Bolsonaro desdenha das famílias das vítimas da Covid-19 em visita ao Ceará

 

Bolsonaro desdenha das famílias das vítimas da Covid-19 em vista ao Ceará. (FOTO/ Reprodução/ O Povo).

Por Nicolau Neto, editor

O presidente desrespeitou um decreto estadual que restringe (não proíbe) a circulação de quaisquer pessoas. Desrespeitou, portanto, um chefe de Estado. Mas o pior disso tudo é que houve a complacência de alguns deputados do próprio Ceará em um desrespeito as famílias das vítimas da Covid-19.

A visita ainda contribuiu para promover aglomeração, o que é uma atitude descabida para o momento trágico pelo qual o país e de forma específica, o Ceará, está passando, com UTIs na sua capacidade máxima.

As falas do representante do Palácio do Planalto incita a divisão, a polarização e ao mesmo tempo contribui para que a população passe a descumprir todas as medidas recomendadas pelos profissionais de saúde para conter a Covid-19, dificultando a superação deste cenário catastrófico.

Percebe-se ainda, que palavras como pacto federativo e autonomia dos entes federados parece não fazer sentido na sua fala quando diz que governador que 'fechar seu Estado' bancará auxílio emergencial.

É preciso dizer o óbvio. 

O nosso sistema político é organizado e estruturado em uma federação. Por ela não há poder centralizado no governo federal. Isso significa que estados e municípios possuem governo próprio e autonomia relativa nos assuntos locais.

O pacto Federativo permite ainda que cada um dos três níveis de governo (federal, estadual e municipal) possui campos de atuação próprios. Mas isso não quer dizer que o governador seja subordinado ao presidente ou que o governador possa subordinar os prefeitos. O que existe é descentralização, divisão de poderes e de responsabilidade. E o dinheiro para bancar o auxílio não é dele (presidente), mas fruto dos impostos arrecadados por estados e municípios e repassados, parte deles, para a união.

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