Um ano de pandemia de covid-19, tragédia ainda mais desastrosa para os brasileiros

 

Além do desafio da Covid-19 em si, brasileiros enfrentam o negacionismo e um a política que rejeita a ciência de Bolsonaro. (FOTO/ Arquivo / Lula Marques).

A pandemia de covid-19 completa um ano. Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS)decretou o descontrole global da doença provocada por um novo coronavírus, o Sars-Cov-2. Deste então, a infecção já soma – em números oficiais – 48,5 milhões de casos confirmados e mais de 2,6 milhões de mortos em todo o mundo. É a mais grave crise sanitária da humanidade em mais de 100 anos, depois da chamada gripe espanhola, de 1918. Entre os mais afetados está o Brasil, que coleciona uma ampla sequência de erros na condução do surto pelo governo de Jair Bolsonaro.

Na definição da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), pandemia se caracteriza pela “disseminação mundial de uma nova doença e o termo passa a ser usado quando uma epidemia, surto que afeta uma região, se espalha por diferentes continentes, com transmissão sustentada de pessoa para pessoa”. Trata-se de um surto global que revelou intensas desigualdades, especialmente em relação ao tratamento da doença no âmbito da saúde pública.

Desde o início de 2021, de maneira geral o mundo passou a reduzir o número diário de casos e mortes. A expertise acumulada neste um ano na contenção do vírus passa pela melhora nos protocolos de saúde. Eles envolvem tanto tratamentos mais eficientes como os comprovadamente eficazes isolamento social, uso de máscaras e higiene das mãos. Outro fator decisivo que aponta para o controle da pandemia foi a elaboração em tempo recorde de um grande número de vacina eficazes. Imunizantes, inclusive, que utilizam tecnologias inovadoras – como as vacinas de RNA mensageiro – e revelam um horizonte de esperança para a cura de outras doenças virais.

Pior dos mundos

Hoje, o Brasil enfrenta seu pior momento em relação à covid-19. De acordo com o balanço de ontem (10) do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), morreram 2.286 brasileiros no período equivalente a um único dia. Até agora, foram 270.656 mortes e mais de 11 milhões de infectados, sem contar a ampla e admitida subnotificação.

É o segundo país em número absoluto de mortes, atrás apenas dos Estados Unidos. Entretanto, o Brasil, nas últimas seis semanas, ostenta a posição de epicentro global da covid-19. É a nação onde mais pessoas se infectam por dia e também onde mais a infecção mata (a estimativa é que de 12% a 17% dos casos diários do mundo ocorrem em solo brasileiro).

Mais eficiente do que os números absolutos para entender a gravidade da pandemia, são as taxas de transmissão e curvas epidemiológicas médias, como explica o epidemiologista e professor emérito da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Cesar Victora. “Sabemos que o número de casos notificados subestima a magnitude da doença. As taxas de transmissão refletem uma realidade mais precisa da epidemia. Vemos um movimento de duas ondas, embora nunca tenhamos baixado próximo de zero. O restante do mundo agora vê um franco declínio de mortes enquanto o Brasil está em franca ascensão”, disse.

Tragédia naturalizada

Victora participou de debate virtual ontem promovido pelo Núcleo de Estudos Avançados (NEA) da Fiocruz. Em pauta, os avanços, dificuldades e, especialmente, os problemas do Brasil. “Atualmente, somos o número um do mundo em taxa de mortalidade e número dois do mundo em números absolutos, atrás dos EUA que estão em declínio. Aqui no Brasil, por agosto ou setembro a população decretou o fim da pandemia. Com ajuda de dirigentes mal informados ou mal intencionados. Estamos apenas 5% mais em casa do que antes da pandemia”, disse, sobre os baixos índices de isolamento no país e o descaso com a pandemia.

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