O que Odorico Paraguaçu e Bolsonaro tem em comum?


À esquerda, Paulo Gracindo que viveu Odorico. (FOTO/ Reprodução/ Na Telinha).
À direita, Bolsonaro. (FOTO/ Adriano Machado). Montagem/ Blog Negro Nicolau).

Texto: Nicolau Neto

O dramaturgo brasileiro Dias Gomes criou um personagem fictício de grande sucesso da dramaturgia. Talvez ele não imaginasse que mais de quatro décadas depois o Odorico Paraguaçu, da cidade de Sucupira, viesse a se tornar realidade.

Sua intenção foi sim realizar uma peça de teatro e uma novela que de alguma maneira retratasse a realidade brasileira. Mas jamais pensou que seu Odorico e sua Sucupira se transformariam numa realidade nua e crua.

Mas vou lembrar as características do Odorico que foi eleito prefeito pelo povo de Sucupira. Defendia o que não fazia. Discursava o que não vivia. Valores tradicionais era a sua tônica. Foi eleito com a promessa de criar o cemitério da cidade. Era corruto, demogago e não possuia moral. Dono de um discurso sem argumentação, as vezes inventava frases e as atribuía a alguém.

Odorico também não gostava da palavra autonomia, a não ser que fosse única e exclusivamente a sua. Entrava em conflito com a imprensa que em Sucupira era representada pelo jornal “A Trombeta”. Criticava a polícia, contestava o médico da cidade e fazia alianças com um criminoso para se dar bem politicamente.

E Bolsonaro? E o Brasil?. Poderia começar dizendo que ele foi eleito com a promessa de acabar com a corrupção, mesmo tendo a maior parte de sua vida dedicada a política e nada de significativo feito. Tem também um discurso vazio. Defende o que não faz. Discursa o que não vive. A todo momento coloca em xeque a autonomia dos poderes constituídos, das instituições. Conflitos com a imprensa? Tem. Atrito com a PF. Tem. Desavença com a medicina? Também. 

Se fosse fazer uma comparação teria o seguinte cenário:

Jornal “A Trombeta” – Globo e Folha de São Paulo.

Delegada Donana Medrado – Sérgio Moro e Valeixo.

Médico Juarez Leão – Todos aqueles que defendem hoje o isolamento social e o uso correto de máscaras para conter a Covid-19.

Alianças com Zeca Diabo – Todas aquelas feitas por ele até agora para permanecer no poder, inclusive as mais recentes (centrão).

A única diferença entre Odorico, de Sucupira, e Bolsonaro é que o primeiro era ficção.

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