Anúncio de ministérios causam primeiras críticas ao governo Bolsonaro


Bolsonaro 'não recuou em nada", disse Lorenzoni, sobre a fusão das pastas da Agricultura e Meio Ambiente.
(Foto: Avener Prado/FolhaPress).

Futuro ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro, o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) anunciou nesta terça-feira (30) a fusão dos Ministérios da Agricultura e Meio Ambiente, bem como a criação do "superministério" da Economia, que vai incorporar a atuais pastas da Fazenda, Planejamento e Indústria, Comercio Exterior e Serviços, a ser ocupado pelo economista Paulo Guedes. Os anúncios, porém, já causam as primeiras polêmicas e críticas ao presidente eleito.

O novo gabinete deverá contar com 15 ou 16 ministérios, e 80% desses nomes já estão definidos, mas "por questões estratégicas", serão revelados "mais para frente", segundo Gustavo Bebiano, ex-presidente do PSL e braço direito do novo presidente. Eles se reuniram com Bolsonaro no Rio de Janeiro para tratar da formação do novo governo.

A fusão das pastas da Agricultura e do Meio Ambiente representa um novo recuo de Bolsonaro, que chegou a propor a medida e depois voltou atrás após uma onda de críticas de entidades de defesa do meio ambiente, que alertaram para os riscos de submeter a as políticas de preservação ambiental aos interesses do agronegócio.

"O presidente não recuou em nada. Ele sempre disse que, assim como tem experiência em alguns Estados, como Mato Grosso, Agricultura e Meio Ambiente ficarão juntos”, disse Lorenzoni, confundindo com o estado do Mato Grosso do Sul, na verdade, que contam com a fusão das áreas numa mesma secretaria.

Para a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que reúne entidades ambientais, acadêmicos e representantes do agronegócio, a fusão dos ministérios coloca "em xeque" o equilíbrio necessário para as políticas públicas no setor. "Um órgão regulador não pode estar submetido a um setor regulado, por uma questão de coerência e boa governança", afirmam em nota.

"A atuação do Ministério do Meio Ambiente vai além das questões agrícola e florestal, envolvendo também, entre outras, o licenciamento de obras, o controle da poluição, o uso de produtos químicos e a segurança hídrica. O fortalecimento das instituições federais, como o IBAMA e o ICMBio, é condição essencial para assegurar o papel do Estado nestas agendas. Portanto, a agenda ambiental é muito mais ampla do que somente a pasta da Agricultura", afirma a Coalizão Brasil.

A candidata derrotada Marina Silva (Rede) também criticou a medida. Segundo ela, "nem bem começou o governo Bolsonaro e o retrocesso anunciado é incalculável". Pelas redes sociais, ela afirmou que a fusão do Meio Ambiente com a Agricultura representa um "triplo" desastre e inaugura "o tempo da proteção ambiental igual a nada".

Superministério

Segundo o jornal O Globo, a notícia da incorporação do Ministério de Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) à pasta única que será formada também pelas da Fazenda e do Planejamento, foi mal recebida pelo setor industrial brasileiro.

Em nota, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, afirmou que a entidade é contrária à extinção do Mdic e que a concentração de funções em um único ministério não contempla a solução esperada para os problemas das empresas que operam no país.

"Tendo em vista a importância do setor industrial para o Brasil, que é responsável por 21% do PIB nacional e pelo recolhimento de 32% dos impostos federais, precisamos de um ministério com um papel específico, que não seja atrelado à Fazenda, mais preocupada em arrecadar impostos e administrar as contas públicas", diz a nota assinada por Andrade."

Mais polêmicas

O general Augusto Heleno também já foi confirmado para comandar o ministério da Defesa. Também nesta terça-feira (30), em entrevista à Rede TV, Bolsonaro disse que o astronauta aposentado Marcos Pontes "está quase confirmado" para ocupar o ministério de Ciência e Tecnologia.

Ainda antes do resultado do segundo turno das eleições, Bolsonaro chegou a convidar o deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), um dos líderes da chamada bancada da bala, para "coordenar a bancada do governo", função atualmente sob responsabilidade à secretaria de Governo, que tem status de ministério, ocupada atualmente por Carlos Marum.

