Projeto As Simoas traz depoimentos de mulheres pretas

 

Projeto As Simoas traz depoimentos de mulheres pretas. (FOTO/ Reprodução/ YouTube).

Por Nicolau Neto, editor-chefe

Resultado de uma grande mobilização de agentes culturais que dependiam quase que exclusivamente de trabalhos artísticos e culturais para sobrevivência, a Lei Aldir Blanc foi sancionada em junho do ano passado.

A Lei que recebeu o nome de Aldir Blanc foi sugerido pela deputada Jandira Feghali (PCdoB – RJ) em homenagem ao compositor que foi morto em maio de 2020 em virtude da Covid-19 e destinará até sua interrupção R$ 3 bilhões a estados, ao distrito federal e a municípios que deverão aplica-lo na distribuição a trabalhadores/as desta área de forma mensal para manutenção dos espaços e em outros instrumentos como editais, chamadas públicas e prêmios.

A região do cariri cearense é um celeiro cultural e de grande personalidades que sempre estiveram à margem da história e da cultura. É dentro dessa perspectiva que o Projeto “As Simoas” surge. Lançado na plataforma digital YouTube, o projeto visa lançar quatro vídeos com depoimentos de mulheres pretas contando sobre suas trajetórias e a relação que enxerga com a Preta Tia Simoa.

No Canal “Preta Tia Simoa” já há três episódios. No primeiro episódio intitulado “Resistência marcada na pele”, a professora, ativista, cientista social e educadora social Dayze Vidal conta que saiu muito criança de Bahia com destino ao Ceará até o desenvolvimento de um trabalho com jovens e mulheres com ênfase na luta e no combate ao racismo que para ela “é mais que um tema, é vida” e destaca que isso precisa ser feito para além das falácias. “Não é um antirracismo de instagram. É uma luta cotidiana”, disse.

Dayze também falou sobre ancentralidade e o seu encontro com a Simoa. Segundo ela, pensar sobre ancestralidade é pensar sobre sua avó. Ela relatou que participou de uma reunião com mulheres em Juazeiro do Norte onde discutiram sobre diversos movimentos sociais e sobre suas perspectivas enquanto mulheres negras. Nesse encontro, segundo Dayze, não ficou definido nomes e nem quem faria parte do grupo. Posteriormente uma das 13 integrantes do grupo, Karla Alves, estava realizando pesquisas para a monografia no curso de História apresentou a preta Tia Simoa. “Todas nós sentimos uma alegria muito grande em conhecer a história dessa mulher negra que teve uma importância política, social e econômica tão grande porque uma mulher negra liberta mobilizou pessoas no momento pré-abolição aqui (Ceará)”, disse ela.

Então, dá pra gente compreender a importância dessa mulher negra já que nós sabemos da história e da trajetória da pessoas negras aqui no Brasil. Nós sabemos como essas pessoas negras foram invisibilizadas e a preta Simoa chegou a mobilizar a população.  No episódio da revolta dos jangadeiros junto a seu marido José Napoleão quando os policiais, os praças na época, se mobilizaram para conter o que eles chamavam de desordem, a Tia Simoa vinha a frente de um grupo de pessoas”, descreveu Dayze.

Já no episódio 2 “Da beleza que vem de dentro”, Pérola de Oyá fala o que ela compreende por ancestralidade e destaca como o seu trabalho com estética africana se relaciona com isso. Oyá também menciona como foi conhecer Tia Simoa e a negritude no Ceará.

Carla Alves, doula em Diáspora e educadora social, no episódio 3 “A cura das águas que vem de longe” fala sobre a necessidade de educar “nosso povo” em que pese a saúde emocional e espiritual e que isso decorre principalmente porque são descendentes de povos que possuem saúde muito conectada com essa espiritualidade, com essa ancentralidade. Ela menciona, assim como as demais, a Simoa. Para Carla, a preta Tia Simoa “é uma lembrança de onde nós viemos”.

O Projeto “As Simoas” é fomentado com recursos advindo da Lei Aldir Blanc através da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará.

A direção e o roteiro é do Lucas Vidal, enquanto que a direção de fotografia fica a cargo de Rodrigo Ferreira e Paolla Martins está com a responsabilidade do som direto.

Para saber mais sobre a Preta Tia Simoa clique aqui.

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