Maior grupo de risco da Covid-19, idosos são quase 13% da população do Ceará


Encontro de idosos em Altaneira. (FOTO/ Reprodução).

Quando surgiram os primeiros casos do novo coronavírus no Brasil, houve quem diminuísse a gravidade da doença apontando que ela só colocaria idosos em risco maior de morte. "Quem diz uma coisa dessas é porque já não tem mais amor, solidariedade", diz Verônica Souza, coordenadora da Pastoral da Pessoa Idosa da Arquidiocese de Fortaleza. "Você cuidar do idoso é cuidar da sua própria história, dos seus pais, da sua vida no futuro".

Hoje com 56 anos e os dois pais vivos - "e saudáveis, graças a Deus" -, Verônica coordena uma equipe de até 400 voluntários que visitam e acompanham 1800 idosos no Ceará. O grupo pode ser até pequeno para o universo da terceira idade do Estado, hoje com quase 1,2 milhão de pessoas acima dos 60 anos, mas recebe todo o esforço e dedicação da Pastoral: "Tudo nesse trabalho são ganhos: de cuidado, de atenção, de dignidade", diz.

Grupo de risco para o novo coronavírus - mas que não são os únicos com quadros graves da doença -, idosos são hoje 12,8% da população do Ceará. Até a noite de ontem, 12 dos 21 óbitos pela Covid-19 no Estado foram de pessoas com mais de 70 anos (57% do total). Em todo o Brasil, idosos correspondem a 14,26% da população, com 30,1 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Dados são de projeção do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).

Na Itália, país que tem chamado atenção para a grande quantidade de mortos pela Covid-19, esse mesmo segmento corresponde a quase 30% da população. Para o diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) e especialista em geriatria, João Macedo Coelho Filho, essa parcela da população já está integrada ao dia a dia do Estado, sendo inviáveis propostas por um isolamento exclusivo para idosos.

"Não adianta deixar o idoso isolado e o jovem circulando, porque ele acaba trazendo o vírus para os mais velhos", diz. João Macedo destaca que, apesar de mais difícil para os mais velhos, o isolamento social continua sendo a melhor estratégia na crise. "É mais difícil para o idoso, justamente porque muitos precisam de suporte permanente, não podem se dar ao luxo de ficar 10 dias sem contato com ninguém. Mas o caminho é esse", diz.

Na Pastoral da Pessoa Idosa, a chegada da crise já promoveu uma série de cuidados extras. "Desde o começo de março suspendemos todas as visitas, capacitações e encontros regionais. O que temos tentado fazer é não deixar de ter esse contato com o idoso, seja por teleatendimento ou outras vias, para que não deixe de ter seus direitos, ser vacinado, etc", diz Verônica. Segundo ela, cada um dos voluntários atende entre três a oito idosos.

No Lar Torres de Melo, símbolo do acolhimento da terceira idade no Ceará e onde vivem hoje cerca de 220 idosos, a rotina também foi completamente alterada pela ameaça. "Pulverizamos água sanitária desde a entrada do lar até áreas comuns, portão, muro, chão, tudo de hora em hora, tudo todo dia", diz a gerente administrativa do abrigo, Lúcia Severo. Desde os primeiros dias da crise, o lar já fez restrições rigorosas de entrada de visitantes e saída de moradores.

"O mais difícil é controlar os idosos que gostam de sair. No início era mais complicado, mas agora muitos já percebem que é melhor ficar lá quietinho", diz Lúcia. Ela conta que, por conta de um convênio com a Prefeitura, o abrigo tem conseguido se manter diante da crise, mas há carência de Equipamentos de Proteção Individual.
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Com informações do O Povo.

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