Fraga foi condenado, em setembro, a quatro anos de prisão pelo crime de concussão, sob a acusação de ter cobrado e recebido propina de R$ 350 mil de empresas de cooperativas de ônibus quando era secretário de Transportes do Distrito Federal. O deputado recorreu da condenação em primeira instância. (Com informações da RBA).

Bancada evangélica propõe extinção do Ministério da Cultura


(Foto: Saulo Cruz/Agência Câmara).

A Frente Parlamentar Evangélica, também conhecida bancada evangélica, elaborou um “manifesto à nação” com uma série de propostas que envolvem a “modernização do Estado”, “segurança jurídica”, “segurança fiscal” e “revolução na Educação”. O documento foi divulgado no último dia 24.

A bancada evangélica é uma das principais bases de apoio do presidente eleito Jair Bolsonaro e elegeu, este ano, 180 parlamentares. As propostas listadas no “manifesto” estão em total consonância com as ideias defendidas pelo capitão da reserva.

Uma das medidas propostas pelos parlamentares evangélicos é uma reforma ministerial para reduzir o número de ministérios de 28 para 15. Seriam extintos ministérios como o da Cultura e o da Ciência e Tecnologia – eles seriam incorporados ao Ministério da Educação. Também é prevista a extinção do Ministério do Meio Ambiente, que se tornaria uma secretaria do futuro Ministério do Agronegócio. Assim como Bolsonaro, a bancada evangélica quer criar o Ministério da Economia, que englobaria a Fazenda e o Planejamento.

Focando no “enxugamento” do Estado, o manifesto sugere ainda o “uso intensivo” da terceirização de mão de obra. Também propõe afrouxar os mecanismos que minimizam os impactos socioambientais com o intuito de beneficiar empresas. A ideia é criar um “teto” de compensação ambiental. “Reduzir as incertezas quanto às exigências para obtenção das licenças socioambientais e reduzir o tempo de concessão das licenças socioambientais”, diz o texto.

Para a área da Educação, os parlamentares seguem em consonância com Bolsonaro. Eles pretendem acabar com o que chamam de “ideologia de gênero” e “doutrinação marxista” nas escolas e propõem “rever” o Ensino Superior. Entre as ideias, está a instituição do que chamam de “Ensino Moral”.

Confira a íntegra do manifesto aqui.


Deputada aliada de Bolsonaro cria canal de denúncia contra professores "doutrinadores"


A deputada é cotada para a Secretaria de Educação de Santa Catarina. (Foto: Reprodução).

Os partidários de Jair Bolsonaro nem esperaram a posse formal do novo presidente em 1º de janeiro de 2019. Na noite do domingo 28, logo após o anúncio da vitória nas urnas do candidato do PSL, Ana Caroline Campagnolo, eleita deputada estadual em Santa Catarina pelo partido do ex-capitão, abriu um canal de denúncias na internet contra professores “doutrinadores”.

Campagonolo, cotada para ser secretária de Educação do estado, segue os passos da alemã AfD, legenda de extrema-direita, que criou um canal semelhante para que alunos denunciem a doutrinação nas escolas. No caso, a AfD estimula os estudantes a filmar professores que critiquem o partido.

"Garantimos o anonimato dos denunciantes", afirmou a deputada em uma rede social. Historiadora, Campagnolo processou a professora Marlene de Fáveri, da Universidade do Estado de Santa Catarina e sua ex-orientadora no mestrado, em 2016, por suposta "perseguição ideológica".

O caso foi julgado improcedente em setembro deste ano pelo 1º Juizado Especial Cível de Chapecó (SC), mas a deputada eleita

Segundo Campagnolo, "amanhã é o dia em que os professores e doutrinadores estarão inconformados e revoltados". Ela prossegue: "Muitos deles não conterão sua ira e farão da sala de aula um auditório cativo para suas queixas político partidárias em virtude da vitória de Bolsonaro. Filme ou grave todas as manifestações político-partidárias ou ideológica", diz a imagem.

