Quem tem medo da História?, pergunta Karnal sobre veto de Bolsonaro a regulamentação da profissão de Historiador


Leandro Karnal. (FOTO/ Reprodução/Facebook).


O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vetou de forma integral nesta segunda-feira, 27, o projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional que regulamentou a profissão de Historiador.

Desde 2009, quando o texto foi apresentado, que a proposta vinha sendo debatida, mas somente no início desde ano é que foi concluída e aprovada.

De acordo com o PL, o exercício da profissão de historiador é assegurado a formados no curso de História; mestres ou doutores em História; portadores de diploma de mestrado ou doutorado em programa que tenha linha de pesquisa dedicada à História; profissionais com diploma em outras áreas que tenham exercido a profissão de historiador há mais de cinco anos a partir da promulgação da lei e destaca ainda que as atribuições destes profissionais se fundamenta em magistério da disciplina; organização de informações para publicações; planejamento, implantação e direção de serviços de pesquisa histórica; assessoramento de serviços de documentação histórica; elaboração de pareceres, laudos e projetos sobre temas históricos.

Um dos mais conhecidos historiadores do Brasil, Leandro Karnal, doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP), professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e com publicações sobre o ensino de história, história da América e história das religiões, se posicionou em sua rede social sobre o veto de Bolsonaro:

Ha décadas existe a demanda para que seja regulamentada uma das mais antigas profissões do mundo: historiador. Depois de muitos debates, um projeto foi votado e aprovado. O presidente Bolsonaro vetou-o na íntegra. Argumento? "O projeto ofenderia o direito fundamental previsto na Constituição ao restringir o livre exercício profissional". O projeto não limita o interesse de qualquer pessoa em pensar ou escrever sobre história, apenas regulamenta a PROFISSÃO de historiador. Se o argumento presidencial fosse válido, devemos liberar que qualquer interessado pudesse exercer Medicina, Direito, ou Arquitetura. O contrário seria "restringir o livre exercício profissional". O argumento é uma falácia perigosa que esconde medos maiores. Queremos a profissão regulamentada. A liberdade de expressão é um valor enorme para bons historiadores. Queremos total liberdade e, também, reconhecer nossa profissão. Quem tem medo da História?

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