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| Intelectuais negras e negros são homenageados em desfile cívico da EEEP Antonia Nedina Onfre, em Assaré. (FOTO | Reprodução). |
Por Valéria Rodrigues, Colunista
A Escola Estadual de Educação Profissional Antonia Nedina Onofre de Paiva, localizada no município de Assaré, no Cariri cearense, participou, na tarde deste sábado (5), de um desfile cívico em alusão à Independência Política do Brasil. A instituição que integrou o grupo de escolas percorreu as principais ruas do município durante a programação a partir da temática central “O Ensino Profissional Tecendo uma Educação Antirracista com Respeito, Inclusão e Equidade”.
Mais do que uma celebração cívica, a participação da escola foi marcada pela apresentação de uma proposta pedagógica voltada à valorização da diversidade, ao combate ao racismo e à construção de uma educação comprometida com a inclusão e a equidade.
Ao longo dos pelotões, a escola apresentou ao público diferentes dimensões do trabalho que vem sendo desenvolvido pela comunidade escolar no campo da Educação para as Relações Étnico-Raciais.
Escola transforma desfile em espaço de reflexão
Entre os destaques da apresentação esteve o segundo pelotão, que trouxe como subtítulo “Educação Insurgente: Tecendo Saberes Antirracistas, para Construir Novos Sentidos”.
Segundo o professor de História João Lucian, a escola foi apresentada simbolicamente como um grande tear, representando o processo de construção coletiva dos saberes e das práticas pedagógicas voltadas para uma educação antirracista.
A alegoria também serviu para homenagear escritores, intelectuais, pesquisadores e educadores que têm contribuído para fundamentar as ações desenvolvidas pela instituição na perspectiva da Educação para as Relações Étnico-Raciais.
Entre as personalidades homenageadas estiveram Lélia Gonzalez, Djamila Ribeiro, Abdias do Nascimento, Milton Santos, Cícera Nunes, Maria Telvira, Maria Ismênia, Givaldo Pereira e Nicolau Neto.
Mas quem são esses personagens?
Lélia foi uma escritora, professora, antropóloga e filósofa que muito contribuiu para os estudos e debates de gênero, raça e classe no Brasil e no mundo, além de ser referência nas discussões sobre feminismo negro no país. Abidas, foi ator, escritor e um dos maiores defensores dos direitos civis da população negra na história do Brasil. Milton foi o principal responsável por pela renovação da geografia crítica e um dos mais renomados intelectuais do Brasil no século XX. Dajamila, por sua vez, é um das principais vozes da negritude na atualidade. Professora, escritora e filósofa, usa sua influência nas redes sociais para se posicionar contra o racismo estrutural e em defesa do feminismo negro. Cícera Nunes, é um das principais vozes na luta por uma educação antirracista no ensino superior no cariri. Pedagoga, escritora e professora da Universidade Regional do Cariri (URCA), tem sido uma das articuladoras e coordenadoras do Congresso Internacional Artefatos da Cultura Negra que ocorre no cariri cearense. Já Maria Telvira, é historiadora, escritora e professora da URCA, sendo uma das vozes mais atuantes na defesa de um ensino superior que atenda as pluralidades.
Na educação básica, destaque para Maria Ismênia. Geógrafa, tem ocupado os espaços das salas de aula para reverberar seu compromisso com uma educação de fato antirracistas. Recentemente lançou o livro "As afrodescendências de Assaré: território, memória e construção da identidade negra". Givaldo Pereira, é historiador, professor da educação pública e privada em Juazeiro do Norte e é uma das vozes mais eloquentes e compromissadas na defesa de uma educação para as relações étnico raciais (ERER). Já Nicolau Neto, é historiador, professor da rede pública estadual de ensino lecionando História e Filosofia na EEMTI Padre Luís Filgueiras. Ele trabalha com temas ligados à história e cultura africana e afro-brasileira, combate às desigualdades raciais e promoção da diversidade, alé de escrever quase que diariamente em seu blog, o blog Negro Nicolau.
A escolha dos nomes evidencia a intenção da escola de aproximar a formação profissional de uma perspectiva educacional que reconheça a contribuição de intelectuais negros e negras e valorize diferentes produções de conhecimento na construção de uma sociedade mais democrática e racialmente justa.
Blog Negro Nicolau é utilizado como referência pedagógica
Ainda de acordo com João Lucian, o Blog Negro Nicolau também foi utilizado como suporte e referência para o desenvolvimento de práticas pedagógicas antirracistas na escola.
A utilização do blog como fonte de pesquisa e apoio às atividades reforça a importância de iniciativas de comunicação e produção de conhecimento comprometidas com a valorização da história e da cultura afro-brasileira e africana e com o enfrentamento ao racismo no ambiente educacional.
A experiência da Escola Estadual de Educação Profissional Antonia Nedina Onofre de Paiva mostra como espaços tradicionalmente associados às celebrações cívicas podem também ser transformados em ambientes de reflexão sobre questões sociais contemporâneas.
Ao levar para as ruas de Assaré referências negras e discussões relacionadas à equidade racial, a instituição inseriu no desfile uma mensagem pedagógica: educar também significa reconhecer diferentes histórias, sujeitos e saberes, enfrentando as estruturas de desigualdade que atravessam a sociedade brasileira.
Nesse sentido, o desfile não se limitou à representação simbólica da Independência do Brasil. A iniciativa também apresentou à comunidade uma experiência de educação comprometida com a construção de novos sentidos para a formação dos estudantes e com a perspectiva de uma escola cada vez mais antirracista, inclusiva e plural.
Clique aqui e confira vídeo que demonstra a homenagem a intelectuais negros e negros.
Abaixo cards com as(os) homenageadas(os):

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Bom dia ! Eita como VOCÊ é necessário nessa vida , nesse Cariri meu Preto Nicolau @Nicolau Neto NEGRER ! Sigamos ! 👊🏿🥰
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