Professores e estudantes de Altaneira debatem Revolta da Vacina e refletem momento atual do Brasil em videoconferência


Professores e estudantes de Altaneira debatem Revolta Vacina e refletem momento atual do Brasil em videoconferência. (FOTO/ Reprodução/ Google Meet).

Texto: Nicolau Neto

Na manhã desta sexta-feira, 29, professores e estudantes de Altaneira, se reuniram de forma virtual no formato videoconferência para debaterem a Revolta da Vacina a partir do capítulo IV “Cidadãos Ativos: a Revolta da Vacina”, do livro “Os Bestializados. O Rio de Janeiro e a república que não foi”, do historiador Brasileiro José Murilo de Carvalho.

O encontro reuniu o Clube de História da Escola de Ensino Médio Santa Tereza, única do Estado no município. Segundo o professor de História e Sociologia, Vinícius Freire, “a ideia de discutir a Revolta da Vacina, se deu devido ao momento de pandemia que enfrentamos, para que através da discussão os participantes pudessem contextualizar o fato ocorrido ainda no início do século XX, com nossa realidade atual” que congregou na videoconferência realizada através do Hangouts Meet, uma plataforma da Google estudantes da instituição e os professores de História Luís Junior, José Evantuil, o coordenador escolar Reginaldo Venâncio, além de Vinícius. Este professor e blogueiro foi o convidado para o momento.

Destaquei a importância de contextualizar a Revolta e a necessidade de fazer uma ponte entre o Brasil do início do século XX com o atual momento de crises que o Brasil atravessa, como esta associada a saúde pública ocasiona principalmente pela pandemia do novo coronavuris (a Covid-19). Comecei desenhando um panorama do período, a república nascente, o espírito monarquista que ainda tinha forças na ocasião, a moralidade da época que fora utilizada para inflamar as massas e claro, a imposição da vacina sem o trabalho de conscientizar a população carioca.

Frisei, outrossim, as crises sanitárias do Rio de Janeiro nos anos 1900 e como isso foi usado para impor uma campanha de vacinação sem a menor ideia de como chegar na população sem que os agredisse moralmente ou os atingisse nos seus modos de vida. Foi uma campanha autoritária que gerou consequências drásticas aos moradores, como, por exemplo, invasão de residências e muitas demolidas, fazendo que as camadas mais pobres fossem obrigadas mudar para outros espaços, favorecendo a construção de favelas.

Por fim, fiz uma ponte entre o Brasil do início do Século XX e o momento atual, onde em uma das maiores pandemias do século XX que já ceivou várias vidas, o presidente Bolsonaro não apresentou nenhum plano efetivo e concreto de combate a ela. Ao contrário, inflama parte da população com discursos vazios e que vão contra todas as medidas que são defendidas pela OMS como eficazes neste momento em que não se tem vacina ou remédio. Não menos importante, afirmei que o presidente está com uma campanha de uso da cloroquina no combate a Covid-19. Esta campanha, assim como aquela do início do século passado é autoritária e com um agravante, não tem nenhum respaldo científico, descredenciando um trabalho que envolve cientistas e pesquisadores/as do mundo.

Já o professor Luis Júnior falou sobre os dois aspectos da revolta presentes no livro, vindo a destacar quem eram os evolvidos na revolta e a justificativa desta. Frisou ainda sobre como as massas são utilizadas pelos poderosos e como a mídia influencia na opinião pública.Aalém disso, o professor salientou como uma população na qual apenas 20% tinha direitos políticos garantidos por lei, era muito mais participativa na luta pelos seus direitos do que o público atual.

O professor e coordenador Reginaldo Venâncio pediu para que o debate também desse um enfoque no papel da mídia nesse contexto. Esta tarefa coube ao professor Vinicius Freire que começou citando um parágrafo do texto no qual os jornais da época chamavam os revoltosos de “indivíduos desclassificados e facínoras” e como o Prefeito do Rio de Janeiro no período tentava embelezar a capital com medidas de saneamento e com leis que proibiam determinados comportamentos das pessoas, movimento que foi conhecido como Bélle Époque.

O Professor José Evantuil reforçou as falas dos demais professores e ressaltou a problematização do tema com a atualidade.

Segundo Vinícius, ficou acertado entre os participantes uma nova reunião para a próxima quinta-feira (04/06) para aprofundar as discussões sobre a temática e sobre o referido texto.

Abaixo deixo o link de vídeo publicado em minha conta no YouTube onde resenhei o que falei no encontro.

            

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