25 de janeiro de 2026

Livro resgata história do Teatro Experimental do Negro

 

Abdias Nascimento (centro) ministra aula de alfabetização e cidadania no contexto de realizações do Teatro Experimental do Negro, 1944. (FOTO | Reprodução |Acervo |Ipeafro).

Publicado pela editora Temporal, o livro Teatro Experimental do Negro: histórias, críticas e outros dramas chega às livrarias como o primeiro livro do pesquisador, professor e crítico teatral Guilherme Diniz. A obra, fruto da pesquisa de mestrado do autor, apresenta diversos aspectos do Teatro Experimental do Negro (TEN), histórico grupo fundado por Abdias Nascimento que revolucionou a dramaturgia brasileira.

Dividido em duas partes complementares, o livro apresenta não só uma visão ampliada do que foi o TEN, mas também as percepções acerca do projeto veiculadas na mídia da época. Na primeira seção, intitulada “O voo dramatúrgico do TEN”, o autor apresenta a produção dramatúrgica e cênica do grupo, destacando diálogos, tensões e parcerias com autores, grupos e movimentos teatrais nacionais e internacionais, além das experimentações estéticas e políticas.

Já a segunda seção da obra, “Negras cenas pelo prisma da crítica”, joga luz à recepção crítica das montagens do TEN, sobretudo na imprensa, evidenciando embates ideológicos, raciais e estéticos na construção da historiografia teatral. Além disso, o texto reconstitui, a partir dessas críticas, as montagens sob aspectos de cenografia, atuação, figurino, entre outros.

Como mostra Guilherme Diniz ao longo do livro, outros nomes de peso que já possuíam notoriedade à época – como Nelson Rodrigues, Augusto Boal, Bibi Ferreira e Tomás Santa Rosa, dentre outros – também tiveram participação na construção do grupo, em alianças mais ou menos esporádicas. 

Com quase 500 páginas, o livro conta com prefácio da pesquisadora e dramaturga Leda Maria Martins, que exalta o grupo retratado e destaca o papel do autor na pesquisa do livro.

“Nas entrelinhas, Diniz reinterpreta, contrapõe, argui de modo assertivo, ou até irônico, os malogros, os rebuliços e mesmo as ambiguidades da mentalidade da época”, diz a pesquisadora no texto.

Fundado há mais de 80 anos, o TEN desenvolveu diversas frentes de combate ao racismo, incluindo o estudo e difusão do legado cultural afro-brasileiro, dedicando-se à abertura de novos caminhos cênicos para artistas negros e negras fundamentais para a cultura nacional, como é o caso de Léa Garcia e Ruth de Souza.

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Com informações da Alma Preta.

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