A mulher na luta pela igualdade de direitos, por Fátima Teles


Fátima Teles é escritora, professora, poeta e colunista do Blog Negro Nicolau.


As sociedades da antiguidade não interpretavam ou organizavam as relações entre homens e mulheres de forma igual. Da mesma forma que havia sociedades poligâmicas onde o homem tinha muitas esposas, haviam as sociedades poliândricas onde a mulher tinha vários esposos. A Ásia é um exemplo dessas duas sociedades.

As diferenças sexuais entre homens e mulheres serviram de base para muitas sociedades organizarem a divisão sexual do trabalho, dividindo as atribuições em trabalho masculino e trabalho feminino. Aos homens cabiam as atividades produtivas da esfera pública e as mulheres ficavam reservadas as atividades da esfera privada, o cuidado com a família, a reprodução ou procriação e o trabalho doméstico. Posição considerada subalterna e desigual.

Essas práticas e representações criadas pela sociedade terminaram por desencadear uma relação de poder entre homens e mulheres, trazendo como consequência a opressão masculina e a submissão feminina, servindo como modelo padrão dominante da relação entre os dois gêneros, o patriarcalismo, onde o homem era o chefe e detentor do poder familiar.

Segundo Silveira, Outras associações vinculadas ao sexo foram sendo elaboradas: atribuiu-se aos homens a racionalidade, o pensamento lógico, o cálculo; às mulheres, a afetividade, as emoções, a intuição. As representações/interpretações dos atributos femininos estavam diretamente articuladas com a procriação e a maternidade.

As formas de viver e pensar o masculino e o feminino tiveram consequências concretas: reforçavam a estrutura familiar patriarcal e serviram de justificativa para ações no sentido de acentuar os papéis sociais atribuídos a homens e mulheres. Assim, deram margem, por exemplo, a uma educação diferenciada para meninos e meninas, no sentido de reprodução daqueles papéis sociais distintos, a exemplo de brincadeiras caracterizadas como masculinas e brincadeiras caracterizadas como femininas. Menina não podia jogar bola, tinha que brincar de boneca. Incentivou-se a prática de esportes diferenciados entre os dois gêneros: imagine pensar em mulher jogando futebol, algumas décadas atrás! Nas escolas de 1º e 2º graus, como eram chamadas até a LDB de 1996, era ministrada para as meninas uma disciplina chamada Educação Doméstica, ou Trabalhos Manuais (bordados por exemplo), preparando-as, assim, para o casamento, a maternidade, o cuidado com a família. No mercado de trabalho, determinadas profissões eram consideradas masculinas; outras, femininas, a exemplo do magistério, que, aos poucos, foi se feminizando, isto é, considerado próprio às mulheres.

A luta pela emancipação da mulher remonta do século XVIII e XIX.  Em 1791 foi elaborada a declaração dos Direitos das mulheres e das cidadãs por Olympe de Gouges como forma de chamar atenção diante da promulgação da declaração dos Direitos do homem de do cidadão de 1789 que embora trouxesse ideais de liberdade não abordava a igualdade entre homens e mulheres.

Outra mulher se destacou nesse período junto a francesa Olympe de Gouges, a escritora inglesa Mary Wollstonecrafte escreveu um livro reivindicando uma educação igual para os dois gêneros.

Com a Revolução industrial no final do século XVIII a mulher iniciou a sua inserção no mundo do trabalho e da produção, mas ainda submetida a exploração de toda ordem e assédio moral e sexual por parte de seus patrões.

Nos Estados Unidos, em New York, no dia 08 de Março de 1857, houve uma greve numa fábrica de tecidos realizada pelas operárias que reivindicavam igualdade de salários, uma vez que as mulheres ganhavam menos do que os homens. Elas reivindicavam também a diminuição da jornada de trabalho já que trabalhavam 16 horas diárias e tratamento com dignidade no espaço de trabalho. Seus patrões reagiram trancafiando-as na fábrica e tocando fogo na mesma com as operárias dentro, vindo a morrer incendiadas 130 tecelãs. Foram assassinadas.

O fato teve repercussão e a organização das Nações Unidas ,ONU, no ano de 1975 estabeleceu o dia 8 de março como o dia internacional da mulher.

Bertha Lutz , feminista brasileira, contribuiu para a implantação do feminismo no Brasil  através da fundação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, em 1922, que buscava lutar pelos Direitos da mulher.

Entramos  no Século XXI e a luta continua em busca de uma sociedade que reconheça a igualdade de gêneros. A educação pela igualdade será efetivada a partir da educação de casa quando os pais exercerem também a cidadania com seus filhos orientando-os para quem compreendam que homens e mulheres são seres humanos e por isso tem direitos, deveres e oportunidades iguais.

A igualdade de gêneros é considerada uma das bases para construir uma sociedade com menos preconceito e discriminação. "A igualdade de gêneros é fundamental para as sociedades democráticas e igualitárias. Muita coisa mudou desde a década de 1970, quando as mulheres entraram massivamente para o mercado de trabalho, mas ainda existem muitas disparidades. Por exemplo, as estatísticas nos mostram que as mulheres ainda têm salários menores que os dos homens e ganham 70% do que eles ganham, em média", afirmação feita por Eleonora Menicucci, ex- ministra-chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.

A luta continua! Vamos lá fazer o que será!

Artigos usados como referências:



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Fátima Teles é poeta, escritora com cerca de 5 obras, professora formadora com atuação na Secretaria Municipal de Educação de Brejo Santo, membra da Academia de Letras do Brasil/Seccção Ceará, Instituto Cultural do Cariri (ICC), Instituto Cultural do Vale Caririense ICVC e da Academia Internacional da União Cultural.

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