Em resposta a alguns comentários em suas redes sociais, a deputada sugere aos estudantes: "Deixem o celular em casa e levem gravador e filmadora mesmo". Em outra resposta, reforçou que "é só se comportar direitinho que não precisa ter medo". (Com informações de CartaCapital).


Pela primeira vez desde a redemocratização, o Brasil terá dois militares no comando do país


(Foto: Reprodução/Revista Fórum).

Com um discurso de ódio, que atraiu apoios de organizações como a Ku Klux Klan, e apoiado pela direita ultra-liberal internacional de Stevie Bannon – ex-assesor de Donald Trump -, o capitão da reserva Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente do Brasil neste domingo (28) e pode levar o país a uma nova aventura autoritária, aos moldes da ditadura militar, elogiada por ele antes e durante a campanha.

Com 94,44% dos votos apurados às 19h18, Bolsonaro tem 55,44% dos votos válidos contra 44,46% de Fernando Haddad. Com Bolsonaro e o vice, General Hamilton Mourão, pela primeira vez desde a redemocratização, o Brasil terá dois militares no comando do país.

Militar reformado, Bolsonaro é deputado federal desde 1991 – há 7 mandatos – e foi eleito com um discurso de ódio ao PT, chegando a defender, em um comício no Acre, “fuzilar a petralhada”. Sua campanha foi feita principalmente pelas redes sociais e envolveu denúncias de Caixa 2. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, empresas pagavam por disparos em massa de mensagens falsas anti-PT e pró-Bolsonaro via WhatsApp.

Em discurso na avenida Paulista, prometeu em seu governo fazer “uma limpeza nunca vista na história desse Brasil” e foi mais além: “A faxina agora será muito mais ampla. Essa turma, se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós. Ou vão para fora ou para a cadeia. Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria. Essa pátria é nossa. Não é dessa gangue que tem bandeira vermelha e a cabeça lavada”. (Com informações da Revista Fórum).


Maioria pobre do País não sabe, mas pagará a conta se Bolsonaro vencer


A manifestação de terça, 23, participam Chico, Caetano e Mano Braw. (Foto: Ricardo Stuckert).


Mano Brown, rapper de 48 anos que saiu e entende da favela, tinha jurado para si nunca mais subir em palanque político, mas quebrou a promessa na terça-feira 23 à noite, ao participar, no Centro do Rio, de um ato a favor de Fernando Haddad, ao lado de Chico Buarque e Caetano Veloso.

Não consigo acreditar que pessoas que me tratavam com tanto carinho, pessoas que me respeitavam, me amavam, que serviam o café de manhã, que lavavam meu carro, que atendiam meu filho no hospital, se transformaram em monstros. Eu não posso acreditar nisso”, discursou o sempre carrancudo Brown, em alusão ao bolsonarismo que seduziu parte das periferias brasileiras.

Se em algum momento a comunicação do pessoal daqui (do PT) falhou, vai pagar o preço. Porque a comunicação é alma. Se não tá conseguindo falar a língua do povo, vai perder mesmo, certo? Falar bem do PT pra torcida do PT é fácil”, prosseguiu, entre vaias e aplausos. “Deixou de entender o povão, já era. Se nós somos o Partido dos Trabalhadores, o partido do povo tem que entender o que o povo quer. Se não sabe, volta pra base e vai procurar saber.
A desconexão petista com as bases foi causada pela burocratização do partido nos tempos no poder em Brasília e resultou num aparente esquecimento de que a razão primeira de ser do campo progressista no Brasil é melhorar as condições de vida da maioria pobre.

Diante dessa desconexão – exceção feita ao Nordeste, terra de 39 milhões de eleitores, 26% do total –, o candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro, do PSL, chegou favorito às vésperas do dia D. Tinha 50% contra 37% de Haddad em um Ibope da terça-feira 23 e 44% a 39% em um Vox Populi do dia seguinte.

As vítimas inconscientes da treva à vista que se preparassem para o pior. “As pessoas não sabem que estão votando contra si ao votarem no Bolsonaro”, diz Wellington Leonardo da Silva, presidente do Conselho Federal de Economia. O PT, afirma, foi tímido em expor as ideias do adversário, e a mídia não tinha interesse no assunto, para não contrariar seus anunciantes, bancos, grandes empresas.

