Aproximação de Bolsonaro com Centrão mostra isolamento do presidente


Aproximação de Bolsonaro com o Centrão mostra isolamento do presidente. (FOTO/ Carolina Antunes/PR).

A reaproximação de Jair Bolsonaro com os integrantes do Centrão, bloco parlamentar que ele integrou ao longo dos 27 anos como deputado federal, diz muito sobre a situação do presidente da República. Minado pelas crises que ele próprio criou, vendo os pedidos de impeachment se multiplicarem no Congresso, o chefe do governo acabou obrigado a buscar uma base parlamentar para chamar de sua, pressionado por uma crise sanitária mundial que provocará um número imprevisível de mortes e arrasará a economia.

Cada vez mais isolado, Bolsonaro está disposto a entregar aos novos aliados o controle de um orçamento de bilhões de reais, com a oferta de cargos em importantes órgãos públicos. O futuro, porém, parece obscuro, pois os movimentos indicam que o presidente sairá ainda mais desgastado da pandemia. O casamento com os antigos colegas deve ser tórrido, mas curto. As negociações do Planalto com o Centrão envolvem o PP, o PL, o Republicanos, o PRB, o PSD e o PTB. Os cerca de 200 votos do bloco parlamentar estão bem acima dos 172 necessários para evitar a abertura de um processo de impedimento do chefe do Executivo.

O preço do Centrão é traduzido em números por um levantamento da ONG Contas Abertas. A pesquisa indica, por exemplo, que a cereja do bolo que celebrará a relação será o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), ligado ao Ministério da Infraestrutura, que tem, disponível para investimentos em 2020, um montante de R$ 6,9 bilhões. O glacê é o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, do MEC, que terá, para investimentos, R$ 1,8 bilhão. As demais camadas são a Fundação Nacional da Saúde (Funasa), com R$ 831,4 milhões, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), com R$ 727 milhões, e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), com capacidade de investimentos de R$ 265 milhões.
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Com informações do Correio Braziliense.

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