9 de junho de 2018

'Quero ser presidente novamente. Está chegando a hora da verdade', diz Lula em lançamento de sua candidatura


Ex-presidente reafirmou, em documento, que será candidato, apesar das tentativas de impedi-lo de concorrer. (
Foto: Ricardo Stuckert).

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou manifesto na noite desta sexta-feira (8), quando sua candidatura é lançada oficialmente, para confirmar sua disposição de disputar a Presidência da República e reafirmar sua inocência. "Há dois meses estou impedido de percorrer o País que amo, levando a mensagem de esperança num Brasil melhor e mais justo, com oportunidades para todos, como sempre fiz em 45 anos de vida pública", disse Lula, para quem "está chegando a hora da verdade".

"Quero ser presidente do Brasil novamente porque já provei que é possível construir um Brasil melhor para o nosso povo", afirmou Lula no manifesto. "Assumo esta missão porque tenho uma grande responsabilidade com o Brasil e porque os brasileiros têm o direito de votar livremente num projeto de país mais solidário, mais justo e soberano, perseverando no projeto de integração latino-americana."

Ele defendeu a união das forças democráticas do país, "respeitando a autonomia dos partidos e dos movimentos, mas sempre tendo como referência um projeto de País mais solidário e mais justo, que resgate a dignidade e a esperança da nossa gente sofrida".

"Tenho certeza de que estaremos juntos ao final da caminhada", conclui. (Com informações da RBA).

Confira o manifesto na íntegra.

