30 de novembro de 2025

Preconceito na sala de aula atinge 79% dos adolescentes negros no Brasil

 

Imagem mostra um garoto negro estudando em sala de aula com outros alunos. (FOTO | Reprodução | Albari Rosa).

No Brasil, a escola ou faculdade é onde os negros da Geração Z mais presenciam situações de preconceito no dia a dia: 79% dos adolescentes e jovens pretos ou pardos já sentiram atitudes de discriminação nesses espaços, com 37% afirmando que os episódios são frequentes. É o que mostra a quarta edição da Pesquisa Diversidade Jovem do Espro (Ensino Social Profissionalizante), realizada em parceria com a consultoria Diverse Soluções e criada para mapear as percepções das novas gerações sobre os desafios relacionados à vivência de suas individualidades.

O estudo ouviu 3.203 adolescentes e jovens de todo o país, com idades entre 14 e 24 anos, atendidos por iniciativas de inclusão produtiva do Espro – cursos gratuitos de capacitação profissional, o Programa Jovem Aprendiz ou o Programa de Estágio. Do total de jovens consultados, 52% (1.671) se autodeclararam negros.

Segundo o levantamento, a escola ou faculdade também é o espaço em que os jovens negros mais se viram na condição de omitir ou esconder alguma característica pessoal: 39% deles afirmam já terem passado pela situação.

Depois da sala de aula, serviços como transporte público, consultórios médicos, restaurantes, lojas ou eventos são os meios em que os jovens negros mais sentem preconceito em suas rotinas, com 74% de lembrança e 26% dos consultados dizendo presenciá-lo muitas vezes ou sempre. Em terceiro lugar vem o ambiente familiar: 61% dos jovens dizem vivenciar casos de intolerância na convivência com pais, irmãos e outros parentes. Nos espaços religiosos, os relatos de preconceito tiveram 56% de indicações.

Preconceito aumenta entre jovens mulheres negras

Os índices são maiores numa filtragem por gênero. Segundo percepções das 1.081 jovens mulheres negras participantes da pesquisa, 81% já sentiram ou presenciaram situações de preconceito na escola ou faculdade; 77%, nos serviços como transporte público, consultórios médicos, restaurantes, lojas ou eventos; 66%, no ambiente familiar; e 60% nos espaços religiosos.

Trabalho é o espaço mais acolhedor

Para os jovens negros em geral, o trabalho é, disparado, o local mais acolhedor. A percepção de situações discriminatórias é de 34%, com 62% desse grupo de participantes da pesquisa afirmando nunca terem presenciado episódios de preconceito nas atividades profissionais. Apenas 6% afirmam que episódios de discriminação ocorrem muitas vezes ou sempre em seus empregos.

A empresa também é o local em que os jovens negros mais se sentem à vontade. Entre jovens pretos e pardos, 69% afirmam nunca terem se visto na condição de omitir ou esconder alguma característica pessoal no trabalho, com 28% assinalando já terem passado pela situação.

Perguntados se já se sentiram inseguros ou desconfortáveis de frequentar os ambientes considerados pela pesquisa, o trabalho também é o local menos lembrado pelos jovens negros, com 11%. Os espaços religiosos são os locais com maior indicação que esse tipo de situação já aconteceu, com 30% de menções.

A Pesquisa Diversidade Jovem Espro/Diverse foi realizada por meio de um questionário on-line, com coleta de respostas no período de 8 de outubro a 7 de novembro de 2025. O grau de confiabilidade é de 99%, com margem de erro de 2%.

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Com informações da Alma Preta Jornalismo.

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