28 de abril de 2022

Ação do Poste Poesia será realizada neste sábado

 

(FOTO | Reprodução |WhatsApp).

Por Naju Sampaio*

A ação Poste Poesia será realizada neste sábado, dia 30, às 15:30. A atividade tem como ponto de encontro a sede do Coletivo Camaradas e depois percorrerá o Território Criativo do Gesso para as colagens. Desenvolvida desde 2013, pelo Coletivo Camaradas, a ação tem caráter comunitário e possui como objetivo contribuir com a construção de uma cultura leitora e com o acesso à literatura.

As poesias são selecionadas de acordo com um formulário virtual que é disponibilizado nacionalmente e ficam armazenadas em um banco de dados. Para utilização na atividade é selecionado um trecho, juntamente com o nome do autor ou autora. A intervenção já foi feita em mais de 50 cidades através do fornecimento desse banco para diversas organizações.

Segundo Tayná Batista, coordenadora do Poste Poesia, a intervenção auxilia na divulgação das poesias, e facilita o acesso das pessoas à escrita e à literatura, principalmente por conta da dificuldade de publicação de livros e partilha das escritas. Em todo último sábado do mês é reunido um grupo de pessoas que desejam contribuir com a ação e são feitas as colagens nos postes do Território Criativo do Gesso.

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* Naju Sampaio é estudante de jornalismo e bolsista/integrante do Coletivo Camaradas.

27 de abril de 2022

11 anos do Blog Negro Nicolau

 

11 anos do Blog Negro Nicola. (FOTO/ Referente aos 10 anos celebrado com encontro virtual com equipes de colunistas pelo Google Meet).

Por José Nicolau, editor

27 de abril é dia de celebrar. O Blog Negro Nicolau (BNN) está completando uma década de lutas e de construção de outras narrativas. São 10 anos de atuação em defesa da promoção de uma sociedade menos desigual e menos intolerante, com equidade racial e de gênero.

Fundado em 27 de abril de 2011 inicialmente alcunhado de “Altaneira Infoco” e posteriormente “Informações em Foco”, o Blog Negro Nicolau vem com esta denominação deste de 2017.

O Blog é uma mídia negra livre. Foi construída com a missão de ser um espaço de comunicação de denúncia de todos os casos de segregação racial e de propor uma narrativa distinta da veiculada pelos polos de comunicações tradicionais, esteriotipada e que não questiona as estruturas racistas. Busca oferecer uma narrativa que destaca de forma afirmativa o povo negro deste país. É uma mídia de denúncia - inclusive diante desta pandemia que acentuou o racismo estrutural - de combate e de enfrentamento ao sistema, mas também de empoderamento, de identificação e de afirmação. 

Esse espaço conta com seis colunistas e tem como parceiros o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação, Gênero e Relações Étnico-Raciais (NEGRER) da URCA; a Associação Cristã de Base (ACB), A Academia de Letras do Brasil/ Seccional Araripe (ALB/Araripe); a Rádio Comunitária Altaneira FM, o Projeto ARCA e os sites Identidade 85 e Intelectual Orgânico.

26 de abril de 2022

Enredo sobre “as sete chaves de Exu” dá à Grande Rio título de 2022 das escolas de samba

 

Escola de Caxias teve seu primeiro campeonato no carnaval carioca com o enredo "Fala, Majeté! Sete chaves de Exu" - Gabriel Monteiro/Riotur.

A Acadêmicos do Grande Rio venceu nesta terça-feira (26) o Carnaval de 2022 das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro. A agremiação de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, desfilou na madrugada do último sábado (23), na Marquês de Sapucaí, com o enredo "Fala, Majeté! Sete chaves de Exu", que desmistificou a imagem ruim de um dos orixás mais importantes de religiões de matrizes africanas.

A Vermelho, Verde e Branco de Caxias é a escola mais jovem a desfilar no Grupo Especial e foi fundada em 1988. Apesar da pouca idade, a Grande Rio colecionou algumas quase vitórias até a esperada vitória. Ela foi vice-campeã em 2006, 2007, 2010 e 2020.

O gosto dos jurados coincidiu com o "barulho" que a escola conseguiu criar nas redes sociais logo após seu desfile. Por isso, a Grande Rio vinha sendo apontada como a favorita ao título.

Nos primeiros quesitos lidos nesta tarde, a Grande Rio disputava a liderança com a Beija-Flor de Nilópolis, mas a Azul e Branco acabou perdendo pontos em categorias como "Comissão de Frente" e "Alegorias e adereços" e ficando com o vice-campeonato. Os outros quesitos julgados foram "Fantasias", "Harmonia", "Samba-enredo", "Bateria", "Enredo", "Mestre-sala e porta-bandeira" e "Evolução".