MANIFESTO AO POVO BRASILEIRO

Há dois meses estou preso, injustamente, sem ter cometido crime nenhum. Há dois meses estou impedido de percorrer o País que amo, levando a mensagem de esperança num Brasil melhor e mais justo, com oportunidades para todos, como sempre fiz em 45 anos de vida pública. 
Fui privado de conviver diariamente com meus filhos e minha filha, meus netos e netas, minha bisneta, meus amigos e companheiros. Mas não tenho dúvida de que me puseram aqui para me impedir de conviver com minha grande família: o povo brasileiro. Isso é o que mais me angustia, pois sei que, do lado de fora, a cada dia mais e mais famílias voltam a viver nas ruas, abandonadas pelo estado que deveria protegê-las. 
De onde me encontro, quero renovar a mensagem de fé no Brasil e em nosso povo. Juntos, soubemos superar momentos difíceis, graves crises econômicas, políticas e sociais. Juntos, no meu governo, vencemos a fome, o desemprego, a recessão, as enormes pressões do capital internacional e de seus representantes no País. Juntos, reduzimos a secular doença da desigualdade social que marcou a formação do Brasil: o genocídio dos indígenas, a escravidão dos negros e a exploração dos trabalhadores da cidade e do campo. 
Combatemos sem tréguas as injustiças. De cabeça erguida, chegamos a ser considerados o povo mais otimista do mundo. Aprofundamos nossa democracia e por isso conquistamos protagonismo internacional, com a criação da Unasul, da Celac, dos BRICS e a nossa relação solidária com os países africanos. Nossa voz foi ouvida no G-8 e nos mais importantes fóruns mundiais. 
Tenho certeza que podemos reconstruir este País e voltar a sonhar com uma grande nação. Isso é o que me anima a seguir lutando. Não posso me conformar com o sofrimento dos mais pobres e o castigo que está se abatendo sobre a nossa classe trabalhadora, assim como não me conformo com minha situação. Os que me acusaram na Lava Jato sabem que mentiram, pois nunca fui dono, nunca tive a posse, nunca passei uma noite no tal apartamento do Guarujá. Os que me condenaram, Sérgio Moro e os desembargadores do TRF-4, sabem que armaram uma farsa judicial para me prender, pois demonstrei minha inocência no processo e eles não conseguiram apresentar a prova do crime de que me acusam. Até hoje me pergunto: onde está a prova? Não fui tratado pelos procuradores da Lava Jato, por Moro e pelo TRF-4 como um cidadão igual aos demais. Fui tratado sempre como inimigo. Não cultivo ódio ou rancor, mas duvido que meus algozes possam dormircom a consciência tranquila. 
Contra todas as injustiças, tenho o direito constitucional de recorrer em liberdade, mas esse direito me tem sido negado, até agora, pelo único motivo de que me chamo Luiz Inácio Lula da Silva. 
Por isso me considero um preso político em meu país.Quando ficou claro que iriam me prender à força, sem crime nem provas, decidi ficar no Brasil e enfrentar meus algozes. Sei do meu lugar na história e sei qual é o lugar reservado aos que hoje me perseguem. Tenho certeza de que a Justiça fará prevalecer a verdade. 
Nas caravanas que fiz recentemente pelo Brasil, vi a esperança nos olhos das pessoas. E também vi a angústia de quem está sofrendo com a volta da fome e do desemprego, a desnutrição, o abandono escolar, os direitosroubados aos trabalhadores, a destruição das políticas de inclusão social constitucionalmente garantidas e agora negadas na prática. É para acabar com o sofrimento do povo que sou novamente candidato à Presidência da República. 
Assumo esta missão porque tenho uma grande responsabilidade com o Brasil e porque os brasileiros têm o direito de votar livremente num projeto de país mais solidário, mais justo e soberano, perseverando no projeto de integração latino-americana. 
Sou candidato porque acredito, sinceramente, que a Justiça Eleitoral manterá a coerência com seus precedentes de jurisprudência, desde 2002,não se curvando à chantagem da exceção só para ferir meu direito e o direito dos eleitores de votar em quem melhor os representa. Tive muitas candidaturas em minha trajetória, mas esta é diferente: é o compromisso da minha vida. Quem teve o privilégio de ver o Brasil avançar em benefício dos mais pobres, depois de séculos de exclusão e abandono, não pode se omitir na hora mais difícil para a nossa gente. 
Sei que minha candidatura representa a esperança, e vamos levá-la até as últimas consequências, porque temos ao nosso lado a força do povo. Temos o direito de sonhar novamente, depois do pesadelo que nos foi imposto pelo golpe de 2016. 
Mentiram para derrubar a presidenta Dilma Rousseff, legitimamente eleita. Mentiram que o país iria melhorar se o PT saísse do governo; que haveria mais empregos e mais desenvolvimento. Mentiram para impor o programa derrotado nas urnas em 2014. Mentiram para destruir o projeto de erradicação da miséria que colocamos em curso a partir do meu governo. Mentiram para entregar as riquezas nacionais e favorecer os detentores do poder econômico e financeiro, numa escandalosa traição à vontade do povo, manifestada em 2002, 2006, 2010 e 2014, de modo claro e inequívoco.Está chegando a hora da verdade.

