Rejeição a Bolsonaro dispara: ‘Ele não governa, opera com base no caos’

 

Com apenas 23% de aprovação, a pesquisa mostra que o governo está apenas com o apoio do núcleo duro de bolsonaristas, analisa o cientista político. (FOTO/ Marcos Corrêa/PR).


A pesquisa do instituto Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec), divulgada na última quinta-feira (24), aponta o presidente Jair Bolsonaro com uma rejeição de 62%. Ele seria derrotado no primeiro turno das eleições presidenciais de 2022. O derretimento de Bolsonaro, na avaliação do cientista político Claudio Couto, mostra que o modus operandi do governo federal, baseado no caos, não é aceito.

Com uma das piores gestões sobre a pandemia de covid-19 no mundo, Bolsonaro é desaprovado por 66% da população. Além disso, 50% dos brasileiros acham o governo ruim/péssimo. Já o percentual dos que dizem que o governo Bolsonaro é ótimo/bom caiu de 31% para 23%. “É uma queda consistente na avaliação do presidente. A avaliação de ruim e péssimo subiu 11% e isso foi uma migração de quem o achava regular. Ou seja, não há uma avaliação intermediária, mas uma piora na percepção”, avaliou Couto, em entrevista à Rádio Brasil Atual.

Com apenas 23% de aprovação, a pesquisa mostra que o governo está apenas com o apoio do núcleo duro de bolsonaristas, analisa o cientista político. “Ele não governa, ele opera com base no caos. Ou seja, meio milhão de brasileiros morreram, a economia não andou, as políticas públicas foram devastadas e não sobra país”, criticou Claudio.

Eleições de 2022

A mesma pesquisa do Ipec coloca o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva superando Bolsonaro em 26 pontos percentuais e estaria próximo de vencer em primeiro turno se as eleições presidenciais fossem hoje. Lula lidera a preferência do eleitorado com 49%, enquanto Bolsonaro aparece com 23%.

Claudio Couto diz que a margem é “surpreendente”. “Ainda tem 16 meses para a eleição, mas se fosse hoje, Lula venceria no primeiro turno. Até pouco tempo atrás, Bolsonaro aparecia como vitorioso em segundo turno, mas ele tem sofrido um desgaste grande. Com a investigação da CPI e a corrupção na compra da Covaxin, tendemos a ter um desgaste ainda maior”, afirmou.

Os demais nomes tidos como potenciais candidatos não ultrapassam dois dígitos. Por exemplo, Ciro Gomes (PDT), teria 7%; João Doria (PSDB), 5%; e o ex- ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), com 3%. Na análise do cientista político, a única chance de presidenciáveis que se colocam na “terceira via” é a partir de um impeachment de Bolsonaro.

Apesar da rejeição, Bolsonaro ainda resiste nos 23% do eleitorado, e a única chance que esses candidatos têm é se tirar Bolsonaro do jogo. Ontem, saiu uma matéria que estaria se construindo uma aliança de empresários e políticos de direita pelo impeachment do Bolsonaro, pois abriria espaço para a terceira via. Vimos indagações de que só havia esquerda nas manifestações contra o presidente, enquanto a centro-direita não organizou nenhum ato próprio contra Bolsonaro. Eles não estão se mexendo, diante disso fica mais difícil criar uma candidatura de terceira via”, aponta Claudio Couto.

A consulta foi feita presencialmente, com 2.002 eleitores, em 141 municípios, entre 17 e 21 de junho. Antes, portanto, de estourar o escândalo da compra superfaturada em mais de 1.000% da vacina indiana Covaxin, que será debatida hoje na CPI da Covid.

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Com informações da RBA.


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