Em junho, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, um clube de países desenvolvidos, mostrou que é cada vez mais difícil os pobres subirem na vida pelo mundo. A distância deles para os ricos aumenta desde a crise financeira global de 2008.
Por razões históricas, no Brasil é pior. Somos penúltimos em um ranking de ascensão social com 30 países, elaborado pela OCDE. Com Bolsonaro no poder, teoriza Leonardo da Silva, ficará mais grave. O deputado e seu guru econômico, o ultraliberal Paulo Guedes, planejam aprofundar a reforma trabalhista de Michel Temer, por exemplo. “Imagine uma pessoa trabalhando sem jornada limitada de horas, sem 13º, sem Previdência... Acabará a perspectiva de uma vida melhor, vão trabalhar só para sobreviver”, diz o presidente do Cofecon.

Com pouca grana no bolso, afirma, as pessoas dependerão mais do SUS e da educação pública, e estes vão sucatear com o congelamento de gastos por 20 anos aprovado por Temer e que Guedes promete manter.

Em 2019, a Saúde terá pela primeira vez menos verba em anos, 129 bilhões de reais, 1 bilhão a menos que este ano. Na surdina, o time bolsonarista sopra que quer cobrar mensalidade de universidades federais, ao menos de quem pode pagar.

Na quarta-feira 24, protestos contra o corte de gastos públicos terminaram em pancadaria em Buenos Aires. A polícia reprimiu com balas de borracha, gás lacrimogêneo e jatos d’água. A Argentina está em recessão, tem hoje o maior juro do mundo.

Em setembro, o governo anunciou o fechamento de dez ministérios, um deles foi o da Saúde, agora uma repartição de outra pasta.

Marca da gestão neoliberal de Mauricio Macri, a austeridade foi ampliada por um acordo de 57 bilhões de dólares com o FMI este ano. Guedes reza pela mesma cartilha neoliberal. Bolsonaro quer ter boa relação com Macri caso eleito, ambos conversaram por telefone em outubro.

Dá para imaginar como o ex-capitão trataria protestos. Em um ato na Avenida Paulista a seu favor no domingo 21, ele despontou em um telão com um aviso aos adversários petistas. Vai “varrer do mapa esses bandidos vermelhos do Brasil”, “ou vão para fora ou vão para a cadeia”.


Ciro Gomes vai gravar vídeo de apoio a Haddad, diz presidente do PDT


Ciro e Haddad durante o debate da TV Globo durante o primeiro turno. (Foto: Reprodução).


O presidente do PDT, Carlos Lupi, disse nesta sexta-feira, 26, que Ciro Gomes irá gravar um vídeo no qual vai declarar voto e um apoio mais enfático ao presidenciável do PT, Fernando Haddad. Lupi evitou garantir, no entanto, que Haddad e Ciro irão se encontrar ou que haverá tempo para que eles façam um ato público juntos.

"Ele (Ciro) já declarou (voto no Haddad), vai reforçar isso. Eu estou indo para o Ceará para conversar com o Ciro para saber como vamos fazer, mas que a gente vai fazer, vai. Não sei dá tempo para isso (fazer ato público ou subir no palanque), mas para a rede social nós vamos gravar um vídeo sobre isso", disse Lupi.

Segundo Lupi, os pedidos para um gesto enfático de Ciro têm sido feitos pelo próprio Haddad. "Falei com o Haddad na quarta-feira e ele me apelou muito por uma posição mais firme em torno da candidatura dele. E eu já fiz várias ações, fiz pronunciamento, fiz essa ação contra esse fake news do Bolsonaro, mas agora o mais importante é o Ciro pela candidatura que ele representa", contou.

Ciro retorna ao Brasil nesta sexta-feira, após passar quase todo o segundo turno de férias pela Europa. Desde que deixou o Brasil, lideranças do PT passaram a pedir que ele retornasse e participasse, de forma mais explícita, da campanha de Haddad.

