132 anos de abolição: A luta pela nossa liberdade continua…


(FOTO/ Daniel Arroyo/ Ponte Jornalismo).

13 de maio de 2020, hoje faz 132 anos da abolição da escravidão no Brasil, mas, afinal, que tipo de “Liberdade” conquistamos? Como usufruir esta tal liberdade em meio a tanta desigualdade social:

Somos a principal força de trabalho 54,9% e mesmo assim 64,2% estão desempregados (depois desta pandemia, este número irá aumentar). 47,3% das pessoas ocupadas que se declaram pretos e pardos estão em trabalhos informais, sem garantia dos seus direitos trabalhistas (IBGE, 2018).

As taxas de pobreza e de pobreza extrema são maiores entre a população negra, respectivamente: 32,9% e 8,8%.  A taxa de analfabetismo entre negros de 15 anos é mais que o dobro em comparação a de jovens brancos da mesma idade. Na região Norte e Nordeste este dado é ainda mais alarmante.

Negros e negras são as maiores vítimas de homicídios no Brasil. Nós mulheres negras somos as vítimas mais recorrentes de homicídios. 61% das mulheres que sofreram feminicídio no Brasil eram negras. Nas penitenciarias, somos maioria com 64% de jovens negros, pobres e de baixa escolaridade (Infopen, 2016).

Quando se fala de representatividade em cargos públicos de poder, os números caem desenfreadamente. Na política, somos minoria no Poder Legislativo, apenas 24,4% dos deputados federais e 28,9% dos deputados estaduais eleitos em 2018 eram negros. E para as mulheres os dados não são nada animadores, dos 513 parlamentares, apenas 10 eram mulheres negras. No Judiciário a diferença é gritante, somente 1,4% dos magistrados são pretos.

No ensino superior temos ocupado mais espaços, é notório certo aumento nas matrículas das instituições públicas de ensino superior, mas ainda somos minoria nos cursos de maior prestígio social como direito e medicina (IBGE, 2018). Boa parte dessas estatísticas já foram bem piores, mas não cansaremos de lutar por mais oportunidades e reconhecimento social, afinal “a liberdade é uma luta constante” como diz, Angela Davis.

Texto de Eliete Mota Ferreira, mestre em História pela Universidade Estadual da Bahia-UNEB e atua como Educadora social no município de Riachão do Jacuípe-BA.

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Publicado originalmente no Geledés.

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