Lendo histórias indefinidas

 

Por Alexandre Lucas, Colunista

Folheava as páginas do pensamento e lia histórias de amor indefinidas, acho que as páginas estão corretas, tem coisas de difícil definição, o amor é uma delas. É caminho sem fechadura e casa sem parede, é mutirão de flores e dores, é amontoado de gente que se espreme e que se esparsa, é véu que se esconde e que se enrola. Chegar a ser o que não é, às vezes o amor é isso: uma grande mentira. 

O amor nos rodeia com fogo e gelo. Ele está sempre tombando, as vezes só atravessando nossos caminhos. Fica pertinho, mais perto da cabeça do que do coração. 

A gente aprende a dar nome às coisas, mesmo as coisas indefinidas.   Passei décadas esperando e ainda espero: Eu te amo, dos maiores amores de minha vida. Mesmo sabendo que o amor está ali, próximo, apenas não sabe pronunciar como eu queria ouvir.  Ele não deixa de existir, só não diz eu te amo.

Contratos não definem o amor, apenas dividem bens, como não advogo sobre a inocência do amor, acho que o amor é criminoso, mata de felicidade, mas mata de verdade também.

Enquanto, o amor não se define, empunho bandeiras vermelhas, bebo sorrisos incendiários, choro pelas mortes dos que nunca vi, divido abraços e ouvidos, e quando tem bolo, café e sorvete, divido também. O amor parece que está na esquina dos pensamentos, a gente dá uma volta e se encontra com ele sem precisar definir nada, talvez seja isso aí mesmo, a gente está com ele e nem sabe. 

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