Tomando o cuidado com a desinformação formada e diplomada

 

Professor Henrique Cunha Junior. (FOTO/ Danny Abensur).

Por Henrique Cunha Junior*

Vivemos num mundo de aparente muita informação, no entanto é desinformado. Estamos em universidades que refletem a opinião de uma mínima minoria da sociedade e orientada e controlada por outra minoria ávida de poder, econômico, cultural, social e político e utiliza as universidades a formação e informação universitária para sua estrutura de poder. Minoria que sempre proclama a democracia do conhecimento científico e, no entanto não democratiza em nada nem as bibliografias, os temas de pesquisa e principalmente os atores e autores das pesquisas. Minoria que é regida pelo pensamento ocidental eurocêntrico, em escala global, branconcentrico em escala brasileira e sulistas em escala regionais. Controle que mesmo o que é lido e estudado nos grupos ditos revolucionários, anti colonialistas, e anti sexistas, não passam de leituras e estudos de um novo eurocentrismo e de um novo sul – sul controlado com as mesmas bases dos grupos hegemônicos passados e disputando as mesmas hegemonias, com um novo detalhe, falando sobre as populações negras e as mulheres negras, apenas em discursos em nenhuma pratica efetiva. A maioria da humanidade se encontra no hemisfério norte, o sul-sul é um pensamento despreparado da geografia, ao sul do equador esta apenas metade da America do Sul, metade da África e a Oceania. Muitos dos autores e atores do sul-sul são homens brancos e morando ao norte do equador e propondo uma postura desinformada da realidade da humanidade, postura de mascara progressista, sedutora, de palavras bem articuladas e de práticas nada renovadoras e em nada democráticas e devendo partidos políticos pouco interessados concretamente pela realidade da população negra. Grupos desinteressados que nos da população negra gostaríamos mesmo assim de negociar uma real mudança, que seria bom para todos e, no entanto reduziria o poder que criou outra hegemonia dentro da hegemonia eurocêntrica e brancocentrica. Branconcentrica no Brasil que fala de mestiçagem, que diz da construção das três raças, mas que conserva e protege em torno de si todos os privilégios e faz discursos que não pratica nem em casa. Tratam as domesticas da casa como da família sem fazerem estas parte da herança e dos planos de saúde, como dos  benefícios gerais da família. Muitos da democracia discursiva não leram mais dois autores negros. Não colocaram nas suas disciplinas temas de interesse da população negra. Não perguntaram para o movimento social negro quais são os interesses a serem renovados.

A informação hegemônica eurocêntrica ela ocorre da direita e da esquerda. O marxismo europeu é eurocêntrico e também hegemônico. Raciocina partindo da Europa, como modelo, e não olha nem mesmo a realidade da Europa, nas diferenças entre localidade pobres e atrasadas em relação às desenvolvidas. 

África, Ásia e Américas negras produziram enormes e renovados campos de conhecimento que a Europa ainda não considerou e nem tem conhecimento. Sendo que o conjunto desses campos ultrapassou o conhecimento europeu e os europeus sabem disso, mas os brancocentricos brasileiros não perceberam isto. Eles nem detém conhecimento e muito menos preparo cientifico para entender esses conhecimentos. Ou seja, as universidades eurocentricas e brancocentricas formam pessoas desinformadas da realidade da maioria da humanidade e pensam que sabem alguma coisa, e mantêm a arrogância em impor esses conhecimentos como o conhecimento na sua totalidade. Os seres negros universitários precisam tomar ciências e cuidado com estes fatores para não entrarem em novas ondas que continuam mantendo velhas hegemonias sobre novas mascaras e transformando os conhecimentos das populações negras em apenas mascaras negras com conteúdos da filosofia eurocêntrica. 

Mais ainda sofrendo do mal da desinformação diplomada europeia e brasileira que não sabe nada sobre a África e sobre as nossas culturas e transforma os seus doutos desconhecimentos nas inexistências. Ah,  mais não há nada sobre isto. Há demais apenas você cara pálida que não sabe. 

Mais ainda mesmo não tendo nenhum autor que fale, ainda assim mesmo é conhecimento que utilizamos para viver, ser e conhecer as nossas afroexistências. Existo porque existo e não porque está escrito e muito menos porque penso.

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* Pesquisador e professor titular da Universidade Federal do Ceará (UFC).

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