A Viradouro, que fez um desfile sobre aquele que ficou conhecido como "o maior carnaval de todos os tempos" por ser o primeiro depois da Gripe Espanhola de 1918, ficou como a terceira colocada. Já a Vila Isabel, que fez um desfile em homenagem ao cantor e compositor Martinho da Vila, ficou em quarto lugar.

A São Clemente, que desfilou no sambódromo carioca com um enredo sobre o humorista Paulo Gustavo, que morreu em maio do ano passado em decorrência de complicações da covid-19, foi rebaixada e desfilará na Série Ouro em 2022.

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Com informações do Brasil de Fato.

25 de abril de 2022

Carnaval fora de época, mas dentro do tom

 

"Enquanto houver racismo, não haverá democracia", diz a mensagemm levada pela Beija-Flor de Nilópolis para a Sapucaí Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo

Depois de um recesso forçado pela pandemia, o Carnaval 2022 sublevou a lógica do calendário gregoriano ao ocorrer depois da Quaresma no Brasil. Porém, ao encarnar uma espécie de imersão espontânea e coletiva da comunidade do samba em suas raízes africanas, a festa não poderia ter se dado mais dentro do tom.

Como antecipei em janeiro no artigo “Hoje cativeiro é favela”, muitos dos enredos do grupo especial do RJ e de SP trouxeram temas relacionados à influência negra na construção da nossa sociedade, exaltando a cultura, o culto aos orixás, a resiliência e o talento herdados dos africanos.

Mazelas decorrentes do racismo institucionalizado desfilaram pelas avenidas: a cor da pele como fator determinante para a prisão de inocentes, os homicídios que vitimam de maneira seletiva e preferencial pretos e pardos e o vandalismo em terreiros de candomblé. Também não faltou exemplo do desleixo com a segurança pública, o que coloca em risco vidas como a da menina negra que perdeu a perna e morreu depois de ser prensada entre um poste e um carro alegórico.

Tudo exposto aos olhos do mundo em forma de espetáculo cênico musical na maior festa popular do país. Uma verdadeira catarse frente a manifestações reiteradas de ódio e ataques às liberdades, às instituições e à democracia. Foi lindo ver a alegria de um povo que subverte a lógica, resiste e insiste em ser feliz.

Para completar, uma coincidência fez com que o período dos desfiles compreendesse o 23 de abril, dia dedicado aos festejos de Ogum, orixá guerreiro, que quebra demandas e abre caminhos, afastando inimigos e injustiças.

Evidente que o Carnaval não é invenção brasileira, mas o espetáculo grandioso dos últimos dias é genuinamente nacional e o surgimento das escolas de samba se deu entre as classes populares, na década de 1920. Num momento turvo, nada mais simbólico do que um desfile essencialmente dedicado a falar de pertencimento, representatividade e respeito à diversidade.

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Por Ana Cristina Rosa, na Folha de São Paulo e reproduzido no Geledés.

Tranças nagô ou mandraka: racismo e privilégio branco

(FOTO |Reprodução | Internet).

“Imagine encontrar algo que te faça sentir especial e conectado com sua identidade e de repente esse mesmo símbolo seja utilizado justamente por quem historicamente lhe fez sentir inferior? É como sobrepor camadas que nos distanciam daquilo que nascemos para ser”, pontua a artista visual Íldima Lima.

As tranças, penteados usados principalmente pelas mulheres há centenas de anos carregam a identificação – além da estética – de tribos, estados civis, religiões e posições sociais. No Egito Antigo, por exemplo, quem possuía muitas tranças passava mensagens de riqueza material e também de abundância. Dentre os penteados, o mais antigo registrado é a trança nagô, de origem africana, que consiste numa trança rasteira, rente ao couro cabeludo.

Durante o período da escravidão no Brasil, as tranças eram utilizadas para identificar as tribos de origem dos escravizados, e até mesmo serviam como mapas e rotas para as fugas planejadas. É o que diz o artigo “Longa História de Penteados com Tranças”, do pesquisador e tricologista Evandro Carvalho.

No entanto, a trança nagô recebeu outro nome nos últimos tempos: a trança madraka. Para Íldima Lima, detentora da marca Illi (como também é conhecida) e idealizadora da exposição “Negras Cabeças”, essa ressignificação das tranças gera um certo apagamento da cultura e estética negra. Illi salienta que é contra qualquer tipo de linchamento, mas também ressalta que as pessoas têm lidado com a importância da trança nagô de maneira superficial.

