Pinturas de Abdias do Nascimento mostra experiência negra na América

 

“Cristo Negro”, pintura de Abdias. (FOTO/ Reprodução redes sociais).

Abdias Nascimento: um artista panamefricano” é o tema da maior exposição já feita dedicada ao intelectual, ativista político, dramaturgo, ator, escritor e diretor que está em cartaz no MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), na capital paulista. Reunindo 62 pinturas, desde o início de sua produção em 1968 até o ano de 1998, a mostra enfatiza o repertório de Abdias a partir de ideias, cores e formas do movimento pan-africanista, com noções, fontes e imaginário ladino-amefricano (termo cunhado por Lélia Gonzalez (1935-1994), amiga e interlocutora política e intelectual do artista e formuladora do conceito de amefricanidade, para se referir à experiência negra na América Latina.

A exposição retoma conceitos formulados por Nascimento, como o quilombismo, para destacar o projeto de transformação social sobre bases que retomam a experiência dos quilombos. O artista materializou seu pensamento também na pintura homônima, presente na exposição e visualmente representada pela união do tridente de Exu aos ferros de Ogum, divindades iorubás que se popularizaram no Brasil, com a umbanda e o candomblé. 

Parte das pinturas da mostra apresenta ao público a pesquisa de Nascimento sobre símbolos e bandeiras de projetos e identidades nacionais, que podem ser lidas de uma perspectiva simultaneamente pan-africanista e amefricanista. Além disso, as obras também associam orixás à abstração geométrica, formas livres a símbolos africanos como os adinkras, além de explorarem gêneros mais tradicionais, como paisagens e retratos. Os trabalhos “Okê Oxóssi” e “Xangô”, ambos de 1970, por exemplo, estabelecem paralelos entre representações do Brasil e dos Estados Unidos por meio de uma recomposição de símbolos nacionais, mais especificamente os elementos de suas bandeiras. 

Com curadoria de Amanda Carneiro, curadora assistente, e Tomás Toledo, curador-chefe do MASP, a exposição está aberta à visitação do público até o 5 de junho de 2022, ocupando os espaços da galeria e do mezanino do local. É uma das mostras do biênio dedicado às Histórias Brasileiras no museu, desta vez com apoio cultural do IPEAFRO, instituição fundada em 1981 pelo artista e responsável por seu acervo. 
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Com informações do Notícia Preta.

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