Em AmarElo – É Tudo Para Ontem, Emicida e Fióti dão aula de ficar para história – de fazer preto se orgulhar e branco pensar

 

Emicida canta AmarElo no Theatro Municipal de São Paulo em 2019 (Foto: Jef Delgado).

 O que tentamos expandir é o grande direito de existir, mano. Não resistir. Resistir já é uma resposta, então a resistência já te coloca num lugar secundário, porque você precisa responder a uma estrutura. AmarElo é um grande manifesto pelos direitos de poder existir sem precisar responder à opressão” – Emicida.

Emicida chegará em 2021 subindo em um novo patamar da música brasileira. O rapper lança, em 8 de dezembro de 2020, o documentário AmarElo – É Tudo Para Ontem pela Netflix (produção de Evandro Fióti e direção de Fred Ouro Preto). À primeira vista, parece uma produção sobre o disco dele, lançado sob o mesmo nome em 2019, e o maravilhoso show de estreia no Theatro Municipal de São Paulo. Mas é muito além disso: é uma verdadeira aula de história digna de ficar para a história.

O que começa em microcosmos termina num abraço da cultura brasileira no geral. Emicida narra sua história pessoal, de batalhas de rima e crescer na Zona Norte de São Paulo ao show no Theatro para apresentar AmarElo. Mas conta bem além disso: vai um século para o passado, e mostra como, na semana de 22, os Oito Batutas eram tão contemporâneos quanto o rap é hoje.

O objetivo do filme, muito além de um docushow, é mostrar como a arte do Brasil é preta. É assim há mais de um século, mas custa para verem assim. AmarElo – É Tudo Pra Ontem retoma o direito da expressão e de conquista de lugares. Mostra a história que muitos não querem ver – tanto cultural quanto social. “O AmarElo é um grande manifesto pelos direitos de poder existir sem precisar responder à opressão. Ser maior do que ela,” disse Emicida em entrevista para Rolling Stone.

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Por Yolanda Reis, no Rolling Stone e reproduzido no Geledés.

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