Câmara de Altaneira aprova Comenda João Zuba


Plenário da Câmara de Altaneira por ocasião da aprovação da Comenda João Zuba.
(FOTO/Felipe Lima).

Texto: Nicolau Neto

A Câmara de Altaneira aprovou na manhã desta quarta-feira, 30/10, em sessão ordinária, o Projeto de Lei nº 003/2019 de autoria das vereadoras Zuleide Oliveira (PSDB), Silvânia Andrade (PT) e Alice Gonçalves (PRP) que cria Comenda João Zuba.

Embora a autoria seja atribuída as três parlamentares, o projeto foi apresentado no último dia 16 e defendido hoje por Zuleide Oliveira. A comenda visa condecorar pessoas físicas que tenham prestado ou prestem importantes serviços em prol do desenvolvimento da cultura popular do município.

De acordo com o texto, a comenda - de iniciativa do legislativo - deve vir amparada de justificativa e documentos comprobatórios do mérito do ou da possível agraciado/a, para fins de sua submissão à aprovação em plenário da casa legislativa e está de acordo com os “princípios e diretrizes dos Sistemas Estadual e Nacional da Cultura”. Os agraciados e as agraciadas deverão “diferenciar-se por sua atuação no âmbito da cultura popular” e, ou, “ser autor ou autora de trabalho de reconhecimento municipal ou regional no âmbito da cultura popular que a divulgue/preserve”.

A entrega da medalha será feita pelo Poder Legislativo, em evento aberto ao público, a ser realizado, preferencialmente, no dia 05 de junho de cada ano (data de nascimento de João Zuba), após divulgação no sítio eletrônico da casa e nos demais veículos de comunicação, conforme preceitua o Art. 5º do PL.

Além de Zuleide e Silvânia, a importância da comenda foi destacada também pelos parlamentares Antônio Leire (PDT), Devaldo Nogueira (MDB), Flávio Correia (SDD) e Adeilton Silva (PSD). Elas e eles ressaltaram a relevância cultural de João Zuba para o município, destacando ainda a simplicidade dele. O texto foi aprovado sem objeções. 

Quem foi João Zuba

João Sabino Dantas foi um homem simples. Agricultor por profissão, mestre da cultura por paixão. Foi um exímio exemplo de esposo e pai. Passou boa parte de sua vida construindo cacimbas, quando as águas do açude pajéu ainda não eram realidade nas residências dos munícipes.

Mas ninguém conhecia João Sabino Dantas pelo nome de batismo. Todos o conheciam e ele passou para a história do município como “João Zuba”. Poucos o conheciam pela sua arte em fazer cacimba. Embora esta tenha sido um dos prazeres em sua vida. Seu João Zuba figurou no imaginário popular como o tocador de pífano, um instrumento tradicional da região nordeste do país. Mas ele não só tocava. Era ele quem confeccionava seu próprio instrumento. Foi do pífano que se originou uma das Bandas Cabaçais no município sob a sua liderança.

João Zuba. (FOTO/Heloísa Bitu).

Seu João Zuba, ou Mestre João Zuba não tinha erudição, mas sobrou conhecimento adquirido nas vivências, vindo a transmitir a cultura do pífano. Ele abriu espaços para aprendizes do ramo da música - sanfoneiros, violeiros e cantores semiprofissionais – como o cantor Sebastião Amorim (conhecido popularmente por Charles Tocador) - que até então não eram visibilizados.

Sob a égide cultural dos sons do pífano e da zabumba que tão bem marcou seu João Zuba, uma geração de jovens decidiu criar a primeira Banda de Pífano no município, se constituindo, pois, como uma ferramenta importante para manter viva a tradição da Banda Cabaçal.

Nos últimos anos a saúde do mestre já vinha debilitada e suas apresentações que já não eram tão vistas, ficaram comprometidas por completo. Antes de sair de cena, ele tinha participado em fevereiro de 2012 da III Conferência Municipal de Cultura na execução do Hino de Altaneira, do XII Festival Junino desta municipalidade em junho do mesmo ano, onde a Banda Cabaçal foi homenageada pela quadrilha da Escola Joaquim Rufino de Oliveira e da Mostra Sesc Cariri em novembro de 2013, na praça Manoel Pinheiro de Almeida.

É impossível falar de cultura em Altaneira sem destacar a participação ativa e ousada do agricultor João Zuba. Além de idealizador e propagador de uma cultura inspirada no trabalho braçal, na vida simples do homem e da mulher da roça, foi um colaborador no fortalecimento do vínculo dos mais jovens com suas raízes indígenas e africanas através da música.

Nascido no sítio Coité em 05 de junho de 1945, zona rural de Assaré, mudou-se com a família para o sítio Catolé - onde trabalhou inicialmente moendo cana – o mestre João Zuba veio a falecer em 24 de fevereiro de 2017 com problemas cardíaco e de diabetes.

O Mestre da Cultura de Altaneira, João Zuba, se tornou imortal, pois o professor Nicolau Neto ao integrar a Academia de Letras do Brasil/Seccional Araripe (ALB/Araripe) o escolheu como patrono. Nicolau ocupa a cadeira 33 e no último dia 12 de outubro, em Araripe, apresentou seu trabalho de pesquisa sobre seu patrono com a temática “João Zuba: entre a moenda de cana e a construção de cacimbas, o amor pela banda cabaçal”. O trabalho entregue a Academia de Letras do Brasil/Seccional Araripe e, posteriormente disponibilizados para a Biblioteca Pública do município de Altaneira e para a família de João Zuba.

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