“Está acontecendo o apagamento do termo Nagô em decorrência do uso da palavra Mandraka. Para além de toda polêmica que envolveu a origem do termo, o que mais importa é o resultado disso, ou seja, intencional ou não, criou-se esse novo termo para definir um estilo de trançado ancestral que sempre foi usado pela cultura negra – e, consequentemente, marginalizado –, de maneira a torná-lo aceitável”, enfatiza.


De acordo com a artista visual, que elaborou a exposição “Negras Cabeças” a partir de uma vasta pesquisa a respeito dos penteados e adornos de cabeça utilizados pelas mulheres negras da África, a trança mandraka simboliza uma violência da expressão cultural negra, “não apenas pela banalização do uso, mas principalmente pela reclassificação do termo, como se essa nova roupagem na grafia viesse acompanhada de uma validação social, naturalizando o uso como algo estiloso, moderno e jovial”, pondera.

Apagamento cultural

“Ao usarmos essas tranças [nagô], devemos honrar e respeitar a sua origem, perpetuando o sentido. As associações e reformulações de nomenclatura são graves porque, historicamente, são formas de apagamento cultural e se posicionam como uma forma contemporânea de apropriação e transplantação cultural através da ressignificação e aceitação social do uso validado pela incorporação da branquitude”, avalia Illi.

Para a pesquisadora e trancista Amanda Coelho, conhecida como Diva Green, a modificação de “nagô” para “mandraka” é uma das facetas do racismo estrutural no Brasil. Ela pontua que a estética negra serve para além do visual, sendo uma ferramenta de demarcação de território em uma sociedade racista que mantém vivo o apagamento histórico negro.

“Por meio dos nossos cabelos, adornos e vestimentas, contamos histórias e ativamos memórias as quais se conectam com a autoestima de nossa população negra, nos trazendo pertencimento e fundamentos de nossas matrizes africanas. Mudar o nome significa nos afastar desses lugares que nos potencializam. É estratégia do racismo”, afirma.

Illi, por sua vez, pondera que esse apagamento, que começa com a discreta associação das tranças, é algo que já aconteceu repetidamente com outros signos e símbolos identitários esvaziados de significado após serem engolidos, remodelados e incorporados pela cultura branca dominante.

“Em toda minha vida, a primeira pergunta que me faziam ao me ver de trança era se e como eu lavava meu cabelo. Duvido fortemente que se faça esse ou outro questionamento similar a uma mulher branca de tranças, o que certamente é substituído por um elogio exaltando a personalidade e estilo dessa mulher, coisa que nunca nos foi destinada”, diz.

“Em resumo, a pergunta que sempre devemos fazer é: o que faz com que um tipo de trançado passe de algo sujo ou feio a estiloso e bonito? A resposta seguramente estará associada ao momento em que a cor da pele que ostenta o penteado passou de preta para branca, um reflexo inegável do nosso racismo estrutural”, completa a artista visual.

Branco pode usar tranças?

Diva Green salienta que além de se apropriar dos símbolos negros, o racismo estrutural faz a população negra adotar outras culturas, a fim de promover uma falsa aceitação que, na opinião dela, faz parte de um processo de dominação. Porém, quando o povo preto retoma o uso de sua estética, como os penteados de origem africana, ocorre o retorno à ancestralidade, que cria novos imaginários e entende a beleza como parte de outros olhares, vivências e histórias.
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Com informações do Alma Preta. Clique aqui para ler o texto completo.

24 de abril de 2022

Procura-se a padaria    

 

Imagem puramente ilustrativa | Divulgação 

 

Por Alexandre Lucas, Colunista

Manhã de sol escondido, dois dedos de café quente, feito com muito pó e pouco açúcar. Algumas linhas escritas no bloco de rascunho que carecia de folhas em branco, no horizonte uma carga imensa de perguntas depositadas.  As rosas se espreguiçavam, era o tempo delas.  

Enquanto tomava os dois dedos de café, visitava cada incômodo da casa de sua cabeça. Olhou demoradamente para o quarto, a cama bagunçada com histórias incompletas e a luz apagada, que faziam os pensamentos tropeçarem.

Xícara com café tomada até a última partícula do grão. Mais dois dedos para tomar, antes de sair para comprar o pão. Olhou os espinhos da roseira, apertou forte, sangrou, limpou com as pétalas de rosa, tão macias. Saiu, deixou, um dedo de café, talvez esperando, o pão.   

