12 de março de 2022

Um panorama da imprensa negra do Brasil pós-abolição até os dias de hoje

(FOTO/ Reprodução).

Os jornais impressos sempre foram locais estratégicos para a publicidade das ideias e análises de homens e mulheres negros, que pelo domínio da escrita, do acesso à educação formal e pelo ativismo social se apresentaram como pensadores e intelectuais do seu tempo. Escapando das amarras de se entender a população negra somente a partir da sua corporeidade, como nos lembraria Stuart Hall, em que se reserva ao corpo negro a lógica do trabalho, do perigo, do exotismo, da sensualidade e se abomina ou descarta a sua capacidade intelectual e criativa.

A escrita é uma das expressões da cultura, em sentido amplo, a partir da qual se exerce a mediação das explicações que integram os modelos conceituais com os quais representamos o mundo. E em um mundo em transformação, como foi a passagem do século 19 para o 20, o que homens e mulheres negros fizeram no pós-abolição? Será que se portaram como críticos sociais e idealizadores de outros projetos de futuro?

As publicações da imprensa negra entram em cena para cultivar e colher um mercado de opiniões sobre temas sensíveis para a coletividade negra, como racismo e raça, o lazer e a cultura, os valores morais do trabalho, a noção de nação, os entendimentos sobre cidadania, os repertórios de urbanidade e respeitabilidade. E a celebração de personagens negros, como Luiz Gama, a Mãe Preta, Henrique Dias, Zumbi dos Palmares, José do Patrocínio. Além de ventilar a situação da população da diáspora africana em outros cantos do mundo. Também se analisava o funcionamento das instituições e sobre como o mundo do escravismo modificava-se e, depois da abolição, transbordava para os novos tempos republicanos.

Nos jornais da imprensa hegemônica, a população negra, na maioria das vezes, aparecia por um viés racializado: nas charges, nas vagas de empregos, nas análises sociais, nas páginas policiais, nos cadernos de cultura e esporte, que criavam um repertório acerca dos afrodescendentes e conformava visões de mundo excludentes, hierárquicas ou estereotipadas. Como não poderiam publicar nessa imprensa, ou quase nunca tinha acesso para tensionar essa torrente negativa de textos e imagens, a criação de jornais negros foi uma saída e uma urgência, inclusive para pautar os temas que lhes interessavam.

As publicações negras pipocaram, em todo o território nacional, desde o século 19. O marco foi o pasquim, O Mulato ou O Homem de Cor, publicado pelo tipógrafo fluminense Paula Brito, no ano de 1833, que trazia questões sobre as falhas da cidadania conferida a negros livres e libertos, contrariando os princípios da Constituição brasileira de 1824, e alertava sobre a precária situação dos “homens de cor” não escravizados. Ana Flávia Magalhães nos deixa a par de outras publicações da incipiente imprensa negra brasileira do século 19, como o Brasileiro Pardo e O Lafuente, que circularam na corte na década de 1830, e O Homem, que apareceu no Recife, em 1876, e tinha como objetivo “promover a união, a instrução e a moralização dos homens de cor pernambucanos” e denunciava que já não havia “mais nesta província um só emprego de alta importância e consideração que seja exercido por homem de cor”, apontando como o critério racial foi sendo introduzido como linha de corte para a ocupação de certos cargos públicos, à medida que o século 19 avançava.

Quando a abolição veio, em 1888, e a partir do advento da República, a imprensa em geral assumiu um papel “civilizador” contra o analfabetismo e as práticas ‘incultas’, além de divulgar interesses de grupos políticos desempenhando um papel de peso no jogo eleitoral, mas também na formação da opinião pública. Nesse período, também vimos o surgimento de jornais alternativos que criaram repertórios de luta e identidade, de pedagogia e solidariedade, para grupos sociais específicos, como a população negra, mas também operários, mulheres, imigrantes. Nessa fase, temos o jornal Exemplo, de Porto Alegre, que circulou entre 1892 a 1930, e também A Alvorada, de Pelotas, publicado entre 1907 e 1965, com algumas interrupções. Ainda no Rio Grande do Sul, temos A Tesoura (1924), A Revolta (1925), O Tagarela (1929). Sobre os jornais negros de Minas Gerais, temos A Verdade (1904), que circulou na cidade de Pouso Alegre, e o Raça (1935), de Uberlândia.