Mais cedo, Haddad fez um novo aceno ao pedetista, durante coletiva de imprensa em João Pessoa. "Eu sempre espero o melhor das pessoas, e eu sei que o Ciro tem muita coisa boa dentro dele", disse. "Eu acredito que ele vai, agora chegando no Ceará, fazer um gesto importante pelo Brasil. Ele sabe que não é por mim, é pelo Brasil que fará esse gesto", complementou.

Não está confirmado ainda se Haddad irá até o Ceará para se encontrar com Ciro. Uma das razões é que o próprio presidenciável espera uma declaração "dura" do pedetista.

"Tenho maturidade suficiente para entender o comportamento das pessoas, e na política você sempre tem que ter postura de acolhida, sobretudo com quem pensa parecido com você. O Ciro é meu companheiro de longa data. Tenho certeza que ele vai fazer uma fala dura nesta reta final e nós vamos vencer juntos", disse o candidato do PT, em entrevista por telefone à Rádio Super Notícia, de Minas Gerais. (Com informações do O Povo/Agência Estado).

60 motivos para não votar em Bolsonaro


(Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil).


Um texto da jornalista Marília De Toledo Kodic, que circula nas redes sociais, lista 60 motivos que mostram que Jair Bolsonaro (PSL) não deve ser opção de escolha no segundo turno das eleições presidenciais.

Eu fiz o levantamento com rigor jornalístico. Passei algumas madrugadas pesquisando tudo para te escrever. Tenho todas as fontes de todas as matérias, estudos, entrevistas e vídeos. Sei que está enorme, mas valeu a pena escrever, e espero que valha a pena ler – mesmo que seja aos poucos, mesmo que seja só passando o olho. Quis incluir tudo”, disse a jornalista em sua página no Facebook.

SOBRE JAIR BOLSONARO

Corrupção

1. O PP (ao qual Bolsonaro foi filiado até dois anos atrás) é o partido com o maior número de deputados investigados pelo STF. Bolsonaro só saiu do PP porque não o admitiram como candidato à presidência. E, quando chegou ao atual, o PSL, houve uma cisão interna, e declararam, em comunicado oficial: “A chegada do deputado Jair Bolsonaro é inteiramente incompatível com o projeto de construir no Brasil uma força partidária moderna, transparente e limpa”.

2. No PSL, Bolsonaro admitiu receber R$ 200 mil de propina da JBS. Disse (está gravado em vídeo): “recebeu propina, sim, mas qual partido não recebe?”.

3. Nos últimos 12 anos (em que Bolsonaro e seus três filhos se dedicaram apenas à política), o patrimônio da família cresceu 427%, com indícios de lavagem de dinheiro. Um exemplo: adquiriram 2 casas num condomínio Barra da Tijuca por um terço do preço avaliado, e, matematicamente falando, as casas tiveram valorização de 450% nos últimos 8 anos – o que não aconteceu com nenhuma outra casa no mesmo condomínio. Como?

4. O irmão de Bolsonaro foi descoberto como “funcionário fantasma” da Alesp – ele recebia um salário de R$ 17 mil mas nunca apareceu no trabalho.

5. Foi descoberta uma “funcionária fantasma” de Bolsonaro – na teoria, era uma funcionária do gabinete parlamentar (paga com dinheiro público), na realidade, trabalhava na casa de veraneio dele em Angra dos Reis.

6. Bolsonaro pagou R$ 240 mil em dinheiro público a uma produtora de vídeo – que não existe a não ser no papel. Isso é gasto ilícito e crime de falsidade ideológica.

7. Quando questionado sobre o auxílio moradia que recebia (mesmo tendo diversas casas), Bolsonaro disse que usava o dinheiro público para “comer gente”.

8. O general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, escolhido por Bolsonaro para o Ministério da Defesa, recebia salário de R$ 59 mil (dinheiro público) no Comitê Olímpico Brasileiro. Segundo a lei, só poderia receber R$ 33 mil. Depois que isso foi divulgado, ele se demitiu.

