![]() |
| (FOTO | Reprodução). |
Celebrado neste 25 de julho, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra reafirmam a luta histórica das mulheres negras contra o racismo e as desigualdades que ainda marcam o Brasil. Mais do que uma data comemorativa, o dia é um chamado para refletir sobre os desafios enfrentados por quem continua ocupando a base da pirâmide social, mesmo sendo protagonista na construção do país.
A
data foi instituída em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Negras
Latino-Americanas e Caribenhas, realizado em Santo Domingo, na República
Dominicana. No Brasil, desde 2014, o 25 de julho também homenageia Tereza de
Benguela, líder quilombola que resistiu ao sistema escravista no século XVIII e
se tornou símbolo da luta das mulheres negras por liberdade e justiça.
Apesar
de representarem uma parcela significativa da população brasileira, as mulheres
negras continuam sendo minoria nos espaços de decisão. Um levantamento do
Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) aponta que pessoas negras
ocupam apenas 0,5% dos cargos de presidência (CEO) nas empresas listadas na
bolsa brasileira. O estudo também mostra que 82,6% dos cargos de alta liderança
são ocupados por pessoas brancas, evidenciando o tamanho da desigualdade racial
no ambiente corporativo.
A
disparidade também aparece nos salários. Segundo o 3º Relatório de
Transparência Salarial, divulgado pelos ministérios das Mulheres e do Trabalho
e Emprego, mulheres negras recebem, em média, apenas 47,5% do rendimento dos
homens não negros, permanecendo na base da estrutura salarial do país.
Os
obstáculos também dificultam o acesso aos cargos de liderança. Dados do
Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese),
com base na Pnad Contínua do IBGE, mostram que apenas 2,1% das mulheres negras
ocupadas exercem funções de direção ou gerência. O estudo revela ainda que
quase 40% das trabalhadoras negras estão na informalidade, índice superior ao
observado entre mulheres brancas.
A
desigualdade se estende para além do mercado de trabalho. As mulheres negras
também são as principais vítimas da pobreza, da insegurança alimentar, da
violência obstétrica, do feminicídio e da violência doméstica. Essas múltiplas
vulnerabilidades revelam como o racismo e o machismo atuam de forma combinada,
restringindo direitos e oportunidades.
Ao mesmo tempo, as mulheres negras seguem protagonizando movimentos sociais, a produção acadêmica, a cultura, a política e o empreendedorismo. O Julho das Pretas, mobilização organizada por coletivos e organizações de mulheres negras em todo o país, reforça que celebrar a data também significa reivindicar reparação histórica, representatividade e políticas públicas que garantam o bem viver.
Neste
25 de julho, lembrar a trajetória de Tereza de Benguela é também reconhecer as
milhares de mulheres negras que, todos os dias, transformam suas comunidades,
ocupam espaços historicamente negados e seguem enfrentando estruturas que
insistem em limitar seus direitos. Mais do que homenagens, a data evidencia a
urgência de combater as desigualdades raciais e de gênero que ainda persistem
no Brasil.
______
Com
informações do Notícias Preta.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Ao comentar, você exerce seu papel de cidadão e contribui de forma efetiva na sua autodefinição enquanto ser pensante. Agradecemos a sua participação. Forte Abraço!!!