a última consoante. Mas eram variações próximas, que permitiram aos colonizadores identificarem uma unidade entre os povos.

Segundo o professor da FFLCH-USP Eduardo Navarro, atualmente um dos principais estudiosos da matéria, o tupi é considerado o idioma indígena clássico do Brasil, uma vez que "foi a única língua indígena, das centenas que foram faladas no país, que se fez representar significativamente no léxico da língua portuguesa".

Por isso, até hoje é possível encontrar milhares de palavras do tupi no dia a dia dos brasileiros, que vão desde nomes de alimentos (como abacaxi, mandioca, açaí, paçoca, pipoca), animais (capivara, tatu, arara, jacaré-açu, jabuti, perereca), cidades e estados (Pará, Paraná, Manaus, Sergipe, Maceió), rios (Xingu, Xapuri, Ipiranga), vegetação em geral (cipó, capim, jacarandá, samambaia) e até nomes próprios (Iracema, Iara, Araci, Jacira, Maiara).

O tupi antigo está presente até mesmo nos primórdios da literatura nacional, tendo, inclusive, duas gramáticas publicadas: uma em 1595, Arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil, de autoria do padre José de Anchieta, e outra de 1621, organizada pelo também jesuíta Luís Figueira.

Bandeirantes e cidades

Quem roda pelo Sudeste e Centro-Oeste brasileiros percebe a quantidade de cidades com nomes indígenas. Exemplos não faltam: Araçatuba, Bertioga, Itanhaém, Paraguaçu, Cuiabá, Niterói, Curitiba, Peruíbe, Pindamonhangaba, Taubaté, Ubatuba, Uberaba, Piracicaba, Piratininga, entre outras.

Isso porque outro personagem do período colonial que se valeu da língua tupi para se aproximar dos indígenas foram os bandeirantes, que indicavam com os nomes tupis as localidades por onde passavam.

"Noutra faceta, o tupi também serviu aos bandeirantes para melhor entenderem-se com os índios, que levavam escravizados para o desbravamento dos sertões, e por onde passavam as entradas e bandeiras, os portugueses iam denominando esses lugares com toponímias indígenas”, diz trecho de artigo da Universidade Federal do Rio de Janeiro Os tupinismos na formação do léxico português do Brasil, publicado em 2008 na Revista Philologus.

"Chorar as pitangas"

Diversas expressões utilizadas até hoje vieram da fusão do português dos colonizadores com o tupi antigo dos indígenas. Por serem resultado desse casamento linguístico e cultural, elas são chamadas de brasileirismos, ou "tupinismos” para alguns autores, expressões que existem apenas no português falado no Brasil.

Um dos exemplos mais conhecidos de brasileirismos é a expressão "chorar as pitangas”.

Segundo artigo da linguista Nancy Arakaki, a origem da expressão formada no Brasil pode ser bíblica, vindo, provavelmente, de trecho do Evangelho de Lucas em que o sofrimento de Jesus é retratado pelo "seu suor”, suor esse que "era como gotas de sangue que caíam no chão”. Mas não somente, uma vez que a expressão "lágrimas de sangue” já existia em Portugal.

O fato é que, segundo a linguista, os indígenas podem ter absorvido o significado da expressão, "lastimar-se", mas segundo os seus próprios códigos culturais: o sangue deu lugar à pitanga, fruta que ressalta a forma de uma lágrima e a cor do sangue.

"É interessante destacar que a expressão 'chorar pitangas' nos remete à ideia de eufemismo em relação a 'chorar lágrimas de sangue' porque lhe é atribuído um valor menor, menos doloroso que é o ato de lastimar-se, lamentar. Essa foi a imagem captada pelos índios num tempo de trocas culturais e vivências ora turbulentas, ora pacíficas e harmoniosas", escreveu Arakaki em Memória cultural e linguística do Brasil Colônia em ‘chorar as pitangas'.

brasileirismos usados até hoje são "ficar com nhenhenhém", "estar jururu", "ficar de tocaia", "parecer pamonha", "estar na pindaíba", "ir para a cucuia", além de outros.

Língua proibida

Segundo registros da biblioteca Brasiliana da USP, a língua brasílica, ou tupi antigo, foi usada por todos, brasileiros e estrangeiros, até meados do século 18.

Em 1758, porém, Marquês de Pombal, o primeiro-ministro de Portugal, publicou um decreto tornando o português o idioma oficial do Brasil, a "língua do rei", ao mesmo tempo em que proibiu o uso do tupi antigo e demais línguas faladas na colônia na época, como as africanas.