9. Onyx Lorenzoni, além de ajudar a construir o programa de governo de Bolsonaro, é o seu articulador de apoios. No ano passado, ele confessou ter obtido R$ 100 mil em caixa 2 (dinheiro sujo = crime). “Vou ao ministério público e ao judiciário responder por este erro que cometi”, disse. Até hoje. não foi investigado por isso. Mas está investigado, no entanto, por caixa 2 no caso Odebrecht.

10. Paulo Guedes, responsável pela Economia no governo de Bolsonaro e escolhido como Ministro da Fazenda, está sendo investigado por fraude: captou R$ 1 bilhão de forma irregular. R$ 1 bilhão.

11. Bolsonaro está sendo acusado de usar caixa 2 nas eleições – um crime eleitoral. Ao menos 4 empresas financiaram com dinheiro sujo a compra de pacotes de distribuição de mensagens contra o PT por WhatsApp, no valor de 12 milhões de reais por pacote.

12. “Eu sonego imposto. Sonego tudo o que for possível”, disse Bolsonaro (em vídeo). Nada a acrescentar.

Atuação política

13. Muito se fala de o Brasil “virar uma Venezuela caso o PT ganhe”. Em 1º lugar, isso nunca aconteceu em anos de governo do PT. Em 2º, a Venezuela tem um governo civil autoritário com apoio militar – exatamente o que Bolsonaro defende. Numa entrevista à Veja anos atrás, Bolsonaro disse: “Chávez [presidente da Venezuela e símbolo da esquerda] é uma esperança para a América Latina e gostaria muito que essa filosofia chegasse ao Brasil. Ele vai fazer o que os militares fizeram no Brasil em 1964, com muito mais força. Na verdade, não tem nada mais próximo do comunismo do que o meio militar. Acho ele ímpar”.

14. O partido de Bolsonaro foi o mais fiel a Temer neste ano (mais do que o partido do próprio Temer), de acordo com análise de votações realizadas na Câmara. Com 82% de rejeição, Temer é o presidente mais impopular da história do país.

15. Bolsonaro votou a favor da PEC 241, que congela os gastos do governo em áreas como saúde e educação durante 20 anos. Ao longo de 27 anos como deputado, ele tem votado a favor do aumento dos salários, benefícios e gastos de deputados e senadores. Faz sentido?
16. Bolsonaro foi um dos dois deputados a votar contra a PEC das domésticas, que garantiu direitos básicos de trabalhador com carteira assinada a mulheres que trabalhavam em regime de semi-escravidão.

17. Bolsonaro foi o único deputado a votar contra o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza, que visa diminuir a desigualdade direcionando recursos públicos para programas de nutrição, habitação, educação e saúde.

19. Bolsonaro defende esterilização de pobres como solução para miséria e crime. “Devemos adotar uma rígida política de controle da natalidade. Não podemos fazer discursos demagógicos, cobrando recursos e meios do governo para atender a esses miseráveis que proliferam cada vez mais por toda esta nação.” “Tem que dar meios para quem, lamentavelmente, é ignorante e não tem meios controlar a sua prole. Porque nós aqui controlamos a nossa. O pessoal pobre não controla.” “Só tem uma utilidade o pobre no nosso país: votar. Título de eleitor na mão e diploma de burro no bolso.”

20. Bolsonaro tentou fazer com que diversos projetos de lei controversos (para dizer o mínimo) fossem aprovados na câmara. Exemplos: uma lei que tira o direito das vítimas de violência sexual de terem atendimento emergencial, outra que desbloqueia o uso de celulares e radiotransmissores em presídios, e outra que faz com que nenhum homicídio cometidos por militares seja investigado.

21. Em 27 anos como deputado, Jair Bolsonaro aprovou o total de 2 projetos. Dois.


Jarid Arraes lança na França livro sobre Dandara, líder do movimento negro do Quilombo dos Palmares


A escritora Jarid Arraes nos estúdios da RFI Brasil, em Paris. (Foto: Elcio Ramalho - RFI Brasil).

Em turnê por várias cidades francesas para divulgar o lançamento de seu livro sobre Dandara, uma personagem histórica pouco conhecida do movimento negro brasileiro, a escritora Jarid Arraes se diz surpresa pelo interesse despertado pela obra.

