Mulheres do cariri denunciam falta de transporte público e se levantam contra feminicídio e racismo


Mulheres do cariri denunciam falta de transporte público e se levantam contra feminicídio e racismo.
(FOTO/ Divulgação).

Texto: Nicolau Neto

Movimentos de mulheres e centrais sindicais preparam atos por todo o Brasil contra o presidente Jair Bolsonaro em referência ao Dia Internacional da Mulher. Na região do cariri cearense, o Crato sediou nesta manhã, em frente à prefeitura, uma manifestação que foi pensada e organizada pelo grupo impulsionador do 8 de Março Cariri. “Pela Vida das Mulheres: Contra o Racismo, o Machismo, a LGBTFobia e o Fascismo” foi a temática central.

O evento contou com várias formas de denúncias, dentre elas uma performance teatral visando relembrar as mulheres vítimas de feminicídio, violência doméstica, assédio, LGBTfobia, conforme destacou a professora e sindicalista do município de Santana do Cariri, Eliane Brilhante.

Uma das falas mais emblemáticas foi da ativista do Grupo de Valorização Negra do Cariri (Grunec), Valéria Carvalho. Ela destacou “pais e mães de alunos de escolas públicas do Crato estão adoecidas com a falta de transporte escolar”. Mas ela não parou por aí. “Estamos sem médicos, sem medicamentos e sem terapia no Capes. Porque quem fica preocupado em casa vai precisar de uma assistência”, mencionou. “Cadê a assistência? ”, indagou ela. Valéria conclamou a união de todas para buscarem o transporte escolar gratuito e com segurança.

Hoje colocar uma criança ou uma adolescente no transporte escolar... veja se seu plano funerário está em dia porque é correr risco de morrer cotidianamente. Senhor prefeito é isso que estou dizendo todo dia, assim como várias mães que moram na zona rural”, relatou Valéria.

Segundo Maria Raiane, estudante do curso de ciências sociais da Universidade Regional do Cariri (URCA) e ativista pelo Grunec, o ato “teria mais adesão se fosse nos dias da semana, sobretudo, para garantir participação das mulheres quilombolas e mulheres do campo”. Ela frisa também que para além das pautas locais, outras de nível estadual e nacional foram tocadas. Cita que “já passa de vinte casos de feminicídios no Estado do Ceará”.

Raiane destaca ainda que as mulheres estavam em peso, sobretudo, as “mulheres negras do campo, mulheres quilombolas, sindicalistas, mães, domésticas, professoras, trans e lbtps”.

O racismo, a discriminação e o preconceito, o caso ainda sem solução da vereadora pelo PSOL carioca Marielle Franco, morta, e a política de segregação do governo federal foram temas de falas e exposição de cartazes.

Denunciamos sem pedir segredo, esse governo que faz descaso com a vida da juventude negra desse país, gritando que a ditadura militar não acabou, pois, a nossa polícia é militarizada e responsável pelo extermínio dessa juventude. Fomos a rua pedir justiça por Mariele e dizer o quanto ela nos faz falta”, destacou Raiane.

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