Um negro é morto por asfixia após abordagem da PRF na semana em que a morte de George Floyd completa dois anos

 

Dois anos do assassinato de George Floyd. (FOTO  |Reprodução).

Na mesma semana em que, após dois anos do seu assassinato, George Floyd foi homenageado com a escultura “Conversa com George” erguida num parque em Houston, Genivaldo de Jesus Santos de 38 anos e negro foi morto por asfixia, em Umbaúba, litoral sul de Sergipe, após ser trancado no porta-malas de uma viatura após abordagem da PRF (Polícia Rodoviária Federal).

O que deveriam ser fatos isolados estão, infelizmente, se tornando cada vez mais comum. Segundo dados do Ministério Público de São Paulo (MPSP), os procedimentos para a investigação de denúncias de injúrias qualificadas saltaram de 97, em 2020, para 708 em 2021. Já a Secretaria da Justiça e Cidadania paulista contabilizou 134 denúncias apenas no primeiro trimestre de 2022 enquanto no decorrer do ano passado foram 155.

Nesses dois anos pouca coisa mudou. Essa é uma luta mais de 500 anos de racismo estrutural e um dos reflexos disso é o fato da sociedade ainda olhar para os negros como subalternos, ladrão, e, para mudar isto é preciso que tenha envolvimento da sociedade como um todo para criar um treinamento mental, emocional para que as pessoas comecem a enxergar que este pré-julgamento que discrimina, adoece e mata.

O aumento no número de denúncias é porque as pessoas estão mais conscientes que elas são consequências de racismo e que isto é muito errado. O fato da pena também ser em cestas básicas ou ações voluntárias para alguns não é tão importante. O ideal seria envolver uma perda financeira ou até de imagem.
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Por Ana Minuto, originalmente no Notícia Preta.

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1 Comentários

  1. SOBRE A ESCALADA DA VIOLÊNCIA POLICIAL

    Já passou da hora de o Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas Estaduais reagirem com rigor contra a escalada da violência policial no país.

    Não podemos aceitar calados esses verdadeiros massacres perpetrados pela polícia com pretexto de ser uma “operação policial”, sob pena de nos tornarmos cúmplices.

    A violência policial parece não ter fim e a cada dia se intensifica mais impelida por grupos extremistas que se multiplicam no país estimulados diariamente nas redes sociais por milícias digitais de matriz fascista.

    Nessa senda de ações violentas e repressão especialmente contra negros e pobres, parece caminhar uma boa parte dos policiais brasileiros.

    São cada vez mais frequentes os casos de ações policiais truculentas, abusivas e por vezes ilegítimas que vemos publicados nos jornais – sobretudo no Rio de Janeiro – como foram os casos da Chacina do Jacarezinho que deixou 28 mortos e a ação do Bope e PRF na Vila Cruzeiro que resultou na morte de 25 pessoas.

    Dois verdadeiros massacres a céu aberto em plena luz do dia e que apesar de nos causar indignação, tornaram-se comuns passando a fazer parte do nosso cotidiano !!

    Na semana passada, conforme descrito na matéria em pauta, mais uma ação extremamente violenta e demasiadamente estúpida da polícia, que resultou na morte de um negro, Genivaldo de Jesus Santos, por asfixia, numa ação policial desastrosa e letal, que realmente faz lembrar o extermínio de judeus em “câmaras de gás” em Auschwitz, campo de concentração nazista, durante a segunda guerra mundial.

    Vemos nos noticiários casos de abordagens abusivas a pessoas que, mesmo depois de algemadas, imobilizadas e sem esboçarem qualquer reação, são espancadas e até mortas nas ruas pela polícia.

    Jovens negros, pobres e moradores de favelas são com frequência o público alvo dessas abordagens policiais impróprias, arbitrárias e inaptas.

    Na cidade de São Paulo, por exemplo, jovens da periferia – estigmatizados como “bandidos” pela polícia, –, geralmente em razão de sua cor ou condição social –, não raro são abordados e agredidos por policiais sem que haja qualquer flagrante, sem nenhuma razão, especialmente na zona sul e na zona norte, onde se concentra o maior número de favelas na capital paulista.

    E nessas abordagens imoderadas e truculentas contra populações de comunidades, morros e favelas paulistanas, quando a polícia mata algum inocente seja por imprudência, negligência ou imperícia, seja até mesmo com “animus necandi”, quase nada acontece com o policial homicida. Quando muito, o agente é retirado das ruas e transferido para o COPOM. Um ou outro acaba preso, mas na maioria das vezes não são punidos ou a punição é mínima.

    Dificilmente, você vê isso acontecer em bairros nobres como Itaim Bibi, Jardins e Morumbi. A violência policial, quando ocorre, é sempre dentro das comunidades ou nas imediações destas.

    E nada tem sido feito pelas autoridades competentes para conterem a atuação arbitrária das forças policiais e pôr um fim à essa verdadeira barbárie.

    É como se o Estado democrático de direito tivesse dado lugar a um Estado policial arbitrário.

    É como se o Brasil tivesse se transformado numa terra sem lei, sem liberdade, sem justiça.

    Ressalte-se, porém, por razão de justiça, que há nas corporações uma grande parte de policiais comprometidos com a defesa da democracia e que de modo algum compactuam com práticas e concepções fascistas, muitos dos quais são membros do “MOVIMENTO POLICIAIS ANTIFASCISMO” que é integrado por policiais estaduais e federais, militares, guardas municipais, policiais penais e bombeiros, visando a construção de um projeto democrático de Segurança Pública para o País. São policiais extremamente competentes e preparados, conscientes do seu papel de guardiões da sociedade e que no dia a dia no combate à criminalidade procuram atuar com a máxima eficência e sempre dentro da lei. A estes policiais, o nosso respeito e a nossa admiração.

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