Saltando para São Paulo, temos A Pátria, de 1889, e O Progresso, cujo primeiro número é de 1899. Na primeira metade do século 20, houve uma profusão de publicações negras paulistas, como O Baluarte e Getulino, de Campinas; na capital circularam O Menelick (1915), O Xauter (1916), A Rua (1916), O Bandeirante (1918), O Alfinete (1918), A Liberdade (1919), A Sentinela (1920), Kosmos (1922), Clarim d’Alvorada (1924), Elite (1924), Progresso (1928) e A Voz da Raça (1933). Sendo que A Voz foi a publicação oficial da mais importante organização negra da primeira metade do século passado, a Frente Negra Brasileira, que funcionou entre 1931 e 1937.

Embora com vida efêmera, pelas dificuldades de sustentar sua publicação regular e contínua, boa parte dos jornais negros teve esta marca: eram órgãos dos locais de reunião da população negra e serviam para lançar sua programação e a vida social dos seus membros. E neles os associados e convidados publicavam suas análises e impressões sobre variados temas. Naquilo que Ana Flávia Magalhães, já citada, chamaria de “jornais feitos por negros; para negros; veiculando assuntos de interesse das populações negras”. Embora o público leitor fosse muito além e o debate e denúncias ali gerados reverberassem em toda a sociedade. Outras publicações surgiram ao longo da segunda metade do século 20, principalmente nos momentos de democracia, como entre 1945 e 64, como os jornais O Novo Horizonte, Mundo Novo, A Voz da Negritude, o Mutirão, Notícias de Ébano, Nosso Jornal e as revistas Senzala (1946) e Níger (1960).

Nos anos finais da ditadura militar e durante a redemocratização do país, a sociedade civil se rearticularia com mais vigor. Em 1978, foi fundado o Movimento Negro Unificado (MNU), que trouxe à tona novos temas e diretrizes para o movimento e o mais importante: a contestação ao “mito da democracia racial” que, desde os anos 30, serviu para demover as denúncias do racismo estrutural, o que foi piorado pelo cerceamento do regime militar, que via com maus olhos o debate racial e a ação dos movimentos sociais.

Nessa fase, foram fundados vários jornais por muitas pessoas que passaram pelo MNU. Foi o caso do Tição (1977), de Porto Alegre, ou o Objetivo (1977), da cidade mineira de Uberaba, e a Voz do Negro (1984); em BH, o Áfricas Gerais (1995). Em Salvador, na primeira metade da década de 80, os jornais Nêgo, AfroBrasil, Elêmi. Ou em São Paulo, ainda na década de 70, os jornais O Saci, Negrice, Jornegro, Vissungo; ou o Irohin (1996), em Brasília. Tantos outros órgãos da imprensa negra vieram a lume, em diversos lugares do país: no Rio, em São Luís, no Recife, em Florianópolis.

Foi o caso da revista Raça, de circulação nacional e grande apelo estético e comercial, cuja primeira edição é de setembro de 1996. A existência material das publicações, a linha editorial adotada, a busca pelos anúncios, os textos e imagens selecionados, as escolhas de quem e o que devia ser publicado, os diálogos travados com outros sujeitos sociais, as noções a respeito da liberdade de imprensa e de pensamento foram atos políticos, por excelência, quando a luta contra o racismo moldou a história da imprensa negra, desde sua origem. Mas ela não pára por aí, tanto no formato escrito quanto no digital.

Atualmente, ela continua amplificada no que chamamos de “mídia negra”, que engloba sites, blogs, páginas e perfis em redes sociais, canais no YouTubepodcasts nos tocadores digitais e até um canal de televisão com conteúdo majoritariamente produzido e voltado para o público negro, a Wolo TV. Exemplos dessa mídia negra são o Alma Preta, o Portal Geledes, o Afropress, o História Preta, o Nossos passos vêm de longe, o Atlântico Negro, o Pensar Africanamente, e uma infinidade de outros veículos. No pós-abolição, esse tempo em aberto em que as demandas e tensões a partir da ideia de raça são parte constituinte do mundo atual, a escrita e as vozes da gente negra, na sua múltipla experiência e agência, são centrais para a compreensão da sociedade brasileira.