O pão já estava pronto, há horas. A padaria da esquina abre cedo para alimentar parte da classe trabalhadora. Seguiu como era de costume, mas os costumes não duram a vida toda. O café continua no mesmo lugar, um dedo, frio, forte e amargo, talvez tenha mudado um pouco, ou qualquer outra coisa tenha acontecido. O pão não chegou. Dizem que até hoje o caminho da padaria continua mudando. 

Da Aldeia Mãe para a sala de aula: Conheça Felipe Tuxá, primeiro professor indígena da Ufba

 

Felipe Tuxá, o primeiro professor autodeclarado indígena da Ufba (Acervo Pessoal/Felipe Tuxá).

Foi entre gente ávida por futuro que Felipe Tuxá, 31 anos, cresceu, de modo que até o cachorro da família dele ganhou o nome de “Projeto”, palavra que fazia sonhar. Era um território imerso em possibilidades aquele onde o antropólogo aprendeu a mergulhar no horizonte, enquanto os anciões indígenas planejavam: “Quando a terra sair...”. Nessas reticências, cabiam planos que nem erros históricos sufocaram.

Cada um da Aldeia Mãe da comunidade Tuxá traçou seu projeto de futuro, depois de terem suas terras inundadas por uma barragem. Felipe acaba de realizar parte do dele: aprovado no concurso para professor do Departamento Antropologia na Universidade Federal da Bahia (Ufba), será o primeiro docente autodeclarado indígena da instituição que tem 75 anos - 200 alunos se autodeclaram indígenas.

Em todo o departamento onde Felipe atuará, pelo menos oficialmente, não há alunos da graduação ou pós-graduação que tenham se autodeclarado indígena na matrícula.

Até de responder, fico emocionado. É um sonho, não vou mentir. É um projeto ancestral, que vem de longe e significa muita coisa. Significa que é possível, as coisas estão mudando, conta o Doutor em Antropologia pela Universidade de Brasília (UNB).

De linhagem tradicional, Felipe é  um projeto vivo da Aldeia Mãe, no Norte baiano, onde há 60 casas. Lá, ele não ocupa uma posição solitária: é um dos três professores de universidades públicas nascidos no território, transformado em referência indígena na educação formal.

Hoje, por exemplo, cinco jovens crescidos na aldeia estudam Medicina em universidades públicas baianas. O irmão de Felipe também é médico e trabalha no distrito indígena de Kalankó, em Alagoas, a 48 quilômetros de distância de Paulo Afonso, onde ele mora.

O cenário educacional era diferente na infância de Felipe e do irmão, Pedro, quando os pais deles decidiram pela mudança para Paulo Afonso, onde os filhos pudessem estudar. Em meados da década de 90, a comunidade não tinha uma escola, instalada apenas em 2001 e que modificaria a realidade sociopolítica local.

A busca pela educação como resistência

O avô de Felipe, Antônio, era conselheiro da Aldeia Mãe e incentivava os mais jovens a estudarem - formalmente.

Ele falava muito que precisávamos estudar, sermos também os ‘doutores’. A gente percebia que as pessoas que encabeçavam a luta [indígena] eram importantes, mas todas eram não indígenas. Não tínhamos o resultado que esperávamos, conta Felipe, pesquisador em violação de terras indígenas baianas.

A necessidade de pensar o futuro, uma semente semeada em conjunto, surgiu de uma ferida aberta do passado. Em 1987, a construção da Usina de Itaparica inundou as terras originárias do povo Tuxá, ilhas margeadas pelo Rio São Francisco, e obrigou as famílias a se mudarem para outros territórios.

Os mais velhos viviam a dizer "quando a terra sair" porque a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), responsável pela barragem, tinha prometido uma terra para eles. A frase cheia de expectativa, que Felipe tanto ouviu na infância, inspirou parte do título da dissertação de mestrado dele.

Sem destino certo, o povo Tuxá estabeleceu aldeamentos nos limites de três municípios: Ibotirama, Inajá (Pernambuco) e Rodelas, onde Felipe nasceu.

A mudança para Paulo Afonso não anulou o contato dele com a Aldeia Mãe. Aos finais de semana e em datas festivas, eles viajavam até a comunidade, a 110 quilômetros de distância. O endereço dele, na cidade, já era repleto de vizinhos vindos da aldeia.

Essa migração era fundamental para quem não conseguia subsistir devido às limitações agrárias da nova morada. A Aldeia Mãe é uma aldeia urbana, termo sem significado unânime, mas que pode ser entendido como aquele território integrado ao espaço urbano ou o núcleo de indígenas que vivem na cidade.

