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| Alexandre Lucas. (FOTO | Acervo pessoal). |
Por Alexandre Lucas, Colunista
De tempos em tempos, o modo de produção capitalista reinventa processos de alienação em massa. A indústria cultural reproduz a lógica da dominação a partir de mecanismos simbólicos. Na concepção marxista, dois conceitos estão intimamente interligados dentro dessa perspectiva: forma e conteúdo. A febre da Farma Aura entre crianças e adolescentes é característica desse modus operandi, que utiliza o sensorial (estético) como ferramenta de engajamento social para o processo de alienação. Esse fenômeno vem sendo apropriado por gestores e parlamentares, que dão nova roupagem às suas narrativas, gerando um esvaziamento no debate das políticas públicas e da reflexão social.
Se a forma diz respeito ao modo como o produto simbólico é apresentado estética e socialmente, o conteúdo trata da própria ideia em si, do assunto a ser tratado. Na indústria cultural produzida pelas elites econômicas, a relação entre forma e conteúdo tende a ser drasticamente desigual, transformando o conteúdo em algo secundário e a forma em elemento primário, simplificado, direto, prazeroso, engajador e camuflador do conteúdo.
Um exemplo dessa relação pode ser percebido na música “Bomba no Cabaré”, da banda Mastruz com Leite, em que uma chacina de mulheres é transformada em alegria, deboche e descarte humano.
Os gestores e parlamentares, em tempos de Farma Aura, estão “farmando”: ninguém quer ficar de fora da dancinha e da comicidade para não perder engajamento nas redes sociais. A performance ganha espaço em contraposição ao debate e ao aprofundamento das questões civilizatórias. Gera-se também o fenômeno típico do neoliberalismo, que é a competitividade, o individualismo e a produtividade midiática, que reverbera na prática em: influencer, ativista e voluntariado. Ou seja, vai desestruturando as formas coletivas de organização e discussão política.
Essa seria uma nova lógica das elites econômicas para produzir mecanismos de comunicação que estabeleçam ideológica e politicamente o seu poder? Essa dimensão faz sentido quando observamos quem são os detentores da indústria cultural de massa. Quem detém as big techs, as emissoras de rádio e televisão? E quem controla os dados gerados voluntariamente pela classe trabalhadora para essa indústria?
Essa geração performática de gestores e parlamentares aponta para a necessidade de aprofundar o debate sobre um projeto de forma e conteúdo que coloque na centralidade a perspectiva de um outro projeto civilizacional e emancipacionista para a classe trabalhadora.

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