Os jornais negros trazem análises potentes para além dos lugares limitantes, em várias áreas do conhecimento, sobre a trajetória da população negra. Desde a década de 1950, existem preciosos estudos sobre o seu significado e potência. O interessante é que boa parte dos jornais negros podem ser acessados no site da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, o que facilita a vida dos curiosos dessa história e os pesquisadores de várias áreas.

A imprensa negra é um lugar privilegiado para ir ao encontro das escritas dessa ‘gente de cor’, da história vista de baixo para cima, como incita a pensar o historiador Eric Hobsbawm. São textos que trazem novas leituras sobre a população negra, que também nos permitiu pavimentar uma identidade coletiva positiva e afastar a ideia de que ficamos à margem, em um eterno estado de anomia social e resignação infrutífera. Lutou-se! E luta-se! Pelas palavras, ideias e projetos coletivos também!

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Por João Paulo Lopes, originalmente no Mídia Negra e Feminista e reproduzido no Instituto Búzios.

Sistema Verdes Mares lança 1ª rádio com transmissão em TV aberta do Brasil

Verdinha lança nova programação, amplia abrangência e se torna multiplataforma de jornalismo popular. (FOTO/ Kid Jr / SVM).

O Sistema Verdes Mares (SVM) lança, nesta segunda-feira (14), a primeira rádio com transmissão simultânea em televisão aberta do Brasil. Serão 14 horas de programação jornalística e esportiva, das 5h às 20 horas, transmitida para todo o País. 

A novidade da "Verdinha" amplia a abrangência para além das ondas do rádio e se torna multiplataforma de jornalismo popular, com exibição do conteúdo sincronizado em todas as plataformas da TV Diário e da Verdinha (site, rádio e televisão). 

O diretor Comercial e Marketing do SVM, Erick Picanço, explica que a essa expansão transforma a Verdinha em um grande modelo de jornalismo popular.

"O público passará a contar com mais conteúdo jornalístico, incluindo reportagens especiais direto das principais regiões do Estado e mais comentários", detalha. 

Veja como assistir e ouvir a nova programação 

Agora ficou muito mais fácil ficar consumir jornalismo popular de credibilidade de qualquer lugar. Veja abaixo as cinco maneiras de ficar bem informado. 

Ouça sintonizando o rádio na frequência AM 810;
Assista pelo site da Verdinha
Assista também pelo site TV Diário
Na TV, sintonize no canal da TV Diário, disponível em TV aberta no canal 22; VIVO HD, no canal 322.1 em Fortaleza; SKY HD, 323.1, em Fortaleza, e Multiplay, canal 522 , também na Capital. 
Também é possível acessar a programação da rádio, ainda, através de aplicativo disponível nos sistemas Android e IOS.  
 
65 anos de história

Há 65 anos no ar, a Verdinha é uma das emissoras mais tradicionais do Estado. A cobertura atenta do futebol profissional, a presença do humor tipicamente cearense, a credibilidade da informação, a animação de seus comunicadores e o compromisso de estar perto do ouvinte são fatores que determinam sua liderança de audiência.
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Com informações do Diário do Nordeste.

Conheça a história da discriminação do cabelo crespo no Brasil

(FOTO/ Reprodução/The J Report).

O cabelo crespo, característica estética encontrada em boa parte da população negra, carrega em si alguns tabus. Em uma cultura que valoriza traços e aspectos brancos e eurocêntricos, o preconceito contra quem não faz parte deste grupo ainda existe no Brasil, apesar de pretos e pardos representarem a maior parte do conjunto populacional do país.

Um estudo publicado em 2021 na revista Social Psychological and Personality Science mostrou que candidatas negras aos mais diversos cargos de emprego no mundo todo – com penteados naturais ou usando tranças afro – são percebidas como menos profissionais do que negras com cabelos alisados.

No entanto, não é de agora que o cabelo crespo sofre com microagressões de cunho racista, ou até mesmo é colocado em uma posição de “feio”, “sujo” e “duro”. É o que explica a socióloga Anita Pequeno, autora do artigo “História Sociopolítica do Cabelo Crespo”.

As mulheres negras conhecem a violência do racismo desde muito cedo, principalmente através da maneira como a sociedade taxa o cabelo crespo como ‘ruim’. Acredito que esse é um dos discursos racistas mais abertamente postulados”, afirma a socióloga.

