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| O projeto tem como base a Lira Nordestina, em Juazeiro do Norte, símbolo histórico da produção cordelista no País. (FOTO |CeArt). |
A implantação da Escola Brasileira de Literatura de Cordel e Xilogravura avançou após reunião entre representantes da Universidade Regional do Cariri (Urca), da Universidade Federal do Cariri (Ufca) e do Ministério da Cultura (MinC), consolidando um debate estratégico sobre a criação de um espaço permanente de formação, pesquisa e extensão dedicado à literatura de cordel e à xilogravura. A iniciativa tem como eixos centrais a preservação do patrimônio cultural, a salvaguarda da memória e o fortalecimento da cultura popular nordestina e brasileira, a partir do Cariri.
Para o secretário de Formação Artística e Cultural, Livro e Literatura do MinC, Fabiano Piúba, a escola é construída em consonância com as políticas públicas do Ministério da Cultura, especialmente no campo da formação artística e cultural e das políticas do livro, leitura e literatura. “O projeto dialoga diretamente com a atuação da secretaria, ao reunir essas duas frentes estratégicas em uma proposta integrada”, afirma o secretário. De acordo com Piúba, o MinC avalia a escola como um instrumento relevante para a preservação e valorização da literatura de cordel e da xilogravura, além de reconhecer e fortalecer o papel dos mestres e mestras dessas tradições, contribuindo para a continuidade e a transmissão desses patrimônios culturais brasileiros.
Fanka Santos, professora titular do curso de Biblioteconomia da Ufca, pós-doutora em linguística e coordenadora da escola, avalia que a iniciativa assume um papel estratégico na preservação e ressignificação da memória cultural nordestina. De acordo com a professora, o projeto de implantação da escola vai além da formação técnica de artistas e alcança também o público, a audiência e os ouvintes dessas linguagens, por meio de um currículo voltado ao desenvolvimento econômico, pedagógico e sustentável do território. “A escola passa a exercer um protagonismo fundamental ao cuidar da ‘inteligência social e cultural’ do cordel e da xilogravura, o que envolve o tratamento de acervos, a divulgação das linguagens, o incentivo à pesquisa, à economia criativa, à editoração e à comunicação”, disse a coordenadora.
O projeto surge em um contexto de valorização dos saberes tradicionais e de reconhecimento do papel das universidades públicas na formulação de políticas culturais. Ao propor a criação da escola, a parceria entre a Urca, Ufca e o MinC, busca institucionalizar práticas culturais que, por décadas, foram mantidas principalmente por meio da oralidade, da transmissão comunitária e da atuação de mestres e mestras da cultura popular, garantindo sua continuidade e ampliando o acesso ao conhecimento.
Aglaíze Damasceno, Pró-Reitora de Cultura (ProCult) da Ufca, artista e professora adjunta do curso de Design da universidade, além de integrante do Instituto Interdisciplinar de Sociedade, Cultura e Artes, destaca que a escola surge para fortalecer as duas linguagens que nomeiam a escola, buscando também a valorização e divulgação da cultura no Cariri cearense. “A parceria da Ufca e da Urca soma e promove o encontro de duas instituições de ensino através das manifestações da cultura popular e da academia, e promove ainda o ensino, a pesquisa e a cultura”, disse a professora.
Desafios da preservação da literatura de cordel e xilogravura
A proposta da Escola Brasileira de Literatura de Cordel e Xilogravura reconhece essas expressões como patrimônios culturais que demandam ações sistemáticas de preservação, documentação e difusão. Nesse sentido, a iniciativa pretende contribuir para a organização e salvaguarda de acervos, a produção de registros históricos e a valorização dos artistas populares como agentes fundamentais da memória cultural. A respeito da atuação, a escola fruto da parceria entre as instituições será construída como um espaço de referência para o estudo dessas linguagens, articulando conhecimentos acadêmicos com os saberes tradicionais, e promovendo o reconhecimento institucional dessas práticas culturais.
Ao tratar dos desafios para organizar, preservar e dar acesso aos acervos de cordel e xilogravura, Santos destaca, inicialmente, a necessidade de espaços físicos adequados. Segundo a professora, é fundamental a criação de lugares de memória, como escolas, bibliotecas especializadas ou museus capazes de acondicionar essa produção intelectual dos povos tradicionais nordestinos. Fanka ressalta ainda que, mesmo nas bibliotecas públicas, o cordel só passou a ocupar maior espaço recentemente, sobretudo após o reconhecimento dessas linguagens como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2018.
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Texto completo no Brasil de Fato CE.

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