7 de março de 2026

Violência cresce e atinge 12 mulheres por dia em 9 estados monitorados

 

Silhueta (sombra) de uma mulher sofrendo violência de um homem. (FOTO | Arquivo | Agência Brasil).


A cada 24 horas, ao menos 12 mulheres foram vítimas de violência em 2025 nos nove estados monitorados pela Rede de Observatórios da Segurança. É o que revela o novo boletim “Elas Vivem: a urgência da vida”, divulgado nesta sexta-feira (6) pela iniciativa dedicada a acompanhar políticas públicas de segurança, fenômenos de violência e criminalidade. Foram contabilizadas 558 mulheres vítimas de violência, um aumento de 9% em relação a 2024.

Os dados expõem uma realidade marcada pela falta de dados raciais. Em 86,7% dos casos, não houve registro de informação racial das vítimas, o que impede análises aprofundadas sobre como o racismo estrutura a violência de gênero no país. A ausência de dados compromete a formulação de políticas públicas direcionadas e perpetua a invisibilidade de mulheres negras nesses territórios.

O relatório destaca o aumento dos casos de violência sexual e estupro. Os registros cresceram 56,6% no período analisado, passando de 602 para 961 casos. O perfil das vítimas revelou uma realidade devastadora: 56,5% eram crianças e adolescentes de 0 a 17 anos.

No Amazonas, 78,4% das vítimas de violência sexual eram crianças e adolescentes, o maior percentual entre os estados. Em São Paulo, foram registradas 191 violências sexuais no último ano.

Também foram contabilizados 546 casos de feminicídio e 7 transfeminicídios nos nove estados monitorados. Ao todo, 1.004 mulheres morreram em decorrência de homicídio, feminicídio ou transfeminicídio.

A pesquisa revela que 78,5% das violências foram cometidas por companheiros e ex-companheiros. No Piauí, 79,3% das vítimas de feminicídio, desconsiderando casos sem informação, foram mortas por parceiros ou ex-parceiros. No Ceará, 46,8% dos agressores eram próximos às vítimas.

Panorama por estado

O Pará registrou o maior aumento percentual entre os nove estados, com crescimento de 76% nas violências contra mulheres. Pernambuco teve alta de 16,7% nos casos, passando de 312 para 364 registros. O Piauí registrou crescimento de 17,6%, de 238 para 280 casos.

O Rio de Janeiro apresentou redução de 7,9%, com queda de 633 para 583 casos. Apesar da diminuição, 105 mulheres morreram no estado, a maioria por faca ou outros objetos cortantes. Trinta e nove vírgula um por cento das violências ocorreram na capital fluminense.

O Maranhão teve redução expressiva de 66,3%, embora a subnotificação ainda seja apontada como desafio.

São Paulo concentra o maior volume de casos. Entre 2020 e 2025, foram 5.881 registros de violência de gênero. Desde 2023, o estado mantém patamar acima de mil eventos por ano. Das 1.065 violências sofridas em 2025, 549 foram cometidas por parceiros ou ex-parceiros. Foram 228 mortes de mulheres e 191 violências sexuais. O estado tem a maior proporção de parceiros e ex-parceiros autores de feminicídio.

Bahia e ausência de dados raciais

Na Bahia, 85% dos casos não tiveram informação racial registrada, um dos percentuais mais altos entre os estados monitorados. A falta de dados sobre raça e cor das vítimas foi uma constante no relatório, com 86,7% dos casos em toda a amostra sem esse tipo de informação.

Essa ausência impede análises a partir de perspectiva racial e dificulta a compreensão do impacto da violência de gênero sobre diferentes grupos da população. Em alguns estados o problema aparece com intensidade maior. No Maranhão, a ausência de informação chegou a 98,4% dos casos, enquanto no Piauí, 92,9% dos casos não tinham registro de raça/cor.

Metodologia e recomendações do estudo

Os dados foram produzidos a partir de monitoramento diário do que circula nas mídias sobre violência e segurança nos estados do Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. As informações coletadas de diferentes fontes foram confrontadas e registradas em banco de dados.

O relatório conclui que estados e governo federal precisam investir em campanhas estruturais de prevenção, para além do modelo de resposta imediata. As medidas policiais e judiciais, embora indispensáveis, operam apenas quando danos físicos e psicológicos já foram consumados.

Para que a violência deixe de ocorrer, é preciso atuar na mentalidade que a legitima. O estudo defende três frentes principais: educação de base com debates sobre equidade de gênero e resolução não violenta de conflitos nos currículos escolares desde a infância; desconstrução cultural com ações que desafiem estereótipos de masculinidade tóxica; e engajamento social com mobilização das áreas de saúde e redes sociais para identificar precocemente comportamentos de risco, tratando a violência como problema de saúde pública.

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Com informações da Alma Preta.

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