Anita explica que, de modo geral, os primeiros esforços de transformação do corpo negro começam na infância, com o desejo de mudar uma parte específica do corpo: o cabelo crespo, através do alisamento capilar. No entanto, embora compartilhem da crença na importância simbólica do cabelo, de acordo com ela, os estudiosos das relações raciais mostram que a importância específica do cabelo para negros e negras é irrefutável, devido ao seu legado histórico e político específico.

No contexto das relações raciais, o cabelo pode significar relações com a África, construções da negritude, memória da escravidão, autoestima, rituais, estética, técnicas de cuidado apropriadas, imagens de beleza, política, identidade e, também, a intersecção de gênero e raça. Fora todas as tensões que existem quando ideias culturais e sociais são transmitidas através dos corpos”, ressalta a pesquisadora.

Marca identitária

De acordo com a professora universitária e escritora estadunidense Ingrid Banks, na obra “Hair Matters”, nos anos 1960, debates sobre o que as práticas com o cabelo crespo representam entre mulheres negras surgiram na academia. Quando o Feminismo Negro chega às universidades, está fortemente associado à necessidade de autodeterminação das mulheres negras sobre a sua própria estética.

A geração de feministas negras pós-movimento Black Power construiu, em continuidade, uma nova celebração do “cabelo natural” e da ancestralidade africana, mas com ênfase na autonomia, na irmandade e na diversidade sexual. Esse processo desafiou as convenções de gênero em um mundo no qual o cabelo longo é sinônimo de feminilidade”, diz Banks, em um trecho da obra.

No livro “400 years without a comb”, que aborda a importância dos cabelos para a população negra, o autor Willie Morrow afirma que o pente garfo era um artefato cultural muito valorizado na África. A escravidão, no entanto, forçou os escravizados a abandonar essa tradição, sendo retomada mais tarde, por meio do avanço na discussão da estética negra.

Além de deixar o pente para trás, a escravidão também significou a perda da liberdade, da dignidade e do amor-próprio. Os homens negros, por exemplo, diante da nova realidade de negação da sua humanidade e, consequentemente, da sua beleza, muitas vezes cortavam os cabelos extremamente curtos – o que era muito perigoso devido à exposição ao sol no trabalho escravo”, diz o livro.

Junto com a imposição de um novo padrão estético, os pentes africanos, ideais para o cabelo crespo, foram substituídos por novos artefatos completamente inapropriados para o trato com aquele cabelo. Não é à toa que, frequentemente, é dito que alisar o cabelo é mais simples e fácil de cuidar; ora, isso é verdade, se o regime de cuidado é moldado por assunções da branquitude”, complementa a socióloga Anita Pequeno.

Cabelo crespo no Brasil

A negação da beleza negra é parte estruturante do racismo, que busca desumanizar suas vítimas. O cabelo crespo surge como uma questão desde muito cedo na vida dos negros, sobretudo, das mulheres. A manipulação dessa parte do corpo tende a protagonizar os seus rituais de beleza, mesmo durante a infância”, salienta Anita.

No Brasil, o artigo História Sociopolítica do Cabelo Crespo explica que no final do século XIX, já perto do fim da escravidão, tomava força um modelo racial de análise em resposta à miscigenação, a qual era tida, naquele contexto, como um grande “tumulto”.

Diante do enfraquecimento da escravidão, que resultou em seu fim, e da necessidade de realização de um novo projeto político para forjar uma identidade para o país, os modelos raciais se tornaram um caminho de negação à civilização dos negros e negras.

O artigo ainda pontua que o mito da democracia racial, ao negar uma realidade, criava uma dificuldade maior para o povo preto: a de ter de enfrentá-la e superá-la. Nesse momento, segundo a socióloga e autora do artigo, era preciso “reeducar a raça”.

Ela explica que no Brasil pós-abolição, com a voz dos negros endereçada aos negros, a ideia era eliminar os estereótipos consagrados pelos séculos anteriores: a preguiça, a deseducação, o “vício da cachaça” e a hiperssexualidade da população preta. Para isso, concursos de beleza foram promovidos por esse grupo a fim de, além de auxiliar na construção de um conceito de beleza negra, responder à imagem da “mulata promíscua” que surgiu na escravidão .

A pesquisadora pondera ainda que apesar de as três primeiras décadas do século XX terem ficado marcadas pelos resquícios do período escravista, a imprensa foi fundamental para disseminar voz e dar visibilidade e espaços de sociabilidade aos negros.