Já era tarde, contudo: o tupi já havia se ramificado pelos costumes e cultura do país.

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Com informações do DW.

5 pontos cruciais para entender o conflito entre Rússia e Ucrânia

Crédito: Reprodução/Twitter.

Desde a madrugada desta quinta-feira, 24, o mundo assiste a um novo capítulo da história geopolítica se desenrolar com o ataque da Rússia contra a Ucrânia. Porém, nem todos entendem o motivo desse conflito. Para você compreender de vez o que está rolando, vamos explicar em 5 pontos cruciais as questões chaves e centrais que culminaram na operação militar comandada pelo presidente russo Vladmir Putin, além de saber qual a relação disso tudo com os Estados Unidos.

1 – Crimeia

A disputa entre Rússia e Ucrânia começou oficialmente depois do conflito na região da Crimeia, em 2014. O território foi “transferido” à Ucrânia pelo líder soviético Nikita Khrushchev em 1954 como um “presente” para fortalecer os laços entre as duas nações. Ainda assim, nacionalistas russos aguardavam o retorno da península ao território da Rússia desde a queda da União Soviética, em 1991.

Já independente, a Ucrânia buscou alinhamento com a UE (União Europeia) e a Otan (Organização do Tratado Atlântico Norte) – organização de apoio militar entre nações criada pelos EUA – enquanto profundas divisões internas separavam a população.

2- Soberania

Na Ucrânia, nem todos foram a favor da separação. Donetsk (RPD) e Lugansk (RPL), situadas na região fronteiriça de Donbass, se tornaram repúblicas independentes. Eles estão há dias em conflito com Kiev, capital da Ucrânia, alinhada com EUA.

As circunstâncias nos obrigam a tomar medidas decisivas e imediatas. As repúblicas populares de Donbass pediram ajuda à Rússia. A este respeito, de acordo com o artigo 51, parágrafo sete da Carta da ONU [Organização das Nações Unidas], com a sanção do Conselho da Federação e em cumprimento de tratados de amizade e assistência mútua com a RPD e a RPL, ratificados pela Assembleia Federal, decidi realizar uma operação militar especial”, afirmou Putin.

3 – OTAN

As tensões entre os dois países já vinham aumentando nos últimos meses, devido a uma aproximação da Ucrânia com a Otan e à possibilidade de instalação de poderosas bases militares aliadas aos EUA perto das fronteiras russas. O que muito agrada os norte-americanos e desagrada profundamente os russos.

4 – EUA

Não é coincidência que os Estados Unidos sejam um dos países que mais se beneficiam economicamente de confrontos armados, já que 60 das maiores exportadoras de armas do mundo são estadunidenses. Mas, neste caso, isso é secundário.

Com a economia americana devastada e a perda de protagonismo global com o crescimento da China e da Rússia, para os EUA, desgastar politicamente, especialmente, na Europa, a Rússia é uma boa chance de retomar seu papel central na política mundial.

5 – Disputa global

Para entender um pouco mais dessa disputa global, chega de textos. Veja o vídeo clicando aqui.

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Com informações da Catraca Livre.

90 anos do voto feminino no Brasil: ícones da longa luta das mulheres pelo direito ao voto

 

Participantes do II Congresso Internacional Feminista no Recreio dos Bandeirantes (RJ): conquista do foto teve muitas protagonistas. (FOTO/ Acervo Arquivo Nacional).

Até 1830, pra se ter ideia, a lei permitia que os maridos castigassem fisicamente as esposas, uma herança das Ordenações Filipinas, um conjunto de leis de origem espanhola adotada por Portugal e implantada no Brasil colônia. O direito de votar veio em 1932 - com a promulgação do decreto nº 21.076 no dia 24 de fevereiro, há exatos 90 anos -, como mais um capítulo de uma história longa, que vai muito além do acesso às urnas.

Até 1962, as mulheres casadas precisavam de autorização formal dos maridos para trabalhar - o Código Civil de 1916 via a mulher como incapaz para realizar certas atividades.

Nas escolas, até 1854 as meninas aprendiam corte, costura e outras "prendas domésticas", enquanto aos meninos se ensinava ciências, geometria e operações mais avançadas de matemática. Depois que o currículo foi unificado no ensino básico, ainda foram necessárias várias décadas até que as mulheres tivessem acesso mais amplo às universidades, algo que só ocorreu depois de 1930.

Nísia Floresta: o acesso à educação

Uma das precursoras dos movimentos pela conquista dos direitos das mulheres no Brasil viveu um século antes da promulgação do voto feminino.