Esse assunto tem despertado muito interesse, não apenas pela curiosidade, pelo Brasil, a escravidão. Mas também porque a França foi um país colonizador. A escravidão é um tema que também se relaciona com a França, e aqui também é um tema tabu. É algo que acrescenta”, garante.

Segundo Jarid, os encontros com estudantes brasileiros e franceses, brasilianistas e o público geral das cidades de La Rochelle, Rennes e Paris, tem gerado mais do que a simples curiosidade por um capítulo ainda pouco explorado na história do país. “É uma maneira de discutir esse tema, sem culpa, polêmica, mas com diálogo”, acrescenta.

Companheira de Zumbi dos Palmares, grande líder quilombola do século 17 contra a escravidão no Brasil, Dandara teve um papel ofuscado na história do movimento negro. “Ela também foi líder e guerreira, também estava na frente das lutas contra a escravidão”, lembra.

A ideia de escrever um livro partiu de um trabalho mais amplo de pesquisa sobre as mulheres negras que marcaram a história do país. Em uma reunião do movimento negro, do qual é militante, Jarid Arraes ouviu pela primeira vez o nome de Dandara, que se tornaria a futura personagem de seu primeiro livro.

Intrigada, Jarid buscou conhecer mais profundamente a personagem e, diante da constatação de que havia pouca informação sobre ela - considerada por muitos uma lenda - decidiu se lançar em um grande desafio.

Já que ela era uma lenda, decidi escrever sobre as lendas de Dandara, porque nem isso a gente tem. Daí surgiu a ideia do livro e a necessidade de resgatar essas mulheres que são muito inspiradoras”, argumenta.

Recorrendo à ficção para suprir dados históricos não conhecidos, como local, data de nascimento, origens e a própria condição de escrava, Jarid recheou o enredo com imaginação, muita religiosidade e a presença de orixás. “Adotei esses elementos para mostrar muitas religiões de origem africana que também são muito marginalizadas no Brasil e no mundo”, justifica.

Racismo e machismo

Em seu trabalho de pesquisa, a escritora identificou dois grandes obstáculos que impediram o resgate mais preciso e contundente da vida de uma mulher fundamental na existência do Quilombo dos Palmares.

A história da resistência contra a escravidão não foi contada nem registrada com todas as glórias, como o outro lado foi. Ali já começa o racismo”, afirma. Outro problema, segundo ela, é o de gênero. “É o machismo. Conhecemos o Zumbi, homenageado no dia 20 de novembro, transformado no Dia da Consciência Negra. Bem ou mal, superficialmente ou não, todos conhecem. Mas a Dandara, companheira dele, as pessoas não conhecem. Essa é uma tendência da história. As mulheres, companheiras ou namoradas, ficam ofuscadas, à sombra”, insiste.

Livro será adaptado para as telas

A primeira edição do livro “As lendas de Dandara” foi custeada do próprio bolso, por meio de um empréstimo e de forma independente, em 2015.

No ano seguinte, o livro foi publicado com o selo da Editora de Cultura. Com cerca de 12 mil exemplares vendidos até o momento, a obra se tornou um sucesso e os direitos já foram comprados pela rede Globo para transformar o livro em uma série. “Tive informações de que será um musical, o que ainda é mais interessante”, adiantou.

Mais do que a adaptação nas telas, seu maior orgulho é ver seu trabalho sendo transmitido pelos tradicionais meios de educação. “A repercussão é muito boa e é muito utilizado em escolas, que era o que eu mais queria”, afirma.

Na França, primeiro país que traduziu sua obra, “Dandara et les esclaves libres” ("Dandara e os escravos livres", em português) é uma aposta da editora Anacoana, especializada em literatura brasileira e novos autores do país.

Estou muito feliz, comecei esse livro sem ter nada, investindo dinheiro do próprio bolso. Hoje, vejo ele chegando em um outro país. Isso mostra o potencial, não da carreira de uma escritora, mas como algo que é coletivo e de uma história que é relevante, de algo que é uma reparação histórica”, conclui. (Com informações do Ceert).