Tanto que o que a publicidade ‘vendia’ era um ideal de beleza eugênico, historicamente construído e perpassado por relações de poder. Naquele contexto de romper com os estereótipos, o alisamento capilar também era uma maneira de ascender. Ou seja, a busca por uma inserção social passava pela estética, ainda que isso custasse uma profunda manipulação de seu corpo”, ressalta.

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Com informações do Alma Preta. Leia o texto completo aqui.

11 de março de 2022

Bolsonaro sanciona lei sobre retorno de gestante ao trabalho presencial

 

Estudos mostram maior mortalidade por covid entre gestantes mesmo sem comordidades. (FOTO/ Agência Senado).

O presidente Jair Bolsonaro sancionou nesta quinta-feira (10) a Lei 14.311, que regulamenta a volta de gestantes ao trabalho presencial durante a pandemia, ainda em vigor. Pela nova lei, o patrão pode requerer o retorno presencial de trabalhadoras grávidas após estas terem tomados ao menos duas doses das vacinas CoronaVac, AstraZeneca ou Pfizer, ou a dose única da Janssen. A lei não prevê obrigatoriedade da terceira dose ou dose de reforço.

A sanção altera uma lei que estava em vigor desde 2021, e que garantia às mulheres grávidas o afastamento do trabalho presencial sem prejuízo do salário. Isso porque ficou demonstrada a alta de mortes de gestantes por covid, apesar da ausência de comorbidades. Com a sanção presidencial, confira a seguir as hipóteses em que o retorno ao regime presencial é obrigatório para mulheres grávidas.

Quando o retorno da grávida ao trabalho presencial é obrigatório?

Encerramento do estado de emergência; após a vacinação (a partir do dia em que o Ministério da Saúde considerar completa a imunização); se ela se recusar a se vacinar contra o novo coronavírus, com termo de responsabilidade; se houver aborto espontâneo com recebimento do salário-maternidade nas duas semanas de afastamento garantidas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

O afastamento do trabalho presencial só continua mantido para a mulher que ainda não tenha completado o ciclo vacinal.

O empregador poderá exigir o retorno presencial da gestante?

Sim. Caso o empregador opte pelo retorno, a trabalhadora gestante deverá retomar o trabalho, desde que esteja com o ciclo completo de vacinação, ou mesmo se não quiser se vacinar, desde que assine o termo de responsabilidade.

O empregador poderá manter a trabalhadora grávida no home office?

Sim. O empregador poderá manter a empregada grávida em teletrabalho com a remuneração integral, se assim desejar.

Para os casos em que as atividades presenciais da trabalhadora não possam ser exercidas remotamente, ainda que se altere suas funções, respeitadas suas competências e condições pessoais, a situação deve ser considerada como gravidez de risco até a gestante completar a imunização e poder retornar ao trabalho presencial.

Durante esse período, ela deve receber o salário-maternidade desde o início do afastamento até 120 dias após o parto ou, se a empresa fizer parte do programa Empresa Cidadã de extensão da licença, por 180 dias. Entretanto, não poderá haver pagamento retroativo à data de publicação da lei.

O que acontece com a gestante que optar por não se vacinar?

De acordo com a lei, não se vacinar é uma “expressão do direito fundamental da liberdade de autodeterminação individual” da gestante. Ou, seja, é opção da trabalhadora.

Mas, caso decida por não se imunizar, a gestante deve assinar um termo de responsabilidade e livre consentimento para o exercício do trabalho presencial.

As empresas podem demitir as gestantes que não se vacinarem?

De acordo com entendimento do Tribunal Superior do Trabalho (TST), a trabalhadora – ou trabalhador – que não tomar a vacina pode comprometer o bem coletivo e ser demitido, inclusive com justa causa, salvo peculiaridades de cada caso e em situações de restrições médicas que contraindiquem a vacina.

Sobre a mesma lei, Bolsonaro vetou a previsão de pagamento de salário-maternidade às gestantes que não completaram a imunização e que não podem realizar trabalho remoto. E também vetou o pagamento do benefício para mulheres que tiveram a gravidez interrompida. Nesse caso, a lei previa pagamento do benefício desde o início do afastamento até 120 dias após o parto ou período maior, nos casos de prorrogação.

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Com informações da CUT e RBA.