Dionísia de Faria Rocha, que se tornaria conhecida pelo pseudônimo Nísia Floresta Brasileira Augusta, nasceu em Papari, no interior do Rio Grande do Norte, em 1810.

Numa época em que a vida das mulheres estava circunscrita basicamente à esfera doméstica, como esposas e mães, Nísia foi um ponto fora da curva. Foi do Rio Grande do Norte para Pernambuco, para o Rio Grande do Sul, para o Rio de Janeiro.

Viveu anos na Europa, onde transitava por círculos de intelectuais com nomes como Almeida Garret, Alexandre Herculano, Alexandre Dumas, Victor Hugo e Amandine Dupin - que se apresentava como George Sand, pseudônimo masculino que usava para assinar seus livros, algo que não era incomum naquela época.

Teve 15 livros publicados e escreveu uma tradução livre da obra Vindication of the Rights of Woman, da escritora inglesa Mary Wollstonecraft, intitulada Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens.

Vanguardista, Wollstonecraft chegou a publicar um livro em resposta aos escritos do filósofo Jean Jacques Rousseau, que afirmava, em Émile, ou da Educação, que a mulher, por ser intelectualmente inferior ao homem, deveria receber uma educação superficial, com ênfase maior na educação moral.

Ainda que não repetisse o discurso de rompimento da intelectual inglesa, Nísia defendia que as mulheres tivessem acesso à mesma educação que os homens.

 

Foi professora e fundou, em 1838, no Rio de Janeiro, um colégio para meninas com um currículo que ia bem além das aulas de corte, costura e boas maneiras previstas na lei. O programa do Colégio Augusto incluía latim, francês, italiano e inglês - tanto gramática quanto literatura -, geografia e história.

Apesar de não ter eliminado as aulas de "prendas femininas", o fato de dar às meninas instrução bem mais ampla que o comum da época fez da escola alvo de duras críticas dos jornais cariocas durante os 18 anos em que esteve em funcionamento.

Na edição de 2 de janeiro de 1847 do jornal O Mercantil, um comentário sobre os exames finais em que várias alunas haviam sido premiadas com distinção alfinetava: "trabalhos de língua não faltaram; os de agulha ficaram no escuro. Os maridos precisam de mulher que trabalhe mais e fale menos". O trecho foi destacado pela pesquisadora Constância Lima Duarte, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em sua tese de doutorado (Nísia Floresta: Vida e Obra).

As escolas praticamente não existiam no Brasil colônia, muito menos o ensino obrigatório - a educação estava nas mãos da igreja Católica, que em seus conventos e seminários lecionava a poucos alunos.

Com a vinda da Corte para o Brasil, em 1808, o ensino começa a se difundir no país, especialmente entre as famílias ricas, que costumavam contratar professoras estrangeiras (francesas e portuguesas, principalmente) para que ensinassem aos filhos dentro de casa.

A primeira grande legislação sobre educação só é promulgada depois da independência, em 1827, durante o período do Primeiro Império. É ele que estabelece que o ensino para meninos e meninas deveria ser diferenciado.

Em matemática, por exemplo, os cursos para meninas só deveriam cobrir as quatro operações básicas - somar, subtrair, multiplicar e dividir -; enquanto aqueles para meninos incluíam geometria, frações, proporções, números decimais. A lei só unificaria os currículos quase 30 anos depois, em 1854.

A pesquisadora Mônica Karawejczyk, que há 15 anos estuda a questão do voto feminino no Brasil, pontua que Nísia não chegou a defender o voto feminino.

"Ela pedia outras coisas porque aquela era uma época em que a mulher não tinha direito a quase nada. Só em 1827 tiveram direito ao ensino primário, e mesmo assim não era igual [ao currículo masculino]."

A educação, entretanto, é um grande catalisador das transformações que aconteceriam nas décadas seguintes - e, por isso, o ativismo de Nísia e de outras mulheres nesse sentido é considerado fundamental para os avanços que vieram depois.

"No momento em que a mulher tem acesso à educação, quando começa a ler, se instruir, começa a querer outras coisas: 'Por que ele tem direito e eu não tenho?', 'Por que ele pode fazer Medicina e eu não?' A partir daí, começa a haver uma maior conscientização sobre essas questões", ressalta a pesquisadora, autora do livro Mulher Deve Votar?: o Código Eleitoral de 1932 e a Conquista do Sufrágio Feminino Através das Páginas dos Jornais Correio da Manhã e A Noite.