Quero ser presidente do Brasil novamente porque já provei que é possível construir um Brasil melhor para o nosso povo. Provamos que o País pode crescer, em benefício de todos, quando o governo coloca os trabalhadores eos mais pobres no centro das atenções, e não se torna escravo dos interesses dos ricos e poderosos. E provamos que somente a inclusão de milhões de pobres pode fazer a economia crescer e se recuperar. 
Governamos para o povo e não para o mercado. É o contrário do que faz o governo dos nossos adversários, a serviço dos financistas e das multinacionais, que suprimiu direitos históricos dos trabalhadores, reduziu o salário real, cortou os investimentos em saúde e educação e está destruindo programas como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Pronaf, Luz Pra Todos, Prouni e Fies, entre tantas ações voltadas para a justiça social. Sonho ser presidente do Brasil para acabar com o sofrimento de quem não tem mais dinheiro para comprar o botijão de gás, que voltou a usar a lenha para cozinhar ou, pior ainda, usam álcool e se tornam vítimas de graves acidentes e queimaduras. Este é um dos mais cruéis retrocessos provocados pela política de destruição da Petrobrás e da soberania nacional, conduzida pelos entreguistas do PSDB que apoiaram o golpe de 2016. A Petrobrás não foi criada para gerar ganhos para os especuladores de Wall Street, em Nova Iorque, mas para garantir a autossuficiência de petróleo no Brasil, a preços compatíveis com a economia popular. A Petrobrás tem de voltar a ser brasileira. Podem estar certos que nós vamosacabar com essa história de vender seus ativos. Ela não será mais refém das multinacionais do petróleo. Voltará a exercer papel estratégico no desenvolvimento do País, inclusive no direcionamento dos recursos do pré- sal para a educação, nosso passaporte para o futuro. 
Podem estar certos também de que impediremos a privatização da Eletrobrás, do Banco do Brasil e da Caixa, o esvaziamento do BNDES e de todos os instrumentos de que o País dispõe para promover o desenvolvimento e o bem-estar social. 
Sonho ser o presidente de um País em que o julgador preste mais atenção à Constituição e menos às manchetes dos jornais. Em que o estado de direito seja a regra, sem medidas de exceção. Sonho com um país em que a democracia prevaleça sobre o arbítrio, o monopólio da mídia, o preconceito e a discriminação. Sonho ser o presidente de um País em que todos tenham direitos eninguém tenha privilégios.
Um País em que todos possam fazer novamente três refeições por dia; em que as crianças possam frequentar a escola, em que todos tenham direito ao trabalho com salário digno e proteção da lei. Um país em que todo trabalhador rural volte a ter acesso à terra para produzir, com financiamento e assistência técnica.  
Um país em que as pessoas voltem a ter confiança no presente e esperança no futuro. E que por isso mesmo volte a ser respeitado internacionalmente, volte a promover a integração latino-americana e a cooperação com a África,e que exerça uma posição soberana nos diálogos internacionais sobre o comércio e o meio ambiente, pela paz e a amizade entre os povos. Nós sabemos qual é o caminho para concretizar esses sonhos. Hoje ele passa pela realização de eleições livres e  democráticas, com a participação de todas as forças políticas, sem regras de exceção para impedir apenas determinado candidato. 
Só assim teremos um governo com legitimidade para enfrentar os grandes desafios, que poderá dialogar com todos os setores da nação respaldado pelo voto popular. É a esta missão que me proponho ao aceitar a candidaturapresidencial pelo Partido dos Trabalhadores. 
Já mostramos que é possível fazer um governo de pacificação nacional, em que o Brasil caminhe ao encontro dos brasileiros, especialmente dos mais pobres e dos trabalhadores. 
Fiz um governo em que os pobres foram incluídos no orçamento da União, com mais distribuição de renda e menos fome; com mais saúde e menos mortalidade infantil; com mais respeito e afirmação dos direitos das mulheres, dos negros e à diversidade, e com menos violência; com mais educação em todos os níveis e menos crianças fora da escola; com mais acesso às universidades e ao ensino técnico e menos jovens excluídos do futuro; com mais habitação popular e menos conflitos de ocupações nas cidades; com mais assentamentos e distribuição de terras e menos conflitos de ocupações no campo; com mais respeito às populações indígenas e quilombolas, com mais ganhos salariais e garantia dos direitos dos trabalhadores, com mais diálogo com os sindicatos, movimentos sociais e organizações empresarias e menos conflitos sociais. 
Foi um tempo de paz e prosperidade, como nunca antes tivemos na história. 
Acredito, do fundo do coração, que o Brasil pode voltar a ser feliz. E pode avançar muito mais do que conquistamos juntos, quando o governo era do povo. 
Para alcançar este objetivo, temos de unir as forças democráticas de todo o Brasil, respeitando a autonomia dos partidos e dos movimentos, mas sempre tendo como referência um projeto de País mais solidário e mais justo, que resgate a dignidade e a esperança da nossa gente sofrida. Tenho certeza de que estaremos juntos ao final da caminhada. 
Daqui onde estou, com a solidariedade e as energias que vêm de todos os cantos do Brasil e do mundo, posso assegurar que continuarei trabalhando para transformar nossos sonhos em realidade. E assim vou me preparando,com fé em Deus e muita confiança, para o dia do reencontro com o querido povo brasileiro. E esse reencontro só não ocorrerá se a vida me faltar. Até breve, minha gente Viva o Brasil! Viva a Democracia! Viva o Povo Brasileiro! Luiz Inácio Lula da Silva Curitiba, 8 de junho de 2018 

8 de junho de 2018

CCJ da Câmara aprova Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé


Deputado Vicentinho (PT - SP), autor da proposta. (Foto: Reprodução).

