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| Alexandre Lucas. (FOTO | Acervo pessoal). |
Por
Alexandre Lucas, Colunista
A arquitetura
pública e a urbanização devem atender ao interesse público. Isso,
que parece óbvio, ainda é uma realidade distante dos mecanismos de
controle e participação social no planejamento urbano e na
concepção dos prédios de órgãos públicos, apesar de existir uma
prerrogativa a partir de alguns marcos legais, como o Estatuto das
Cidades e os Planos de Desenvolvimento Urbano.
Quando
a arquitetura e o urbanismo são resultado de uma elaboração
solitária, feita à distância da realidade, a tendência é que se
produza algo frio e distante das necessidades da população.
O
modelo de franquia da arquitetura e do urbanismo é uma tendência de
mercado que torna o poder público refém de uma lógica que não
atende à dimensão social nem à identidade urbanística e
arquitetônica.
Dentro dessa lógica, é fundamental submeter a
inversão de quem define. A população e os segmentos profissionais
atingidos em cada setor devem ter o direito de apresentar e definir
seus sonhos e necessidades, para que os profissionais da arquitetura,
da engenharia civil e do paisagismo transformem a dimensão empírica
e social em projetos que atendam ao interesse público, tendo como
preocupação central a redução dos impactos ambientais e a
promoção da qualidade de vida.
Pensar a arquitetura
pública e o urbanismo nas cidades é fundamental para contemplar a
durabilidade, a sustentabilidade, a acessibilidade, as etapas
geracionais da população, a segurança pública, a destinação de
áreas verdes que se contraponham à vegetação exótica e
comercial, as alternativas baseadas na natureza e a contemplação e
fruição estética.
Logicamente, isso deve estar alinhado
ao planejamento urbano da cidade, de forma a contribuir para
processos de integração urbana.
O urbanismo e a
arquitetura da escuta são fundamentais para ampliar o repertório de
entendimento da realidade social e dos anseios populares, servindo de
combustível para o desenho de uma cidade repleta de particularidade,
inovação e engenharias capazes de estabelecer identidades,
pertencimentos e cuidado comunitário. A arquitetura, a engenharia e
o paisagismo podem ter uma escala de humanização sem desconsiderar
os aspectos científicos.
Quando Burle Marx rediscute o
paisagismo brasileiro inserindo a vegetação nativa em seus
projetos, ele não aponta apenas uma ruptura estética, mas uma outra
lógica de pensar o público, considerando aspectos locais e a
contraposição à demanda predominante do paisagismo de mercado e
europeu.
Cada vez mais, a urbanização e a arquitetura
têm que se reinventar no sentido de radicalizar na redução dos
impactos ambientais, tendo na centralidade de seus projetos o
equilíbrio dos ecossistemas como elemento para minimizar os efeitos
da emergência climática, que não é pauta exclusiva do Meio
Ambiente, tendo em vista que é parte inseparável e estruturante da
sociedade.
A arquitetura e o urbanismo são instrumentos
fundamentais para garantir o prolongamento da vida humana, e isso
requer um debate profundo sobre qual projeto de desenvolvimento
queremos construir. A discussão sobre a constituição do espaço
urbano é fundamental para a construção do direito à cidade,
entendendo a cidade como espaço de disputa e contradição para uma
outra humanidade.

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