Expocrato: Não é sobre os ingressos

 

Expocrato:  Não é sobre os ingressos. (FOTO |UP Movies). 
 

Por Alexandre Lucas, Colunista 

 

Surgida em 1944, como Exposição Agropecuária do Crato, atualmente Exposição Centro-Nordestina de Animais e Produtos Derivados, se caracteriza como um dos maiores eventos agropecuários do Norte-Nordeste, dentro do seu complexo de atividades se destaca o festival de shows musicais (Expocrato). Esse evento precisa ser rediscutido do ponto de vista de gestão e de função socioeconômica, por ser uma concessão pública.     

A “Exposição do Crato”, como ficou conhecida ao longos dos anos, tem uma forte ligação com a cidade e a economia local, possui um fervor afetivo com a região e suas identidades culturais, local de reencontros de gerações, mas desde o seu nascedouro mostra a cara perversa da desigualdade social e da estratificação socioespacial. A “exposição” é um espaço de mistura segregado.

A festa popular, vai dando lugar a festa de quem pode pagar.  É preciso estudar a movimentação econômica da Expocrato para compreender o seu fluxo, os investimentos públicos e o retorno para as cadeias produtivas regionais. É possível esse evento gerar desenvolvimento econômico para a região numa escala de ampliação para os setores mais populares da região metropolitana do Cariri? Possivelmente essa questão merece estudo e tomada de posição política.   A sensação que temos é que somos um Brasil de Portugal dentro desta festa. Somos tratados como colônia e daqui retiram as nossas economias.

Essa festa não pode ser só visitada pela sua população, mas deve ser também consumida de forma acessível, não podemos permitir que a Expocrato tenha tabela de aeroporto, preços exorbitantes.    

A Exprocrato não pode ser tratada como espaço público de interesse privado.  Se faz necessário estabelecer critérios que orientem para princípios de desenvolvimento econômico regional, que reduzam impactos ambientais e que promovam a diversidade e a pluralidade estética, artística e cultural da região num parâmetro de equidade, sem ser gueto e sem ser colônia.

As universidades públicas da região metropolitana do Cariri devem ser incluídas no processo de gestão da Expocrato, pelo papel político que cabem em contribuir com o desenvolvimento regional, como é o caso da URCA e da UFCA. A Agricultura Familiar e os movimentos agroecológicos devem também compor essa arquitetura gestacional.

As empresas devem se submeter a lógica do Estado e não o contrário, na parte dos shows por exemplo, o norte  deve ser o Sistema Estadual de Cultura (SEC), principal marco legal das políticas públicas para Cultura no Ceará. Vale lembrar que SEC não é uma política da Secretaria de Cultura, mas antes de tudo uma política de estado para cultura.   

A Expocrato não é uma festa apenas, ela alimenta várias cadeias produtivas, tem uma dimensão empreendedora imensa, conecta o Cariri a várias partes do país, essa capacidade de negócios é estratégica para a região. É primordial defender a descentralização de recursos gerados pela Expocrato e que esses recursos sirvam de aterro econômico para o Cariri.    

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