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou, nesta quarta-feira, o Projeto de Lei 3551/15, do deputado Vicentinho (PT-SP), que institui o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé, a ser comemorado anualmente no dia 30 de setembro. Os deputados Fábio Sousa (PSDB-GO), João Campos (PRB-GO) e Marcos Rogério (DEM-RO) votaram contra.

Durante a votação na CCJ, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) afirmou que a proposta busca “enfrentar a desigualdade no reconhecimento, pelo Poder Público, das religiões de matriz africana.”

Segundo o autor da proposta, o Candomblé desembarcou no Brasil junto com as grandes levas de escravos no século XVI. "Atualmente reconhecido como religião, o Candomblé foi bastante marginalizado num passado não muito distante. Inicialmente proibida e considerada como ato criminoso, a prática do Candomblé chegou a ser impedida por vários governos, sendo seus adeptos perseguidos e presos pela polícia", destacou ao apresentar a proposta

A proposta tem caráter conclusivo e, a não ser que seja apresentado requerimento pedindo a votação no plenário, segue agora para análise do Senado. (Com informações do Portal  da Câmara).

Lula descarta qualquer acordo com Ciro Gomes, afirma Frei Beto


Frei Beto em uma imagem de 2014. (Foto: Folhapress).

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) descarta qualquer acordo com Ciro Gomes (PDT), pré-candidato à Presidência da República. A informação é do escritor frei Betto, que fez uma visita espiritual ao petista na última segunda-feira, 4, na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. De acordo com o religioso, Lula falou isso “descontraidamente, sem rancor”.

Foi uma conversa de uma hora e 15 minutos, em tom amigável. Ele (Lula) reiterou que é candidato e tem sozinho, nas pesquisas, mais do que a soma dos votos de todos os demais concorrentes, e que não considera a possibilidade de qualquer acordo com Ciro Gomes”, afirmou Betto ao O POVO.

Segundo ele, o ex-presidente não deixou claro se isso também se estendia a um eventual segundo turno. O escritor contou ainda que o petista “disse isso descontraidamente, sem rancor; ao contrário, ele estava muito bem humorado nesta segunda”.

Pedetistas cearenses minimizaram a afirmação de Betto. Foi o caso do deputado federal André Figueiredo, presidente estadual da legenda.

Sabemos que o PT vai lançar a candidatura do Lula, já não é surpresa. Mas nós temos certeza que o PT estará conosco no segundo turno”, afirmou. A “certeza” vem das constantes reuniões entre os partidos de esquerda, que decidiram ficar juntos no segundo turno para conseguir a vitória das eleições.

Figueiredo descarta qualquer embate entre Lula e Ciro, que poderia ter motivado a fala. “O Ciro sempre teve excelente relacionamento com o Lula”, disse. O deputado federal Leônidas Cristino reiterou a esperança de união no 2° turno.

Ciro foi o único candidato da esquerda que não participou dos atos de apoio a Lula em maio, quando ele foi preso. Questionado, o pedetista chegou a afirmar que não é e nunca será “puxadinho do PT”. Embora já tenha criticado o processo contra Lula, Ciro também costuma fazer críticas aos governos petistas em suas palestras.

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), vice-líder do partido na Câmara, atribuiu a declaração de Lula às atitudes de Ciro. “Ele é que permanentemente nos ataca, isso atrapalha muito uma aliança. A gente queria a unidade da esquerda, mas ele utiliza muito o ataque”.

Apesar disso, o parlamentar não descarta totalmente um acordo. Para ele, o diálogo deve permanecer aberto, não só no segundo mas também no primeiro turno. “Existem mil hipóteses, mas a candidatura do Lula é certa”, afirmou.


