25 de junho de 2026

Estudantes de Santana do Cariri constroem murais da representatividade e valorizam histórias que transformam

 

Painel com algumas ações desenvolvidas nas escolas de Santana do Cariri. (Montagem | Blog Negro Nicolau).

Por Valdenízio Nascimento, Professor e Articulador das ações da PNEERQ no município de Santana do Cariri

Em atendimento às Leis 10.639/03 e 11.645/08, dentro da Política Nacional de Equidade, das Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ), Santana do Cariri tem dado passos importantes no que se refere às ações afirmativas da Cultura afro-brasileira, africana e indígena.


Nos espaços escolares municipais as ações afirmativas são uma constante, pois elas são desenvolvidas com o objetivo de superar as desigualdades, promover a Equidade e o combater o racismo. Atividades coletivas como, Plano de ação articulado, criação de protocolos, planejamentos direcionados, formações continuadas para professores e gestores, palestras, criação de rotinas para o planejamento das aulas, coletas de dados para ajustes das ações a serem desenvolvidas, rodas de conversas, campanhas de autodeclaração, Saraus, seminários, exposições, produção de murais e mostras culturais e monitoramento constante são para  potencializar o protagonismo estudantil, a cultura afro-brasileira, africana e indígena para que no futuro, as próximas gerações do nosso município tenham consciência e criticidade da importância da reparação histórica dos povos que com muitas lutas contribuíram e contribuem para a construção da história e do desenvolvimento social do nosso país. 

Panel com algumas ações da educação antirracista nas escolas de Santana do Cariri.(FOTO | Reprodução | WhatsApp).

No geral, os murais de representatividade e todas as atividades afirmativas, sejam elas na sala de aula, no pátio ou na quadra da escola municipais têm um potencial diferenciado e vão muito além de meras atividades ou simples exposições. Eles têm uma simbologia e significados de reconhecimento pessoal, de reparação histórica, de respeito, de luta, de resistência, de ancestralidade, de culturas e de identidade. Neles as crianças e jovens que estão nas escolas se veem, passam a compreender que a escola é plural, que todos somos pessoas com inteligência, beleza própria, cultura, estilos e crenças. Que devemos cultivar o respeito mútuo.

As Leis 10.639/03 e 11.645/08 não são somente números frios. Elas são a reparação da história da diáspora, fazem justiça aos povos escravizados, são resultados das lutas dos movimentos negros ao longo dos séculos. Que representam mais da metade da população brasileira e são   obrigatórias nas escolas do país. O NÃO cumprimento das mesmas é uma demonstração de intolerância e desrespeito à legislação vigente.  Deve- se pensar nas crianças e jovens que são silenciados, que se sentem invisíveis, que são deixados de lado, que são desrespeitados, que não se sentem parte do processo de ensino aprendizagem e que acabam não aprendendo de forma equalitaria e que terminam por abandonar a escola causando uma evasão que compromete vidas e futuros. Os números no Brasil têm cores e lugares e eles são representados por pessoas negros e negras que vivem nas periferias.

O caminho para um futuro melhor está na Educação e é por meio dela, nas escolas, que devemos abrir caminhos, dar oportunidades, restaurar a autoestima, dar voz aos silenciados e permitir que esses discentes se reconheçam dentro da escola, vejam a escola como um lugar onde podem aprender, se desenvolverem, que a escola é um lugar lutas antirracistas, que a escola combate a intolerância religiosa e que combate injustiças. Um trabalho coletivo gera resultados extraordinários. Esse deve ser o compromisso e a obrigação de todos nós.

Dentre as representatividades negras da região do Cariri, destaque para Cícera Nunes e Maria Telvira, professoras da Universidade Regional do Cariri (URCA); o professor recéml-aposentado da URCA, Mota;  Ana Paula, professora da Universidade Federal do Cariri (UFCA ); a advogada e integrante do Grupo de Valorização Negra do Cariri (GRUNEC), Lívia Nascimento; Janaína, presidenta GRUNEC e o professor da rede estadual de ensino do Ceará e editor deste blog, Nicolau Neto. Foi trabalhado também a escritora cearense Jarid Arraes; Carolina Maria de Jesus, dentre outras(os).

Abaixo outras fotos:





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Texto encaminhado a redação do Blog.

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