Carolina Maria de Jesus ganha título de Doutora Honoris Causa da UFRJ

Carolina Maria de Jesus. (FOTO/ Acervo UH/ Folhapress).

Por Nicolau Neto, Editor

A poetisa e escritora negra Carolina Maria de Jesus, falecida em aos 62 anos em 1977, foi homenageada com o título de Doutora Honoris Causa. A ação partiu da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Aprovado por unanimidade pelo Conselho Universitário em sessão virtual nesta quinta (25), o título se configura como o mais importante concedido pela universidade, podendo ser atribuído a personalidades, nacional ou estrangeira, que tenham tido papel relevante na área da educação e da cultura, independentemente da do grau de instrução educacional.

Carolina Maria de Jesus

Carolina Maria de Jesus nasceu a 14 de Março de 1914 em Sacramento, Minas Gerais. Filha de negros que, provavelmente, migraram do Desemboque para Sacramento quando da mudança da economia da extração de ouro para as atividades agro-pecuárias.

Desde cedo foi interessada em livros e passou a fazer da sua realidade fonte para a escrita. Apoiada pelo jornalista Audálio Dantas, repórter da Folha da Noite, Carolina teve suas anotações publicadas em 1960 no livro Quarto de Despejo, Diário de Uma Favelada, que vendeu mais de cem mil exemplares em mais de 40 países e publicado em 16 idiomas.

Carolina é tema de mais de 50 teses e dissertações só nos últimos anos e continua sendo referência na luta antirracista.

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1 Comentários

  1. O nosso povo é lindo demais. Cada indivíduo tem em si uma história de vida rica de valores, que se contados todos, não haveria no mundo livros que coubessem todos.
    Quanta riqueza se esvai quando "partimos".
    A homenagem é um grande reconhecimento social à importância da vida da dona Carolina Maria de Jesus, que contemplada por olhos atentos, concederam-lhe os meios para expressar os seus valores ao mundo. Fico pensando aqui comigo, se, todos os livros escritos lhe renderam o suficiente para que sua situação social fosse amenizada o suficiente a ponto que tivesse um pouco de conforto nos seus últimos anos de vida.
    Desculpem-me pensar e reagir assim; tenho um certo estudo, entrando na terceira idade e continuo pobre financeiramente, obviamente em situação difícil.
    O que me deixa triste é que, a nossa terra, os nossos maiorais não conseguem despertar o interesse e nem esboçam nenhum empenho para mudar a realidade social e histórica, que nós, povos pretos no Brasil e neste tempo tão caótico, puxando para o "redemoinho" os povos miscigenados e envolvidos pelas mesmas misérias políticas, sociais e econômicas, nos encontramos.
    Não gostaria de contar as misérias que nos são impostas todos os dias; gostaria de contar a vida digna e próspera a que, como seres humanos, temos direito.

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