13 de agosto de 2026

De 2022 para 2026, 786 candidatos mudam autodeclaração de cor ou raça

(FOTO |Marcelo Camargo | Agência Brasil).

Um levantamento realizado pelo g1, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), identificou que 786 candidatos registrados para disputar as eleições de 2026 mudaram a autodeclaração de cor ou raça em relação à declaração feita no pleito de 2022.

O número representa 4,5% das 17.413 candidaturas registradas até as 19h30 de quarta-feira (12), quando os dados foram analisados. Como o período de registro de candidaturas ainda não havia terminado, os números são parciais e podem sofrer alterações. Entre as mudanças identificadas, a mais frequente foi a de candidatos que declararam ser brancos em 2022 e passaram a se declarar pardos em 2026. Foram 308 casos.
Na sequência, aparecem os candidatos que fizeram o movimento inverso: 262 pessoas que se declaravam pardas em 2022 passaram a se declarar brancas neste ano. Somadas, as duas alterações representam 570 casos, ou 72,5% de todas as mudanças registradas. Além das alterações entre as categorias branca e parda, também foram identificadas mudanças envolvendo outras classificações de cor ou raça utilizadas pela Justiça Eleitoral.
A alteração da declaração entre uma eleição e outra, por si só, não significa que tenha ocorrido irregularidade. Especialistas ouvidos pelo levantamento apontam que diferentes fatores podem explicar as mudanças, como erros no preenchimento do registro, mudanças na forma como a própria pessoa se identifica racialmente ou decisões relacionadas à estratégia eleitoral.

Número de mudanças caiu em relação a 2022
O levantamento também mostra que a quantidade de alterações na autodeclaração é menor neste ano do que na eleição de 2022.

Naquele pleito, 2.510 candidatos haviam declarado uma cor ou raça diferente da informada na eleição anterior, o equivalente a cerca de 9% dos registros analisados à época.

Entre 2020 e 2022, 938 candidatos que haviam se declarado brancos passaram a se declarar pretos ou pardos. O movimento chamou atenção justamente porque a autodeclaração de cor ou raça pode ter impacto na distribuição de recursos públicos destinados às campanhas.

Desde decisões da Justiça Eleitoral, os partidos precisam considerar a proporção de candidaturas de pessoas negras, grupo formado por pretos e pardos, na distribuição dos recursos dos fundos eleitoral e partidário e do tempo de propaganda eleitoral.

Os dados utilizados na análise são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foram levantados e analisados pelo g1. Como o prazo para o registro das candidaturas ainda estava aberto, o número de candidatos que alteraram a declaração de cor ou raça pode aumentar até o encerramento dessa etapa do processo eleitoral.
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Com informações do Notícia Preta. 

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