10 de março de 2022

Projeto Político-Pedagógico das Escolas Quilombolas do Ceará

 

Projeto Político-Pedagógico das Escolas Quilombolas do Ceará. (FOTO/ Seduc - CE).

A Secretaria da Educação do Estado (Seduc) lançou, no último dia 24 de fevereiro, o documento Projeto Político-Pedagógico das escolas quilombolas do Ceará. A iniciativa é da Coordenadoria da Diversidade e Inclusão Educacional (Codin) e visa contribuir para o enriquecimento das discussões sobre essa temática no interior de cada unidade de ensino.

A cerimônia de apresentação e divulgação do documento contou com a presença de secretários municipais de Educação, técnicos e lideranças do Movimento Quilombola do Ceará. No dia 25, às 9h, a Seduc promoveu o Encontro Formativo virtual para Técnicos das Secretarias Municipais de Educação (SMEs) e das Coordenadorias Regionais de Desenvolvimento da Educação (Credes) dos 24 municípios com escolas localizadas em territórios quilombolas.

O documento integra o conjunto de ações da Seduc em atendimento à Resolução CNE/CEB nº 8/2012 e às reivindicações do Movimento Quilombola do Ceará.

Organização

Como resposta às demandas apresentadas pelo Movimento Quilombola, a Seduc publicou um chamamento público, selecionou e contratou consultoria especializada na área de Educação Escolar Quilombola para subsidiar a elaboração do documento. A construção do material primou por respeitar a participação das comunidades e escolas quilombolas, legitimando os ideais e as práticas construídas por seus diversos sujeitos. Assim, foram realizados encontros regionais com participação ampla e colaboração daqueles que pensam o projeto de sociedade e de escola dos quilombos do Ceará.

Os encontros resultaram na construção de um documento de referência para as comunidades, escolas, SMEs, Credes e Seduc. O documento apresenta mais do que orientações para a elaboração dos PPPs, trazendo também inspirações para pensar a escola e a educação quilombola como um todo, permeada pelo conceito de Pedagogia de Quilombo e seus Eixos, cunhados nas discussões desenvolvidas nos encontros.

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Com informações do Portal da Seduc - CE. Clique aqui e confira o documento.

9 de março de 2022

Osso de ancestral de dinossauro mais antigo da América do Sul é encontrado no RS

 

Representação artística dos ancestrais dos dinossauros no Triássico Médio no Rio Grande do Sul - Divulgação/Caetano Soares.

Paleontólogos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) estudaram o fêmur do antecessor do mais antigo dinossauro da América do Sul, encontrado em um sítio fossilífero de 237 milhões de anos, situado no município de Dona Francisca, no Rio Grande do Sul.

O osso, descrito em uma pesquisa publicada no periódico científico Gondwana Research, possui 11 centímetros de comprimento e indica que o animal pode ter feito parte do grupo Dinosauromorpha, que inclui dinossauros e seus ancestrais próximos.

Até então, materiais desse tipo não haviam sido encontrados em rochas mais antigas do que as que guardaram registros dos primeiros dinossauros. A Argentina, por exemplo, preserva alguns de seus precursores em pedras de 236 milhões de anos.

Com o recém-descoberto registro, é possível estimar que os ancestrais dos dinossauros habitaram o continente sul-americano cerca de 1 milhão de anos antes do que se pensava, como reportou a revista Galileu.

Embora tivéssemos registros dos mais antigos dinossauros no Brasil, ainda não tínhamos registros desses precursores em rochas tão antigas”, explicou o paleontólogo Rodrigo Temp Müller, do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da UFSM, responsável pela análise em conjunto com Maurício Silva Garcia, estudante de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal, à publicação.

Mesmo tratando-se de um elemento isolado, o novo exemplar serve para mostrar que esse grupo de animais existiu aqui antes do que imaginávamos e também nos estimula a buscar por exemplares mais completos, acrescentou.

No estudo, os pesquisadores sugeriram que as criaturas seriam pequenas, com cerca de 1 metro de comprimento, assim como indicou a análise do fêmur para o tamanho do esqueleto. A partir disso, é possível entender que os animais tiveram que enfrentar adversidades para crescer e dominarem ecossistemas nos períodos consequentes.