Leolinda de Figueiredo Daltro: o primeiro partido feminino

Uma mulher que fez muitas dessas perguntas foi a baiana Leolinda de Figueiredo Daltro, que nasceu cerca de 50 anos depois de Nísia, em 1859.

Também professora, seu principal foco no âmbito do magistério eram os indígenas. Leolinda defendia que eles fossem incorporados à sociedade brasileira por meio do ensino laico, desligado da igreja - em uma época em que praticamente todas as iniciativas nesse sentido eram dominadas por agremiações católicas, como os jesuítas.

Após a proclamação da República, nos anos 1890, chegou a percorrer o interior do país por alguns anos alfabetizando comunidades indígenas.

Já separada do segundo marido e com 5 filhos - os quais sustentava com seu salário -, a própria forma como levava a vida afrontava os costumes da época. E foi experimentando as barreiras que se colocavam às mulheres pelo simples fato de serem mulheres que Leolinda se voltou para as questões de gênero.

Em setembro de 1909, foi impedida de apresentar um trabalho no primeiro Congresso Brasileiro de Geografia por ser mulher, relata a historiadora Eliane Rocha em sua tese de doutorado (Entre a Pena e a Espada - A Trajetória de Leolinda Daltro: 1859-1934). Por essa mesma razão, nunca foi nomeada oficialmente como "catequista leiga ou diretora de índios", cargos aos quais sempre almejou.

"Ela percebeu que precisaria mudar as leis para poder se inserir no espaço público", destaca Karawejczyk, que também escreveu sobre Leolinda em sua tese de doutorado (As Filhas de Eva Querem Votar: dos Primórdios da Questão à Conquista do Sufrágio Feminino no Brasil).

Assim, morando no Rio de Janeiro, em 1910 ela funda o Partido Republicano Feminino (PRF), o primeiro com esse perfil montado no Brasil - e não formalmente reconhecido como partido, já que nem direito a voto as mulheres tinham ainda (uma das demandas, claro, do PRF).

"Ela e todas aquelas mulheres começaram a frequentar as sessões parlamentares, vaiavam, aplaudiam. Elas tiveram muita coragem de se colocar e exigir esses direitos políticos", diz a pesquisadora.

Por causa do estilo confrontativo, Leolinda era constantemente chamada pelos desafetos - e por boa parte da imprensa - de "Pankhurst brasileira", uma referência a Emmeline Pankhurst, uma das fundadoras do movimento sufragista na Inglaterra.

Líder do Women's Social and Political Union (União Social e Política das Mulheres, WSPU), a britânica é um dos nomes mais célebres do que ficou conhecido como suffragettes, grupo que tinha um estilo de atuação mais combativo.

 

Para pressionar os políticos e chamar atenção da opinião pública, as suffragettes faziam ações que iam desde interromper discursos de autoridades até acorrentar-se a portões de prédios públicos e atear fogo nas caixas de correio.

No Brasil, as sufragistas do PRF eram constantemente alvo de campanhas difamatórias e ridicularizadas nos jornais, ligadas pela opinião pública ao que Karawejczyk chama de "mau feminismo" - em oposição ao "bom feminismo" que caracterizaria o grupo da geração posterior à de Leolinda, como Bertha Lutz (leia mais abaixo).

Leolinda "invadia espaços exclusivamente masculinos e expunha-se pessoalmente às críticas, sempre buscando chamar atenção para as desigualdades e injustiças", escreveu a historiadora Teresa Cristina de Novaes Marques, que há mais de 20 anos se dedica a pesquisar a história das mulheres, em um artigo na revista Gênero em 2012.

Entre os exemplos, a pesquisadora cita o episódio do Congresso Pan-Americano realizado no Rio de Janeiro em 1906, em que a ativista levou consigo um grupo de sete indígenas para assistir ao evento.

Nos anos 1920, Leolinda começa a se afastar aos poucos da vida pública. Isso não impediu, entretanto, que ela não apenas votasse nas eleições de 1933, como também se candidatasse a deputada federal - sem conseguir, contudo, se eleger.

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Com informações da BBC Brasil. Leia o texto completo aqui.

No Recife, vereadores cobram cotas raciais em todas seleções de cargos públicos

 

Imagem: Câmara Municipal do Recife.

Como forma de incidir no eixo municipal, considerando que a Lei de Cotas completa, neste ano, 10 anos desde a sua implementação, parlamentares do Recife querem garantir políticas que trabalhem a igualdade racial dentro do âmbito da administração pública, reservando vagas para a população negra na cidade.

