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| Os candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026, Luís Inácio Lula da Silva (à esquerda) e Samara Martins (à direita). (FOTO | Reprodução | Ricardo Stuckert e UP). |
Apenas cinco dos 13 candidatos à Presidência da República apresentam propostas específicas para o combate ao racismo em seus planos de governo: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ronaldo Caiado (PSD), Samara Martins (UP), Edmilson Costa (PCB) e Hertz Dias (PSTU).
Os
outros oito candidatos não apresentam medidas direcionadas à igualdade racial
ou ao enfrentamento das desigualdades que atingem a população negra.
A
comparação dos programas de governo, feita pela Alma Preta, mostra diferenças
na forma como a questão racial entra nos programas. Caiado, Samara e Hertz
dedicam seções específicas ao tema. Edmilson Costa inclui o racismo entre os
eixos de seu programa. Lula distribui propostas relacionadas à população negra
por diferentes áreas, como educação, segurança, saúde e igualdade racial.
Entre
os candidatos que não apresentam propostas específicas estão Flávio Bolsonaro
(PL), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).
Também
não foram identificadas medidas de combate ao racismo nos planos de Augusto
Cury (Avante), Rui Costa (PCO), Wilton Grassi (Democrata) e Clariana Barão (DC)
e Pablo Marçal (PRTB).
Propostas de Caiado e de Lula
O
plano de Ronaldo Caiado apresenta uma seção própria para a questão racial,
intitulada “Tema 22 – Racismo”. O
documento reconhece a maioria negra da população brasileira, a diversidade dos
povos indígenas e o papel das comunidades quilombolas.
Entre
as propostas estão metas de equidade por raça, território e gênero nas áreas de
educação, saúde, segurança, trabalho, habitação e crédito. O programa prevê
planos de correção quando as diferenças persistirem. Também propõe medidas de
proteção à juventude negra contra a violência e o recrutamento por facções.
Na
segurança pública, Caiado propõe auditorias de sistemas de reconhecimento
facial e videomonitoramento para identificar vieses raciais e enfrentar o
racismo algorítmico. O plano também aborda a saúde da população negra, com
referências à hipertensão, diabetes, doença falciforme e mortalidade materna.
A
proposta inclui ainda a regularização territorial de comunidades quilombolas,
medidas contra a intolerância religiosa, protocolos para crimes raciais e ações
de combate ao racismo no esporte.
No
caso de Lula, o racismo não aparece em um capítulo isolado, mas o tema surge em
diferentes partes do plano. O documento afirma que pretende manter o “combate ao racismo no centro da estratégia
de desenvolvimento” e prevê a continuidade da política de cotas no serviço
público, além da regulamentação do Estatuto da Igualdade Racial.
O
programa também cita as cotas nas universidades, a Política Nacional de
Equidade e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ) e a titulação de territórios
quilombolas. Em outras áreas, inclui o racismo entre os crimes que devem
receber atenção das estruturas de investigação e cita a proteção da juventude
negra na segurança pública.
Cotas, quilombolas e segurança aparecem
entre propostas da esquerda
Os
planos de Edmilson Costa, Hertz Dias e Samara Martins — que são os únicos
candidatos autodeclarados negros na corrida à Presidência — apresentam seções
específicas para a questão racial e relacionam o racismo às desigualdades
econômicas e sociais.
Edmilson
Costa coloca o tema no eixo “Enfrentamento
radical ao racismo e defesa dos povos originários”. O candidato propõe o
fim do genocídio da população negra e indígena, o combate aos ataques às
religiões de matriz africana, a ampliação das cotas para 54% da população negra
e a titulação imediata dos territórios quilombolas.
O
programa também defende cotas raciais em concursos públicos das forças de
segurança, a desmilitarização das polícias e medidas contra a criminalização
das culturas periféricas e dos bailes funk. Para o trabalho, prevê a
expropriação de empregadores que estimulem ou tolerem práticas racistas.
Hertz
Dias dedica uma seção chamada “Programa
para a Questão Negra” ao tema. Entre as propostas estão a manutenção e
ampliação das cotas para negros em universidades e serviços públicos, a
aplicação da Lei 11.645/2008, que estabelece o ensino de história e cultura
afro-brasileira e indígena, e o combate à intolerância contra religiões de
matriz africana.
O
plano também prevê a titulação de terras quilombolas e o direcionamento de
recursos do Banco do Brasil para a agricultura familiar e quilombola. O
candidato propõe ainda multas e expropriação para empregadores que tolerem
racismo no trabalho e relaciona o combate à desigualdade racial a medidas
trabalhistas, como o fim da escala 6×1, a redução da jornada e o fim da
terceirização.
Samara
Martins apresenta uma seção chamada “Combate
ao Racismo”, com dados sobre desemprego, saneamento, letalidade policial e
encarceramento da população negra. O documento afirma que a luta contra o
racismo é inseparável da transformação econômica e social.
Entre
as propostas estão medidas de reparação histórica e cultural, como a alteração
de nomes de ruas e monumentos ligados a escravistas e ditadores. O programa
também defende a aplicação das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, a ampliação de
vagas reservadas à população negra no serviço público e a titulação de
territórios quilombolas.
Na
segurança pública, Samara propõe a desmilitarização das polícias e formação
policial com foco no antirracismo. O plano também defende o fim da violência de
Estado contra a população negra e medidas contra o que classifica como
genocídio da juventude negra e periférica.
Oito candidatos não citam combate ao
racismo
Entre
os candidatos analisados, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Renan Santos não
apresentam propostas específicas de combate ao racismo, igualdade racial ou
enfrentamento das desigualdades raciais.
O
plano de Flávio Bolsonaro cita povos indígenas e comunidades quilombolas, mas
as referências aparecem em discussões sobre autonomia econômica, mineração,
agronegócio e bioeconomia. Não há, nesses trechos, medidas destinadas ao
combate ao racismo.
No
programa de Romeu Zema, as referências a povos indígenas tratam da exploração
econômica de recursos em seus territórios e da saúde indígena. O documento não
apresenta uma proposta específica para enfrentar o racismo ou promover a
igualdade racial.
O
plano de Renan Santos não apresenta propostas sobre racismo, igualdade racial,
população negra ou comunidades quilombolas. A única referência a povos
indígenas trata da exploração de minerais em terras indígenas.
Também
não foram identificadas propostas específicas de combate ao racismo nos planos
de Augusto Cury, Clariana Barão, Pablo Marçal, Rui Costa e Wilton Grassi.
_________
Com
informações da Alma Preta Jornalismo.

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