Foi na aldeia que Felipe teve o os primeiros contatos com antropólogos. O pai dele, motorista da Fundação Nacional do índio (Funai), constantemente ia a Brasília. “Vou ali buscar um antropólogo”, ele dizia.

Esses antropólogos vinham e resolviam as coisas. Eu via como mágica, recorda.

Aos 17 anos, o jovem tinha certeza de que queria seguir esse caminho de “resolver as coisas” e aproximar a vida profissional à luta do povo Tuxá. Três anos depois, partiu para Belo Horizonte, aprovado no vestibular para Ciências Sociais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O futuro batia à porta.

A terra prometida e a criação da escola indígena

Quando Felipe chegou em Minas Gerais, não existiam, formalmente, políticas afirmativas consolidadas para a entrada de pessoas indígenas em universidades públicas. Eram as instituições que criavam mecanismos para isso, como a criação de vestibulares específicos para estudantes indígenas, que se juntavam em grupos para resistir ao racismo que os agredida e estigmatizava.

As universidades federais de Minas Gerais e de Brasília, onde Felipe fez mestrado e doutorado em Antropologia, eram duas das instituições que investiam na inclusão. Somente em 2012, a lei de Cotas obriga as universidades públicas a reservarem vagas para indígenas - também para negros e egressos da rede pública de ensino.

A política teve efeito: de 2010 a 2019, o número de estudantes indígenas no ensino superior, em Salvador, saiu de 310 para 1.455, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Felipe faz parte desse movimento de inclusão no ambiente acadêmico e ser professor da Ufba era um dos principais projetos dele, que passou por uma semana de provas até a aprovação no concurso, anunciada na noite de 8 de abril.

Para mim, é simbólico. A Bahia é onde a colonização começou. Estar na Ufba significava onde eu deveria estar para pensar nossa existência nesse espaço que também é indígena, comemora.

Desde 2018, ele já era professor universitário: era substituto no curso de Licenciatura Intercultural em Educação Escolar Indígena, voltada para a formação de professores da rede básica indígena, da Universidade do Estado da Bahia (Uneb).

Enquanto aguarda a nomeação na Ufba, que deve ocorrer nos próximos três meses, Felipe conclui o ciclo como professor substituto da Uneb. Como nunca morou em Salvador, Felipe deve vir à cidade em maio para resolver a mudança. Aqui, ele tem outros parentes, como a artista indígena Yacunã Tuxá, vinda da mesma aldeia de Felipe.

Um dos colegas de trabalho que o antropólogo se despedirá, em Paulo Afonso, é Dorival Júnior Jurum Tuxá, 32, historiador e primo dele. Desde jovem, como Felipe, ele viu na educação a chance de fortalecer as lutas indígenas e ter possibilidades. Ele é outro professor da licenciatura voltada a docentes indígenas.

É necessário fornecer uma educação de qualidade que fortaleça o vínculo do indígena com seu território, mostrando que ele tem o direito de escolha por uma profissão, mas que possa favorecer também a comunidade”, acredita o pesquisador.

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Com informações do Correio 24h. Clique aqui e acesse o texto completo.

CEERT lança prêmio de equidade racial e de gênero

 

(FOTO |Pixabay).

O Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT) lança a 8ª edição Prêmio Educar com Equidade Racial e de Gênero: experiências de gestão e práticas pedagógicas antirracistas em ambiente escolar e as inscrições estão abertas até o próximo dia 21 de maio.

Segundo a organização do Prêmio, o Educar tem como objetivos identificar, apoiar e difundir boas práticas pedagógicas e de gestão escolar que promovam a equidade racial e de gênero, concretizando com qualidade o direito ao pleno desenvolvimento escolar de crianças, adolescentes e jovens.

O Prêmio é dividido em duas categorias: Professor e Escola. A categoria Professor é dividida em duas modalidades: práticas pedagógicas executadas – realizadas entre 2019 e 2021 e projetos de práticas pedagógicas ainda não executadas. Já a categoria Escola conta apenas com a modalidade Gestão com Equidade e Antirracista (GEA).

Serão eleitas oito propostas na categoria Professor, sendo que cada uma levará o prêmio de 7 mil reais, além de um kit de livros na temática de equidade racial e de gênero na educação básica. Será ofertado também um curso virtual de formação continuada no mesmo tema.

Na categoria Gestão de Escola, os vencedores também receberão o curso e o kit. Além disso, cada uma das oito propostas eleitas na etapa final do processo de seleção receberá equipamentos para a escola, elegíveis numa listagem fornecida pelo CEERT, dentro do valor de 10 mil reais. Para mais informações e realizar as inscrições, acesse o site do CEERT.

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Com informações do Noticia Preta.