Na capital, mesmo havendo a lei que assegura a reserva de 20% das vagas para esta população, para os parlamentares e movimentos sociais, a política não é totalmente efetiva. O motivo é que a porcentagem só é aplicada para concursos públicos, não abrangendo para outro tipo de seleções.

Foi nesse quesito que a vereadora Dani Portela (PSOL-PE), após imersão e pesquisa sobre as leis municipais existentes sobre enfrentamento ao racismo e projeção da igualdade, atentou para uma problemática: no município, quase 30% dos cargos da administração pública não estão ocupados por concursados, o que incide diretamente na ocupação por parte de pessoas negras.

Para reverter o quadro, a parlamentar apresentou, em março de 2021, um Projeto de Lei Ordinária que visava regulamentar o inciso XXI, do artigo 63, da Lei Orgânica do Município do Recife. Como diretriz da ação, o objetivo era reservar à população da raça negra 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas nos concursos públicos e seleções simplificadas de cargos efetivos e empregos públicos, fossem eles provenientes da administração direta, das autarquias, das fundações públicas ou das empresas públicas.

Entretanto, completando um ano desde a sua protocolação, o PLO ainda não foi votado pela Câmara Municipal do Recife, pois recebeu parecer negativo nas comissões. O pedido da vereadora, que conta com diálogo junto a movimentos sociais por igualdade racial, tramitou nas comissões de Legislação e Justiça e de Finanças e Orçamento, por exemplo, mas foi barrado sob a justificativa de que este recurso na Lei Orgânica não seria de responsabilidade parlamentar e, sim, do Poder Executivo.

Dani Portela defende a necessidade de maior agilidade na extensão da política de cotas na cidade, tendo em vista as problemáticas sobre quem ocupa os cargos no poder público atualmente.

Nós estamos falando de diversas funções e cargos que contam com contratos precarizados, temporários, até mesmo comissionados e dados de forma por aprovação simplificada. O problema disso é o perfil de quem ocupa e quais são os meios que se usam para equalizar o acesso a essas vagas”, dispara.

Questionada sobre a demora e a falta de priorização do tema por parte do município, a parlamentar reflete sobre a invisibilidade de políticas públicas de igualdade racial em uma cidade que é tida como a capital mais desigual do país, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE).

É necessário falar da redução de desigualdades aqui, sejam elas de classe, gênero ou raça, tendo em vista, principalmente, que a nossa população, em sua maioria, se autodeclara preta ou parda. Isso em um contexto de cidade que, infelizmente, apresenta um dos piores índices de desenvolvimento social. Ao que parece, não há vontade política de redução da desigualdade de emprego e renda, além de outros setores, como a educação, moradia, transporte público, entre outros”, pontua.

Cobrança se volta ao Executivo

Como forma de contornar a paralisação do PLO sobre as cotas, Dani Portela e demais mandatos progressistas pretendem, neste ano, pressionar a prefeitura do Recife para que a iniciativa tenha continuidade no executivo. Com isso, a lei passaria de ordinária para municipal e seria aplicada nos demais processos seletivos.

Os mandatos acreditam que o município, ao expandir a política de cotas, vai atuar em consonância com os direitos previstos na Constituição Federal, possibilitando uma conquista expressa por cotas no serviço público para as populações mais excluídas destes espaços.

De acordo com a atuação de Dani Portela, o também vereador Ivan Moraes (PSOL-PE) acredita que a mudança na lei municipal vai ser efetiva e possibilitará novos acessos à população negra da cidade.

É uma política que tem dado certo a nível nacional e atuado em dinâmicas de outros espaços, que vão para além da educação, como se era pautada em seu início. Por isso, nós estamos incidindo, junto ao mandato de Dani Portela, no Estatuto de Igualdade Racial, por mais políticas que prezam por igualdade racial no âmbito da administração pública do Recife, que, ao meu ver, não deveria abrir vagas simplificadas ou terceirizadas”, afirma o vereador.

A ação também é apoiada por movimentos sociais. Para Hallana de Carvalho, representante da Coalizão Negra por Direitos em Pernambuco, de resultado das diversas experiências de Lei de Cotas na esfera pública, seja no serviço público ou na educação, o que se pode ver é a democratização do acesso a espaços de poder marcados historicamente pela exclusão de pessoas não brancas.

