As Brincadeiras Africanas de Weza

 

(FOTO/ Divulgação).

Ao longo de nossa experiência com crianças e adultos nascidos em um país que vivenciou a experiência colonial, somos diariamente bombardeados por imagens depreciativas acerca do continente africano. Anos atrás estivemos na escola pública para dialogar sobre resistências ao colonialismo em Angola. Antes de iniciarmos, perguntamos aos alunos o que vinha à mente quando eles ouviam a palavra “África”. Para nossa surpresa, eles disseram palavras soltas como “pobreza”, “miséria”, “Aids”, “selva”, “safari”, “leão”, “fome” e “escravidão”.

Observamos que, para aquelas crianças, a África havia sido apresentada circunscrita a um espaço homogêneo, estereotipado, relegado ao desprezo. Chinua Achebe, no livro “A criação de uma criança sobre o protetorado britânico”, aponta que as imagens depreciativas a respeito da África não têm origem somente na ignorância, como muitas vezes somos levados a pensar. Para o intelectual, trata-se de uma invenção deliberada, concebida para facilitar o tráfico transatlântico de escravizados e também a colonização. Nos dias de hoje, essas imagens contribuem para a naturalização do processo de escravização que marca nossa história e apaga as narrativas de complexidade social e resistência. Além de impedir que o Brasil reconheça e assuma sua africanidade como parte genuína de sua formação.

Diante desse cenário, surge o livro “As Brincadeiras Africanas de Weza” idealizado e executado pelo Coletivo Luderê Afro Lúdico, escrito por uma de suas integrantes, Sheila Perina de Souza, ilustrado por Whitney Machado e publicado pela editora Kitembo. Ele é fruto do projeto “Ludicidade e Africanidades: Espaço Afro Lúdico para Crianças”, fomentado pelo Programa de Valorização Cultural Cidade de São Paulo (VAI).

O livro busca presentear as crianças com um novo olhar sobre alguns países do continente africano, diferente do olhar estigmatizante hegemônico presente na sociedade brasileira. Um olhar de quem vai à África em busca de sua ancestralidade,  conectado com sua afro-brasilidade, característica inerente a sociedade brasileira.

No livro, a personagem principal chama-se Weza, na língua kimbundo falada em Angola significa aquela que veio/voltou. Weza é uma menina reluzente de pele escura e cabelo crespo curtinho, juntamente com suas duas mães, seu irmão e com ajuda de seu caderno afrolúdico, ela relembra e ensina as brincadeiras que aprendeu em suas viagens por Angola, Moçambique, África do Sul e República Democrática do Congo. Weza também compartilha palavras e expressões do português angolano e moçambicano e de outras línguas africanas, bem como aspectos das tradições culturais dos países visitados.

Convidamos a todos para ingressar nesta aventura de Weza conosco!

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Lucas Matheus Pereira Cruvinel – psicólogo, mestre em Psicologia Social pela PUC-SP e membro do coletivo Luderê Afrolúdico

Sheila Perina de Souza- pedagoga, Doutoranda em Educação pela USP e membro do Coletivo Luderê Afroludico.

Thais Cristina Porfirio Rodrigues –  Psicóloga e Educadora Social, pós-graduanda em Psicopatologia e Saúde Pública pela FCMSCSP e membro do Coletivo Luderê AfroLúdico

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Publicado originalmente no Geledés.

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