Aurélio Matias: Juazeiro do Norte 109 anos. Viva a sua gente!


Aurélio Matias. (FOTO/ Reprodução/ Facebook).

Sempre que estou na colina do Horto e contemplo o Vale do Cariri cearense, observo o quanto a cidade, resultado do apostolado do Padre Cícero Romão, cresce constantemente. Para cá vieram povos de todos os cantos na esperança de uma nova vida. Síntese cultural do sertão nordestino, assim vejo Juazeiro do Norte.

Identifico a diversidade da cidade nos seus moradores, nos tipos populares, no seu movimentado comércio, nos seus mercados, nos congressos de fé e esperança do povo nordestino, as romarias! Na beleza do reisado, da arte dos seus mestres, no imaginário em madeira, na xilogravura, na literatura de cordel, nos jogos dos seus times Icasa e Guarani no Romeirão, nos Terreiros, nas Renovações, festa das famílias em que o próprio povo interpreta o evangelho. Para mim, a principal riqueza de Juazeiro do Norte, é o seu povo, a nossa gente.

Amo minha cidade natal, e por isso defendo um novo paradigma de gestão assentado na democracia, na solidariedade, na sustentabilidade e na inovação. Com uma população de quase 300 mil habitantes e um orçamento previsto de 685 milhões, a cidade tem força e capacidade de implantar políticas públicas capazes de minimizar o flagelo da fome e do desemprego. E melhorar a vida da maioria da população.

O exemplo civilizador do Padre Cícero continua vivo! Estimulou a educação e trouxe as inovações tecnológicas do seu tempo. Cobrou do Estado brasileiro a ação no socorro aos desvalidos, como também protestou contra governos que estavam vendendo as riquezas nacionais! Utilizou sua influência em prol da sobrevivência do seu povo ao se conciliar com oligarcas da República Velha, mas, abrigou em suas terras a comunidade igualitária do Caldeirão do Beato José Lourenço, que socorreu milhares de famintos durante a seca.

Neste aniversário de 109 de Juazeiro do Norte, é uma data para comemorarmos a resistência do nosso povo e juntar forças em amplo movimento para barrar o atraso que está o Brasil. Mas sobretudo lutar para que toda a nossa gente tenha direito à cidade.

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Texto encaminhado a redação do Blog por Aurélio Matias, professor, mestre em Ciências Sociais, diretor de formação sindical da APEOC e autor do livro “Resistência, Rota de Fuga e Refúgio: o Cariri cearense na ditadura militar

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