Por isso, ter pessoas negras atuando é de suma importância, pois somos nós, população negra, que mais usufruímos dos diversos serviços prestados neste setor. E, para além disso, é preciso chamar atenção para o fato de que pessoas negras no serviço público estão fortemente concentradas em cargos que são sistematicamente precarizados. Então é preciso, sim, que haja uma política de reserva de vagas que garanta a presença de pessoas negras no quadro de servidores dos diferentes cargo”, afirma.

O que diz a prefeitura

Enquanto aguarda os próximos passos, o desejo da vereadora continua sendo ‘enegrecer’ os serviços públicos, tendo servidores e servidoras negras representando exatamente o perfil racial da cidade.

Precisamos chegar em um posto de saúde, por exemplo, e encontrarmos mais profissionais negros. Não por uma questão apenas de representatividade, mas para que o serviço público seja prestado por mais qualidade para a população, principalmente, por quem entende suas especificidades. Isso é um desejo que nós, este ano, não vamos cessar”, finaliza.

Procurada pela Alma Preta Jornalismo, a assessoria de comunicação da Prefeitura do Recife afirma que, atualmente, o processo de contratações segue os ritos estabelecidos em legislação pertinente e afirma estar aberta a conversas sobre.

A Secretaria de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Juventude e Políticas sobre Drogas (SDSDHJPD) vem acompanhando os debates e a Prefeitura ratifica que está sempre aberta ao diálogo com todas as representações dos recifenses. A gestão municipal vem ampliando políticas públicas para pessoas negras com o entendimento de fomentar e redistribuir de forma mais equânime as oportunidades para os munícipes”, finaliza a nota.

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Com informações do Alma Preta.

Aulas presenciais na URCA serão retomadas em abril

(FOTO/ Reprodução/ URCA).

A Universidade Regional do Cariri (URCA) retomará as aulas presenciais a partir do próximo dia 25 de abril, nos campi de Crato e Juazeiro do Norte. Em Missão Velha as aulas estão previstas para iniciar no dia 28 de março, e em Campos Sales, no dia 4 de abril. Os novos cursos de Medicina, Turismo, e em Iguatu, as aulas presenciais serão iniciadas no dia 7 de março. A decisão aconteceu nesta segunda-feira, 21, durante reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE), da Instituição, com representação de alunos, professores e servidores, que juntos decidiram por unanimidade pelo começo das aulas presenciais .

Depois de quase dois anos, a URCA mesmo com aulas e colações de grau remotas, seguindo os protocolos de prevenção à Covid – 19, não deixou de dar segmento às atividades administrativas e pedagógicas na instituição. Diversas ações foram tomadas no início, para que isso acontecesse, como a criação do Comitê de Monitoramento de Ações de Prevenção ao Novo Coronavírus e, através do CEPE, a Comissão Especial de Protocolo para Retorno Presencial das Atividades Acadêmicas.

A reunião do CEPE, com ampla representação, foi iniciada às 14h30, e finalizada às 19h30. Segundo o Reitor da URCA, professor Francisco do O’ de Lima Júnior, foram realizadas diversas considerações para que fosse proposta a deliberação do dia 25 de abril. “O protocolo teve poucas alterações, mas foi construído com grande participação”, disse o Reitor.

Cumprimento dos protocolos

O protocolo que envolve as ações de prevenção à Covid – 19, conforme o Professor Lima Júnior, foi bem apresentado, tendo apenas mudanças mínimas, e uma das exigências para o retorno às aulas será a apresentação do comprovante de vacinação, além do cumprimento do uso de todos os itens de segurança, a exemplo da máscara.

Até o início das aulas continua sendo executada a reforma nos diversos campi da URCA, o que vai garantir a disponibilização dos critérios de ambiente físico mais adequados, conforme está estabelecido nas determinações sanitárias. Ainda é importante ressaltar que as atividades práticas realizadas na Universidade também terão continuidade de forma presencial, desde que seguindo os protocolos, a exemplo das ações de extensão, pós-graduação, além das pesquisas em laboratórios.

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Com informações da URCA.

Dia do Livro Vermelho: Qual é a importância atual do Manifesto Comunista para os trabalhadores?

 

Manifesto Comunista: livro é considerado um “divisor de águas” entre os “livros vermelhos” - Reprodução/The Red Books Day.

O que os trabalhadores brasileiros de hoje têm em comum com os operários da Inglaterra de 1848? Ambos têm as condições de trabalho marcadas pelas bases de exploração do sistema capitalista.

Naquela época, o diagnóstico acima foi publicado no dia 21 de fevereiro daquele ano, por Karl Marx e Friedrich Engels, no Manifesto Comunista, encomendado pela Liga dos Justos, que mais tarde veio a se chamar Liga dos Comunistas. Mais de 150 anos depois, o diagnóstico segue conversando com a realidade dos trabalhadores de hoje. 