CEARÁ

Petistas cearenses evitaram comentar o assunto. Foi o caso do presidente municipal da sigla, Acrísio Sena, da deputada federal Luzianne Lins e do senador José Pimentel. Ciro Gomes também preferiu não falar sobre o assunto. (Com informações do O Povo).

Centro de Especialidades Odontológicas será implantado em Altaneira


CEO será implantado em Altaneira. Na imagem, o prefeito, os secretários de saúde e infraestrutura acompanhados do projetista em área nas dependências do Hospital. (Foto: Ítalo Duarte).

O município de Altaneira, na região do cariri, ganhará um Centro de Especialidades Odontológicas (CEO). A informação foi anunciada na manhã desta quinta-feira, 07, no portal oficial.

Em visita a uma área nas dependências do Hospital Euclides Nogueira Santana o prefeito Dariomar Rodrigues (PT) junto aos secretários de Saúde e Infraestrutura, Luan Kaio e Paulo Almeida, respectivamente, bem como da equipe de engenharia, afirmou ser o CEO um importante avanço da gestão na área da saúde.

A saúde é uma prioridade da gestão, e estamos arrumando aos poucos as unidades, melhorando a estrutura e o atendimento, e os procedimentos em saúde bucal eram uma preocupação que tínhamos e que com certeza vamos solucionar a partir do funcionamento do CEO, atendendo a população com qualidade e conforto”, afirmou Dariomar.

Já o secretário de saúde destacou que a implantação é fruto de um esforço seu, ao passo que afirmou que o CEO além de dispor de todas as especialidades e serviços que existe, será oferecido “também a especialidade de odontopediatria e um laboratório de prótese”.

Não há no portal a informação de onde vem os recursos adquiridos para a obra, tão pouco quando irá ter início.

Entretanto, consta no referido portal a informação de que as comunidades rurais Chapada dos Romeiros e Samambaia irão receber 8.589m2 de pavimentação em pedra tosca.


7 de junho de 2018

Só uma meta do Plano Nacional de Educação foi cumprida após 4 anos de vigência


Uma preocupação trazida  pela SAM e que impacta  decisivamente na implementação do PNE é a PEC do Teto. Na imagem alunos/as da Escola de Ensino Fundamental Joaquim de Morais, no distrito São Romão, em Altaneira, que funciona em tempo integral.  (Foto: Divulgação/Facebook da Escola).

Após quatro anos de vigência do Plano Nacional de Educação (PNE), apenas uma meta proposta foi cumprida integralmente dentro do prazo, e 30% das demais estão em andamento. O balanço, divulgado pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, mostra um cenário insatisfatório, além de apontar um futuro sombrio para o setor, com a Emenda Constitucional 95, conhecida como PEC do Teto – aprovada às pressas em 2016 pelo governo de Michel Temer (MDB), a PEC limita investimentos em áreas estratégicas do país, como educação, por 20 anos.

O atraso já nos anos iniciais no cumprimento do programa, que reúne ações para a educação de 2014 a 2024, pode implicar no fracasso da lei (13.005/2014), sancionada pela ex-presidenta Dilma Rousseff (PT). “Isso acontece porque o Plano foi organizado como uma agenda progressiva e significa que os seus dispositivos estão dispostos em um cronograma de cumprimento, com tarefas distribuídas para cada um dos dez anos. Se uma tarefa agendada para 2015 não for feita, ela prejudica o cumprimento de outra agendada para 2016”, explica o coordenador geral da Campanha, Daniel Cara.

A preocupação com o descumprimento do PNE, bem como a divulgação do estudo da campanha, que teve como parceiro o Laboratório de Dados Educacionais, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), vem no conjunto de críticas realizadas pela Semana de Ação Mundial (SAM), que começou na segunda-feira (4), e busca pressionar o poder público a rever o corte de investimentos na área e conscientizar a população sobre a necessidade do plano. “Uma preocupação trazida pela SAM e que impacta decisivamente na implementação do PNE é a Emenda Constitucional 95”, diz a campanha.

