Ex-presidentes da Fundação Palmares afirmam que atual gestão está voltada para desmonte

 

Ex-presidentes da Fundação Palmares, Carlos Moura e Zulu Araújo lamentam atitudes da atual gestão, apontando diversionismo e autoritarismo (FOTO/ Reprodução)

Por Nicolau Neto, editor

Como se não bastasse à retirada de ícones da luta antirracista no Brasil e da promoção da história e cultura negra da lista de personalidades da Fundação Cultural Palmares (FCP), o atual presidente, Sérgio Camargo, promoveu mais uma ação que descaracteriza por completo o objetivo da entidade. Camargo resolveu excluir do acervo por “teor marxista”, “perversão”, dentre “incômodos”, obras da Fundação.

Incômodo mesmo foi atitude do Sérgio Camargo gerou em Carlos Moura e Zulu Araújo, dois ex-presidentes da FCP. Segundo a RBA, eles classificaram as ações do atual gestor como obscurantista, além desviar a atenção para um incessante processo de “desmonte” da instituição, criada em 1988 (Lei 7.668).

Um relatório divulgado pela Palmares permitiu perceber que fato houve um “desvio da missão” da fundação, pois há na lista obras de autores considerados insuspeitos de Marxismo, a exemplo de Celso Furtado, Maria da Conceição Tavares e até o folclorista Câmara Cascudo. Existe ainda, como apontou a entidade má conservação, porém, os autores enquadrados neste item não estão na lista do “desvio institucional”.

O advogado Carlos Moura, primeiro presidente da FCP, destacou que a criação da Palmares levou mais de duas décadas e que foi fruto de reivindicação, principalmente na década de 70. “Foi a concretização de um sonho do movimento negro, na perspectiva de se ter no organograma do Estado brasileiro um órgão destinado a preservação da cultura afro-brasileira”, disse ele ao passo que lamentou o desmonte que vem ocorrendo.

Já Zulu Camargo, trouxe a lume o objetivo da Fundação que é “preservar, valorizar e difundir as manifestações de origem negra, no sentido de promover a inclusão do negro na sociedade brasileira”. Para ele, a exclusão de livros não corrobora para o acesso a informação e que a atitude “revela intolerância, em grande medida uma estupidez e uma tentativa de censurar o conhecimento.”

Os ex-dirigentes criticaram e apontaram ainda a tentativa de esvaziamento da entidade em suas funções.

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