Nas palavras de Miguel Yoshida, doutor em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa e editor-assistente da Editora Expressão Popular, um dos diferenciais da obra é a “análise da sociedade que está surgindo, cujas bases são as mesmas que a gente vive hoje: a exploração do ser humano pelo ser humano, como alguns vão se enriquecer às custas de trabalho de outros”.

O livro é considerado um “divisor de águas” entre os “livros vermelhos” – ou seja, as obras que abordam temas relacionados às estruturas de opressão das sociedades – ao trazer não só análises do surgimento do capitalismo e da burguesia, mas inclusive propostas para a transformação desta sociedade em direção ao comunismo, a partir da luta operária necessariamente a nível internacional: “Trabalhadores do mundo, uni-vos, vós não tendes nada a perder a não ser vossos grilhões”, escreveram Marx e Engels. É um “divisor de águas na maneira de os trabalhadores terem uma leitura própria do mundo”, afirma Yoshida. 

Livros vermelhos

Desde então, com base no acúmulo das experiências das lutas operárias e dos debates acerca do tema, diversos livros foram publicados, com atualizações de acordo com a época e a realidade de cada local. 

No Brasil, por exemplo, evidencia-se o trabalho do sociólogo Florestan Fernandes, no livro A Revolução Burguesa no Brasil, onde o autor se utiliza das bases e dos conceitos concebidos pelos comunistas da Inglaterra para escrever sobre a burguesia brasileira. Outro trabalho proeminente é Gênero, Patriarcado, Violência, da socióloga brasileira Heleieth Saffioti, que atualiza o trabalho de Marx e Engels a partir da realidade das mulheres brasileiras.

A partir deste contexto, desde 21 de fevereiro de 2020, editoras de esquerda – hoje reunidas na Associação Internacional de Editoras de Esquerda, com mais de 40 grupos de países de 25 línguas – aliadas a movimentos do mesmo espectro político comemoram o Dia dos Livros Vermelhos. 

No Brasil, a Editora Expressão Popular, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Instituto Tricontinental de Pesquisa Social impulsionam a iniciativa. A jornada tem como objetivo estimular a leitura e o estudo de livros que tratam sobre os temas levantados a partir do Manifesto Comunista.

Para Olívia Carolino, economista do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, “a importância de comemorar esse livro é manter vivo esse legado e a tradição de um movimento internacionalista de luta contra o capital. O que a gente propõe é uma semana de estudo em torno desse 21 de fevereiro para a gente ler, estudar e reservar espaços nas nossas agendas de luta para refletir sobre o significado e a atualidade do Manifesto Comunista na nossa realidade”.  

Yoshida cita outros exemplos de obras abordadas no âmbito do Dia do Livro Vermelho. Um deles é O Estado e a revolução, de Vladimir Lênin, escrito às vésperas da Revolução de 1917. Nele, Lênin defende que não bastava se apoderar do Estado burguês, mas destruí-lo. 

A emancipação da classe oprimida é impossível não só sem uma revolução violenta, mas também sem a destruição do aparelho do poder de Estado que foi criado pela classe dominante e no qual está encarnada esta alienação”, escreveu o revolucionário. “Ele está falando sobre a necessidade de construir uma nova sociedade e que, para isso, é importante derrubar o Estado. Então ele também está propondo algo novo”, afirma Yoshida.

Segundo Yoshida, uma das bases do Manifesto Comunista é o destaque "para o fato de que a sociedade capitalista é uma construção histórica das classes em luta e que, portanto, não é uma forma organização social eterna. Ela pode ser destruída pelas classes que se opõem a ela de forma organizada, contra aquela ideia de que a sociedade que a gente está vivendo hoje é algo eterno. A sociedade passou por um processo de transformações e segue em constante transformação, pela ação dos seres humanos”, afirma o editor da Expressão Popular. 

Manifesto Comunista hoje

Alguns pontos que atualmente são considerados lacunas no Manifesto Comunista entram agora no radar das atualizações presentes nos livros vermelhos. “Hoje ser comunista é partilhar de um projeto de sociedade emancipador que coloca em primeiro plano as necessidades humanas, e cada vez mais os comunistas também estão se apropriando das necessidades de preservação do planeta”, afirma Olívia Carolino.

No momento em que a gente tem uma crise profunda e estrutural da sociedade burguesa, que combina crises econômica, política, social, ambiental e de valores, trata-se da crise da civilização burguesa.” 

