“O impeachment de Bolsonaro, se acontecer, será no ano que vem”, avalia cientista político


(FOTO/ Evaristo Sa/ AFP).


A proximidade com o Centrão e as eleições municipais deste ano são fatores que dificultam a abertura de processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro. É o que indica o cientista político Alberto Carlos Almeida, autor dos livros O Voto do Brasileiro e A Cabeça do Brasileiro.

Em entrevista a CartaCapital, Almeida aponta que as condições para o afastamento de Bolsonaro, hoje, são desfavoráveis.

Neste ano é muito improvável e no ano da próxima eleição presidencial, em 2022, também é. O ano para acontecer o impeachment é 2021. Se tiver que acontecer será no ano que vem”, diz.

Almeida argumenta que, para a viabilizar um processo de impeachment, a popularidade do presidente precisa encostar nos 10%. De acordo com a última pesquisa Datafolha, Bolsonaro é aprovado por 32% da população. A rejeição ao governo é de 44% e os que o avaliam como regular são 23%.

Levantamentos do mesmo instituto mostram uma alteração na composição da base de apoio do presidente. Em 2019, os mais pobres correspondiam a 32% do grupo que considerava o governo ótimo ou bom. Desde a pandemia e o início de pagamento do auxílio emergencial, o segmento de baixa renda passou a representar 52% de seus apoiadores.

Para Almeida, Bolsonaro percebeu a mudança e “descobriu um caminho”.

Bolsonaro perdeu apoio de quem deveria ser a base social em função da pandemia e ganhou apoio desse eleitorado que não é a sua base principal. Só que esse apoio depende de gastos”, analisa.

E completa: “Os R$ 600 por mês do auxílio emergencial representam um gasto de R$ 50 bilhões por mês. O Bolsa Família inteiro dá R$ 30 bilhões por ano. Então, essa ajuda dos R$ 600 é insustentável. O que ele pode fazer é turbinar o Bolsa Família”.

O governo, nas últimas semanas, passou a acenar para a criação de um programa chamado Renda Brasil. O objetivo é unificar o Bolsa Família com programas sociais já existentes e ampliar a base de apoio ao presidente.

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Com informações de CartaCapital.

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