Ela estabelece um novo regime tributário e determina que nenhum investimento em áreas sociais poderá exceder o reajuste inflacionário por 20 anos. O investimento de novos recursos na construção de escolas, pré-escolas, creches, para melhorar as universidades públicas, os estabelecimentos de ensino básico ou os salários dos professores está em risco”, completa a entidade, que alerta também para o fato de que, de acordo com a política adotada pela gestão Temer, a educação deixa de ser prioridade no país para ser considerada simplesmente um gasto da União.

Metas em destaque

A única meta cumprida tem relação ao sistema de acompanhamento do plano, por meio de estudos elaborados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Mesmo publicado o estudo, que contém informações de cada estado da Federação, ele ainda é alvo de críticas. “Ele não apresenta dados desagregados por investimento por ente federativo. Esse dado é essencial, pois, dados sobre investimento estatal em educação revelam como foram os gastos federais diretos em educação nos últimos anos, mostrando que o governo não tem feito sua parte”, afirma a Campanha.

Já entre as metas não cumpridas, é possível destacar mesmo a ausência de estrutura para execução do plano. “Não há um monitoramento adequado dessas informações por parte dos órgãos responsáveis. Ainda com a Emenda 95, e com a não implementação de dispositivos de qualidade e financiamento do PNE, a oferta de educação inclusiva de qualidade está prejudicada”, disse a coordenadora de políticas educacionais da SAM, Andressa Pellanda.  (Com informações da RBA).


6 de junho de 2018

Manutenção de reservatório da Cagece ocasionará falta de água em Altaneira


Em 2014 vários altaneirenses sofreram com a falta de água para as necessidades mínimas do dia-a-dia.
(Foto: João Alves). 

A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) realizará a partir da próxima sexta-feira, 08, serviços de manutenção preventiva na estação de tratamento e reservatório no município de Altaneira.

Conforme informações divulgadas pela Cagece, para a completa realização dos serviços será necessária a paralisação da rede, ocasionando a falta de água. A companhia afirma ainda que a manutenção pode ser concluída às 18h00 do sábado, 09, sendo a distribuição de água retomada imediatamente.

Ainda de acordo com dados fornecidos pela Cagece, em áreas elevadas ou mais distantes da estação de tratamento de água, o equilíbrio total do sistema poderá ocorrer até às 17h00 da próxima segunda-feira, 11.

A Cagece é uma das líderes quando o assunto é reclamação de clientes. A manutenção do reservatório é necessária, mas o que mais tem motivado a ira de quem faz uso da água do açude Valério (Pajeú) são as constantes falta desta nas torneiras e a demora no reabastecimento sem que a companhia fizesse uso de seus canais de comunicação para informar a população. 2012 e 2014 foram os anos que os altaneirenses mais sofreram com a ausência de água.

Alvo de várias críticas, ao menos a empresa já regularizou a falta de comunicabilidade com o público.


TV Record censura (mais uma vez) referência a religiões de matriz africana


Cantora Iza no Programa da Sabrina, da Record. (Foto: Reprodução).

No último dia 26 de maio, a cantora Iza, famosa pelo hit “Pesadão”, participou do Programa da Sabrina, na Record. Iza foi divulgar o seu álbum e claro, cantou o seu novo sucesso “Ginga”. No entanto, algo causou estranhamento em quem conhece a letra da música. A parte que diz “fé na sua mandinga” não foi cantada por Iza. A suspeita é que a Record, de propriedade do bispo chefe da Igreja Universal, tenha censurado o trecho por fazer referência explícita a elementos de religião de matriz africana. Não é a primeira vez que isso acontece. Tempos atrás, Ivete Sangalo foi impedida de cantar o seu sucesso “Festa” em que cita o candomblé. A baiana desistiu de participar de programas da emissora. Quem conhece um pouco da programação da emissora já deve ter visto nos seus programas religiosos diversas referências negativas e preconceituosas a essas religiões.