Um exemplo disso é como a crise sanitária também tem a ver com as condições determinadas a cada classe social. A pandemia não foi nem é a mesma para todos: negros – pretos e pardos, de acordo com a denominação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – morrem mais do que brancos em decorrência da covid-19 no Brasil, de acordo com um estudo realizado pelo Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde, grupo da PUC-Rio, de abril de 2021. Ficou demonstrado que, enquanto 55% de negros morreram por covid, a proporção entre brancos foi de 38%. 

Outro exemplo é a relação entre a crise ambiental e as classes econômicas. As recentes enchentes deixaram explícito que os que mais sofrem com as mudanças climáticas são as populações mais pobres, que vivem em áreas mais viáveis financeiramente, mas de risco e sem infraestrutura. Nas últimas enchentes de São Paulo, por exemplo, as populações mais afetadas são aquelas que vivem em regiões de encosta, como Franco da Rocha, em janeiro deste ano.

Neste momento em que as contradições estão tão evidentes, os comunistas representam essa é possibilidade de um projeto sociedade emancipadora. A classe proletária é a única capaz de realizar a igualdade, a liberdade e a fraternidade, que são aquelas promessas que a burguesia colocou para a modernidade. A burguesia só pode realizar a liberdade e a igualdade para os indivíduos proprietários”, afirma Olívia Carolino.

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Com informações do Brasil de Fato.

Países africanos ganham de volta arte roubada na era colonial

 

Os dois Bronzes de Benin de volta ao palácio do Obá. (FOTO/ Tife Owolabi/REUTERS).

Dois Bronzes de Benin foram devolvidos ao seu lar natal, 125 anos depois que soldados britânicos os roubaram da África Ocidental. Uma cerimônia neste sábado (19/02) celebrou o retorno dos dois objetos de arte, um representando um galo e o outra a cabeça de um rei, ao palácio de Obá, na cidade de Benin, que fica na Nigéria.

"Elas não são apenas arte, mas objetos que realçam o significado de nossa espiritualidade", disse um porta-voz do palácio de Obá, Charles Edosonmwan.

Os Bronzes de Benin são uma coleção de milhares de peças criadas desde o século 16 que estavam no palácio real da cidade do Benin quando foram saqueadas pelas forças britânicas, em 1897. Hoje, estão espalhadas por museus na Europa e nos Estados Unidos.

As peças entregues ao palácio de Obá estavam na Universidade de Aberdeen e no Jesus College Cambridge, no Reino Unido, as primeiras instituições do mundo a devolver Bronzes de Benim à Nigéria, no ano passado – a cerimônia só foi realizada neste ano.

Na época, o professor Abba Isa Tijani, diretor-geral da Comissão Nacional de Museus e Monumentos da Nigéria, exortou "outros museus e instituições em todo o mundo a aproveitar essa oportunidade e seguir o exemplo".

Muitas peças seguem fora da África

Durante a era colonial, muitas peças de arte africanas foram obtidas ilegalmente e acabaram em coleções europeias. Como resultado, estima-se que 80% a 90% do patrimônio cultural da África subsaariana esteja em museus ocidentais.

Apenas o Musée du Quai Branly-Jacques Chirac, em Paris, guarda cerca de 70 mil objetos africanos, e o Museu Britânico em Londres tem mais dezenas de milhares.

O Reino Unido, a Bélgica, a Holanda e a Alemanha receberam pedidos de países africanos para devolver tesouros saqueados na era colonial.

Em abril de 2021, a Alemanha anunciou um plano para enviar, a partir deste ano, centenas de peças dos Bronzes de Benin de volta para a Nigéria.

Benin expõe peças devolvidas pela França

Enquanto os nigerianos saudavam o retorno dos dois bronzes à cidade de Benin, na Nigéria, o presidente do país vizinho Benin abriu uma exposição de obras de arte históricas devolvidas pela França em 2021.

As 26 peças haviam sido roubadas em 1892 por forças coloniais francesas do antigo reino de Dahomey, no sul do atual Benin.

A exposição "Arte do Benin ontem e hoje" estava "devolvendo ao povo beninense parte de sua alma, parte de sua história e de sua dignidade", disse o ministro da Cultura, Jean-Michel Abimbola.

Abimbola afirmou que havia conversas em andamento para a devolução de outros objetos, incluindo uma escultura do deus Gou, que ainda está no Louvre, em Paris.

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Com informações do DW e do Reuters, AFP.