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| Leia Mulheres Negras entrega acervo com 80 livros de autoras negras para cada escola parceira do projeto. (FOTO | Reprodução | WhatsApp). |
Por Itamara Meneses*
O projeto Leia Mulheres Negras: por uma educação inclusiva, multicultural e libertadora realizou a entrega de um acervo com 80 livros de autoria de mulheres negras para cada uma das escolas parceiras da iniciativa.
Vinculado à Secretaria de Articulação Intersetorial e com os Sistemas de Ensino (SASE/MEC), o projeto de extensão da Universidade Regional do Cariri (URCA) é coordenado pela professora Itamara Freires de Meneses, do Departamento de Ciências Sociais. A equipe é composta por estudantes bolsistas dos cursos de Ciências Sociais, História, Letras e Direito, evidenciando a importância da interdisciplinaridade na construção de uma educação mais democrática e inclusiva.
Participam do projeto as(os) bolsistas: Ana Beatriz da Silva, Anna Julita Batista Freire Agapto, Bruno Levi da Silva Beserra, Cícera Eduarda da Silva de Alencar, Fábia Yhasmin Gomes de Sousa, Francisca Evelyn Soares dos Santos, João Pedro de Araújo Silva, Joyce Mayra Correia, Leidiane dos Santos Pereira, Letícia Felix Dias, Maria Eduarda Ramos de Alencar, Maria Estefene Moreira Souza, Maria Olivia Alves da Silva, Sabrina de Sousa e Verlucia Nogueira do Nascimento, além do bolsista voluntário Jeferson Leandro de Oliveira.
O principal objetivo do projeto é promover a valorização e o acesso às epistemologias produzidas por mulheres negras, contribuindo para o enfrentamento do epistemicídio e ampliando o repertório teórico, cultural e político de estudantes, docentes e da comunidade escolar. Por meio da criação de clubes do livro e de espaços de diálogo, a iniciativa estimula a reflexão crítica sobre o racismo, o sexismo e outras formas de desigualdade social presentes na sociedade brasileira.
O projeto desenvolve ações em três escolas de educação básica: a EEMTI Prefeito Raimundo Bezerra de Farias (Liceu do Crato), no município do Crato (CE), a EEMTI Polivalente e a EEM Governador Adauto Bezerra, ambas localizadas em Juazeiro do Norte (CE). Nessas instituições, são realizadas aulas, oficinas, debates, rodas de leitura e atividades lúdicas voltadas para a promoção de uma educação antirracista e antissexista.
Além das atividades nas escolas, acontece quinzenalmente, na URCA, o Clube do Livro Leia Mulheres Negras. A cada encontro, uma obra de autoria de uma mulher negra é selecionada para leitura e discussão coletiva entre bolsistas, estudantes e demais participantes. A atividade é aberta ao público e se constitui como um importante espaço de formação, troca de experiências e fortalecimento do pensamento crítico.
O projeto também amplia seu alcance por meio de ações realizadas em outras escolas e instituições de ensino superior, atendendo a convites para palestras, oficinas e atividades formativas.
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| Entrega de livros pelo projeto Leia Mulheres Negras. (FOTO | Reprodução | WhatsApp). |
Ao celebrar esse momento, ecoam as palavras da escritora Carolina Maria de Jesus:
Fiquei alegre ao olhar o livro e disse: ‘O que eu sempre invejei nos livros foi o nome do autor’. E li o meu nome na capa do livro: Carolina Maria de Jesus. Diário de uma Favelada. Quarto de Despejo. Fiquei emocionada.
Inspiradas por esse relato, reafirmamos que um dos aspectos mais significativos do projeto é honrar e dar visibilidade às mulheres negras que, assim como Carolina, escrevem a vida, interpretam o mundo, produzem conhecimento e constroem novas formas de compreender a realidade social. Suas produções literárias e científicas constituem importantes contribuições para o conhecimento e merecem reconhecimento, circulação e permanência.
O Leia Mulheres Negras é, ao mesmo tempo, um convite à leitura, uma denúncia das ausências históricas e um chamado à transformação. É também uma demonstração de que o mundo pode e deve ser lido por múltiplas perspectivas. Entre elas, destacam-se as perspectivas das mulheres negras, marcadas por sua potência, sensibilidade e capacidade de revelar realidades que, por muito tempo, foram silenciadas. Ao lê-las, ampliamos horizontes, questionamos certezas e aprendemos novas formas de compreender, existir e transformar o mundo.
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* Doutora em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); Mestra em Ciências Sociais (UFRN). Graduada em Ciência Sociais pela Universidade Regional do Cariri – URCA; Professora do Curso de Ciências Sociais da URCA e coordenadora do Leia Mulheres Negras.


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