O que está por trás da "greve" dos PMS no Ceará?, por Técio Nunes


Técio Nunes. (FOTO/ Reprodução/ Facebook).

Já virou rotineiro em períodos eleitorais haver uma movimentação de alguns policiais militares e bombeiros cearenses. Sempre em tom de ameaça e sempre se utilizando do terror como método para causar pânico na sociedade e esse pânico, de alguma forma, servir como mecanismo de pressão para ter sucesso em suas reivindicações.

Sempre nesses processos aparece o Wagner, agora Deputado Federal e pré-candidato a prefeitura de Fortaleza e também o Deputado Estadual Noélio, braço direito e esquerdo do prefeiturável.

Duas coisas precisam ser separadas nesse debate: uma é a justa reivindicação da categoria que como várias outras categorias veem os seus salários sendo engolidos pela inflação. Toda reivindicação de trabalhador e trabalhadora é mais do que justa. E passa pelo sucesso de uma segurança pública eficiente ter um profissional com plenas condições de desempenhar a sua função e com uma justa remuneração. Outra coisa bem diferente é a nítida utilização política de uma reivindicação justa em benefício de uma pré-candidatura já estabelecida. E isso precisa ser severamente repudiado.

A sociedade cearense acompanhou de perto o processo de negociação do governo com a categoria militar que conseguiu em negociação arrancar uma proposta onde até o final de 2022 um soldado ficará recebendo R$ 4,500.00 de salário. Se isso supre ou não as necessidades da categoria aí é outro debate. Mas a questão é que até direito a manifestação para a categoria foi garantido, contrariando o regime militar que organiza a tropa. Sou favorável que os policiais assim o façam. Esse inclusive é um dos motivos de nós da esquerda defendermos a desmilitarização da polícia.

Pois bem, Wagner, já há vários dias, vem se portando como um “porta voz” das reivindicações dos PMs cearenses. E em várias entrevistas ele sempre colocou a possibilidade de paralisação da categoria. Quando não quis ser direto jogou dizendo que ele era contra, mas os policiais cogitavam essa possibilidade. Sempre deixando a possibilidade non ar, sempre alimentando o terror, o pânico. E isso precisa ser dito sem meias palavras. A greve tem o apoio do Wagner e a greve também apoia o Wagner. Ambos se retroalimentam.

É de se lamentar o método adotado para alcançar os objetivos de uma categoria como essa. Espalham-se nos grupos de wathsapp o terror e o medo com ações coordenadas de compartilhamento de mensagens.  Cartazes dizendo para as pessoas não saírem de casa. Vídeos de mulheres mascaradas furando pneus de motocicletas. Acompanhada disso também as lives no facebook feitas pelo ex-deputado federal Sabino (que tenta mais uma vez ocupar a dianteira do movimento grevista).

Isso não é justo com a população trabalhadora de nossa cidade. Não é justo! Não em nome do que estão fazendo.

A categoria lutar por conquistas é uma coisa. Tentar impor isso mobilizando o medo das pessoas, se utilizando do terror e da fragilidade da nossa segurança e se utilizando de um expediente nada honrado, é outra completamente diferente. A população já vem fazendo a ligação e as motivações da greve com interesses políticos. Pode ate não ser de fato isso, mas que passa essa mensagem, isso passa!

Mas o que está por detrás dessa movimentação? Isso eu não consigo afirmar com plena certeza. Mas que quem mais ganha com ela é o pré-candidato Wagner, isso ninguém pode negar. Que agora vem de Brasília como um grande herói mediador do conflito e que agora tenta se comportar com o único capaz de solucionar o problema.

Mediação ou palanque? O povo vai saber.

Artigo encaminhado por Técio Nunes a redação ao Blog.
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Técio Nunes é é ativista político e secretário geral do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) do Ceará.

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