No momento em que esses precursores dos dinossauros surgiram, as faunas estavam dominadas por parentes distantes dos mamíferos e também por animais relacionados com a linhagem dos crocodilos”, destacou Müller. “É possível que a forma de locomoção (bípede) e algum fator fisiológico tenham tido um papel fundamental no sucesso posterior do grupo”.

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Com informações do Aventuras na História.

8 de março de 2022

No campo e na cidade, mulheres se unem contra o machismo e a fome; veja como foi o 8 de março

 

Em Feira de Santana (BA), marcha reuniu movimentos populares que seguiram para ocupar a Câmara de Vereadores - @levantepopular.

Mulheres de mais 40 cidades, em todas as regiões do Brasil, marcharam nesta terça-feira (8), Dia Internacional da Mulher. O lema “Pela Vida das Mulheres, Bolsonaro nunca mais! Por um Brasil sem machismo, sem racismo e sem fome!” deu o tom dos protestos, que não ficaram apenas no discurso.

Além de ocuparem ruas dos centros urbanos, mulheres integrantes de organizações populares articularam a pauta feminista com ações políticas concretas no campo, fortalecendo a luta em favor da terra, da agricultura familiar e contra a violência de gênero.

Casas de acolhimento são inauguradas

Pela manhã em Recife (PE), o Movimento de Mulheres Olga Benário (MMOB) ocupou um imóvel abandonado para a criação de uma Casa de Referência para mulheres vítimas de violência. Batizado de Centro de Referência Soledad Barrett, o local já está de portas abertas para receber mulheres que rompem com o ciclo da violência e precisam de abrigo.

O MMOB inaugurou, também, a Casa de Referência da Mulher Almerinda Gama no centro do Rio de Janeiro (RJ). A iniciativa surge da primeira ocupação organizada pelo Movimento de Mulheres Olga Benário no estado. O imóvel estava vazio havia mais de oito anos, sem cumprir função social, segundo o movimento.

"Com esta ação, o Movimento Olga Benário chama atenção para os números alarmantes de violência de gênero, que apesar de subnotificados já se mostram muito superiores à capacidade de atendimento das ferramentas oferecidas pelo Estado”, disse o movimento em nota.

Câmara e Secretaria estadual ocupadas

Em Porto Alegre (RS), mais de 200 agricultoras ocuparam, na manhã desta terça-feira (8), o pátio da Secretaria Estadual de Agricultura em Porto Alegre. Elas cobram ações do governo do estado para amenizar os impactos da estiagem no Rio Grande do Sul. Já ocorreram conversas com representantes do governo estadual, mas pouco foi feito até aqui, assinalam as mulheres.

“As nossas famílias ainda estão sofrendo com a estiagem. Por isso estamos aqui novamente. Nós precisamos de ajuda urgente, diante de tantos prejuízos causados pela seca”, diz Silvia Reis Marques, produtora e dirigente estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Rio Grande do Sul (MST-RS).

Ainda na capital gaúcha, assentadas e acampadas do MST doaram 4 toneladas de alimentos da reforma agrária. O destino são as cozinhas comunitárias da periferia de Porto Alegre.

A Câmara de Vereadores de Feira de Santana (BA) também foi ocupada pela marcha que saiu da prefeitura da cidade. A ação ocorreu durante uma sessão solene promovida pelo Legislativo municipal. Mais cedo, o ato na cidade baiana teve início com café da manhã feito a partir da produção das trabalhadoras rurais. A mobilização teve a presença de movimentos sociais, partidos políticos, trabalhadoras do campo e da cidade e estudantes.

MTST pede cassação de "Mamãe Falei"

Mulheres do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) realizaram uma ação em repúdio às falas machistas de Arthur do Val, o "Mamãe Falei", sobre as mulheres ucranianas. Em frente à sede do Podemos em São Paulo (SP), mulheres cobraram uma posição do partido, além da cassação do mandato do deputado estadual pela Assembleia Legislativa de São Paulo.

Em áudios gravados pelo parlamentar em viagem à Ucrânia, Arthur do Val afirmou que mulheres ucranianas são "fáceis, porque são pobres", entre outros comentários misóginos e machistas.

O 8 de março no campo

Também na Bahia, cerca de 100 mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam a Fazenda Botafogo, área improdutiva de 313 hectares no município de Jussari (BA), com objetivo de promover a reforma agrária. A ação faz parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, com o lema: Terra, trabalho, direito de existir.

