Quando o racismo é ignorado, a tendência é continuar o naturalizando. E o resultado?



Quando o racismo é ignorado, a tendência é continuar o naturalizando. E o resultado? (FOTO/ Reprodução/ Facebook).


Texto: Nicolau Neto

Não causou nenhuma surpresa a falta sensibilidade, de envolvimento e de empatia de grande parte de altaneirenses quando da publicidade de um texto e de um vídeo de autoria deste signatário e publicado nesta quarta-feira, 24, no Blog e nas redes sociais Facebook, Instagram e WhatsApp referente a representatividade negra e sobre o racismo.

A minha intenção era incitar seguidorxs e leitorxs do Blog a participarem das discussões, principalmente aqueles e aquelas que pretendem ser pré-candidatos/as e setores da mídia local. Mas, como de costume, nenhum destes opinaram sobre.

O texto que escrevi foi fruto de uma provocação lançada nas redes sociais onde questionei quais referências negras (na educação, na saúde, na cultura, na mídia, nos movimentos sociais…) você tem?”. (Leia neste link). Aqui, poucas pessoas de Altaneira opiniram. Apenas três e destes, dois não moram mais no município. Nenhum representante do povo, nenhum representante midiático (Blog e Rádio) e nenhum/a professor/a.

O vídeo que gravei foi inspirado na entrevista do professor universitário e jurista Silvio Almeida no programa Roda Viva, da TV Cultura, no último dia 22 de junho. Como disse no vídeo, duas frases do Silvio me chamaram a atenção. A primeira deles o professor diz que “racismo sempre termina na morte” e na segunda afirma que “os meios de comunicação são absolutamente coniventes com a construção do imaginário social do negro nesse lugar subalterno”. (Clique aqui e assista ao vídeo).

Concordo com o professor e penso que o racismo não será superado enquanto ficar restrito somente a comunidade negra, aos movimentos negros e aos pouquíssimxs professorxs envolvidxs com a causa. Direcionei ainda o caso para nossoas mídias locais quando perguntei quantas delas (sejam televisivas radiofônica ou aquelas que se valem da internet – como sites e blogs) tratam a questão do racismo de forma constante e sistemática.

É preciso chamar para a responsabilidade as pessoas não negras. É fundamental que essas pessoas se sintam tocadas, que tenham empatia e nos ajude a combater o racismo no país.

Disse e reitero não se pode pensar a reconstrução do Brasil (em todas as áreas) sem que se aborde de forma sistemática a questão do racismo e todas as desigualdades dele resultante. É preciso chamar pra essa responsabilidade as pessoas não negras.

A exceção no vídeo em relação ao texto foi a participação encaminhada no privado da professora e colunista do Blog, Josyanne Gomes e do professor e diretor da Escola de Ensino Médio, Paulo Robson. Josy afirmou que apenas o Blog Negro Nicolau trata a questão do racismo de maneira constante e sistemática. Já o professor Paulo chegou a perguntar quais ações que dialogam com esta pauta não podem ficar fora de um projeto de governo.

Por fim, destaco que quando o racismo e as desigualdades dele resultante são ignoradas por quem mais deferiam dar sua contribuição, a tendência e que ele continue sendo visto e tratado como “natural” e não como resultante de um processo e de um projeto histórico que excluiu e ainda exclui e o resultado é a perpetuação das desigualdades e a morte.

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1 Comentários

  1. O racismo é algo estrutural, é algo que precisa ser combatido não só por nos indivíduos mas pelas instituições e pessoas detentoras do poder (brancas), principalmente o público. Muito triste ver o descaso sobre o tema, não só a população, mas pessoas que tentam carreira na vida pública. É fundamental que alguém que se diz líder de algum lugar estar junto na luta contra o racismo, a população preta existe, e esse reparo precisa ser feito! Os discursos precisam ser mais profundos, estamos falando de algo enraizado em nossa cultura, o Brasil foi criado em cima de sofrimento de povo indígena e povo preto. É como dizia a Angela Davis,
    “Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista.”

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