Para quem não sabe, em abril deste ano, a Record perdeu um recurso na Justiça Federal de São Paulo e será obrigada a exibir 16 programas em horário nobre feitos por entidade ligada a religiões de matriz africana. Entre os autores da ação, está o Instituto Nacional de Tradição e Cultura Afro Brasileira (Intercab) que à época alegou que as religiões afro-brasileiras sofrem constantes agressões em programas veiculados na Record. Ainda cabe recurso a tribunais superiores. A emissora mantém silêncio sobre o caso.

Outro vacilo do último fim de semana veio do Programa Sílvio Santos, exibido nas noites de domingo no SBT. No clássico quadro Jogo das Três Pistas, que contava com a participação das atrizes Cristiana Oliveira e Karina Bacchi, foram dadas as pistas: Pabllo Vittar, Gominho e David Brazil. Ganhava os pontos a participante que conseguisse encontrar a relação entre os três nomes. Não acertando, o desafio foi para a plateia, que após diversas tentativas conseguiu acertar. E a resposta era BICHAS! A repercussão foi instantânea. Diversas críticas ao programa por usar termo preconceituoso e pejorativo.

Coisas assim jamais deveriam acontecer na TV! (Por Felipe Marcelino - professor de filosofia -, no Brasil de Fato).


Estudantes indígenas e quilombolas estão com a garantia fundamental à educação ameaçada


Temer corta bolsa de estudos para indígenas e quilombolas. (Foto: Divulgação).

Estudantes indígenas e quilombolas de universidades federais estão com a garantia fundamental à educação ameaçada pelo corte do Programa de Bolsa Permanência (PBP) desde o início de 2018. A bolsa, no valor de R$ 900, é destinada a cutear moradia, transporte e material escolar dos alunos e é paga pelo Ministério da Educação por meio de um cartão. São 2,5 mil estudantes de universidades federais prejudicados e o número pode chegar a 5 mil até o final deste ano

O programa foi criado no Governo Dilma Rousseff, em 2013, e já garantiu o acesso à educação a mais de 18 mil estudantes de aldeias e quilombos em todo o país. O cadastro é feito no sistema do PBP do MEC, mas desde o início deste último ano do governo de Michel Temer o acesso está bloqueado.

Os estudantes sofrem com o corte do programa. Há relatos em todo o país de jovens vivendo em situações degradantes, dividindo um pequeno apartamento com cinco, seis pessoas por não conseguir custear a moradia. A situação se agrava ainda mais porque um outro auxílio aos estudantes, a assistência estudantil, também teve o custeio zerado em 2018. A bolsa garantia um valor médio de R$ 450 a estudantes em situação de vulnerabilidade econômica

A reitora da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão Moura disse que a instituição tem usado recursos da arrecadação própria para pagar a esses estudantes. “Hoje está se tornando gravíssima a assistência estudantil. Estamos conseguindo atender apenas àqueles que têm menos de R$ 250 de renda per capita. Os que ganham mais não conseguimos atender. O que vai acontecer com esse estudante? Ele vai evadir-se da universidade”, afirmou

A expansão das universidades, principalmente desde 2007, durante o Governo Lula, com o Programa do Governo Federal de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) e a Lei de Cotas, ampliou o ingresso nas instituições públicas e diversificou o perfil dos estudantes. A Lei de cotas estabelece que 50% das vagas das universidades federais e das instituições federais de ensino técnico de nível médio sejam reservadas a estudantes de escolas públicas. Dentro da lei, há reserva de vagas para pretos, pardos e indígenas, de acordo com a porcentagem dessas populações nas unidades federativas.

Estamos em situação de aumento da situação de vulnerabilidade socioeconômica dos nossos estudantes”, ressaltou Márcia Abrahão. A reitora enfatizou que eles precisam cada vez mais de assitência para continuar estudando. Segundo a reitora, no ano passado, após quatro anos sem abrir edital, a UnB fez vestibular para estudantes indígenas. Eles ingressam na instituição a partir deste ano. (Com informações da Revista Fórum e Agência Brasil).