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| Líder indígena AiltonKrenak. (FOTO |Jorge Leão). |
O líder indígena e escritor Ailton Krenak, membro da Academia Brasileira de Letras, participou nesta segunda-feira (9) de uma coletiva de imprensa antes de ministrar a Aula Magna inaugural de 2026 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Intitulada “Ampliando alianças através da arte indígena”, a aula abriu oficialmente o ano acadêmico da universidade e reuniu estudantes, professores e público em geral, que lotaram o salão de atos da Ufrgs.
Durante a conversa com jornalistas, antes do evento, Krenak refletiu sobre a trajetória do movimento indígena no Brasil, a crise ambiental, o papel das universidades e os limites do modelo econômico baseado na exploração da natureza.
Krenak relembrou o início de sua atuação na comunicação, quando criou, em 1985, um programa na rádio da Universidade de São Paulo (USP). “Eu inaugurei um programa na Rádio Universidade de São Paulo no ano de 1985. Esse programa se chamava Programa de Índio. Quando a gente inaugurou o programa na rádio da universidade, eu precisava de um locutor, alguém para fazer a cabeça do programa, a chamada.”
Ele contou que convidou um estudante de jornalismo que passava pelo corredor para gravar a chamada do programa. “Estava passando um rapaz no corredor que estava fazendo o curso de jornalismo. Eu falei: ‘moço, vem cá’. O moço era o nosso grande personagem, o William Bonner. Eu falei: ‘vem cá, faz a chamada, faz esse texto aqui pra mim’. Ele, com uma gentileza típica dele, sentou e fez a chamada.”
Segundo Krenak, a gravação permaneceu no ar durante todo o período em que o programa existiu, entre 1985 e 1990, fase que ele considera fundamental para dar visibilidade à luta indígena. “Foi o período mais importante para anunciar que existia um movimento indígena no nosso país.”
Aquilo que nós imaginamos que é a humanidade, globalmente, é um equívoco, porque as desigualdades são tão absurdas que seria impossível pôr no mesmo plano esses humanos todos.
Na avaliação do escritor, naquele período predominava no Brasil uma visão caricata sobre pessoas e povos indígenas. “Aquela ideia de que os índios vivem no Xingu, como se fosse um lugar imaginário, e não transitavam na vida brasileira, no meio das pessoas da cidade.”
Ele afirmou que, quando indígenas circulavam em grandes centros urbanos, isso muitas vezes reforçava preconceitos históricos. “Quando alguma pessoa indígena tinha trânsito nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo ou Brasília, só alimentava esse preconceito de que o lugar dos índios é na aldeia.”
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Texto completo no Brasil de Fato.

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