Outra propriedade improdutiva, a fazenda Frutelli, foi ocupada por 500 mulheres em Itabela (BA). A propriedade é pertencente à empresa falida Frutelli culturas Tropicais, que tinha como principal atividade econômica o cultivo de banana, hoje abandonado. O ato denunciou a falta de crédito para as trabalhadoras rurais, o feminicídio, o uso abusivo de agrotóxicos e a fome no Brasil.

Em Estreito (MA), a manifestação foi para denunciar os impactos da Usina Hidrelétrica do Consórcio Estreito Energia sobre famílias de pescadores. Muitas delas ficaram sem casas após a abertura de comportas do empreendimento. Os manifestantes reivindicam ainda uma assembleia coletiva com as famílias afetadas, com acompanhamento e apoio do MST.

Impactos de grandes empreendimentos também motivaram protestos no assentamento Sabiaguaba, em Amontoada (CE). Mulheres, jovens e crianças protestaram, sobretudo, contra prejuízos à agricultura familiar provocados pela instalação de parques eólicos. Além do MST, participaram do ato o Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP), com o apoio do Projeto ECO Icaraí.

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Com informações do Brasil de Fato.

7 de março de 2022

URCA completa 35 anos de instalação

 

(FOTO/ Reprodução/ URCA).

Com 31 cursos de graduação e 13 cursos Stricto Sensu, mestrado e doutorado, a Universidade Regional do Cariri (URCA) conta atualmente com mais de 11 mil alunos, e já formou mais de 32 mil pessoas. A Instituição de Ensino Superior (IES) se consolida no fortalecimento do desenvolvimento regional. Atualmente a URCA passou a contar com mais dois cursos recém-aprovados pelo Conselho Estadual de Educação, o de Medicina, no campus do Pimenta, em Crato, e o de Gestão de Turismo, no campus de Barbalha. Recentemente passou pela fase de recredenciamento por um período de mais oito anos.

Criada pela Lei nº 11.191 de 09 de Junho de 1986, autorizada a funcionar por Decreto Presidencial n° 94.016, de 11 de fevereiro de 1987, foi instalada em 07 de março de 1987. Em 1º de março de 1993 ela foi transformada em fundação, com o nome de Fundação Universidade Regional do Cariri (Lei 12.007-A).

A URCA foi criada na gestão do Governador Gonzaga Mota, e se tornou um marco importante para a história universitária do Cariri, “Mãe das Universidades”, na região. O movimento pela criação da URCA foi liderado pelo Reitor Antônio Martins Filho, Dom Vicente Matos, Bispo Diocesano, Professor José Newton Alves de Sousa, Monsenhor Francisco Holanda Montenegro, e pelos professores Pedro Felício Cavalcanti, Raimundo de Oliveira Borges, Luiz de Borba Maranhão e Professora Sarah Cabral.

Em 15 de maio de 1985, na comemoração do Jubileu de Prata da Faculdade de Filosofia, foi lançado oficialmente o movimento em favor da criação da URCA, em solenidade no auditório da Rádio Educadora do Cariri. O Projeto foi aprovado pelo então Governador Gonzaga Mota, que anunciou logo a constituição de um grupo de trabalho, visando a criação da nova instituição de ensino superior, que foi fundada em junho de 1986 e instalada em março de 1987. Teve como base as faculdades de Filosofia, Ciências Econômicas e Direito do Crato e Faculdade de Engenharia Operacional de Juazeiro do Norte.

Nascida da mobilização da sociedade em torno de um ideal, a missão da URCA, expressa no seu texto regimental e evidente na sua prática sedimentou-se em suas ações destes 35 anos é: “contribuir significativamente para a transformação da realidade regional, através de atividades de ensino, pesquisa e extensão.

A URCA conta com os campi instalados em Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Missão Velha, Iguatu e Campos Sales, além de contar com o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, um dos mais representativos do Brasil, com mais de 7 mil peças fósseis principalmente do período Cretáceo, além da reserva técnica, atraindo cientistas do Brasil e exterior, fortalecendo também o turismo científico na região. A instituição constitui-se como agente ativo do processo de desenvolvimento das regiões do Cariri e Centro-Sul do Ceará, sendo conhecida pelo seu caráter educacional em diversos outros estados do país.

 

Nesta expansão ao longo do tempo, houve a aprovação da candidatura do Araripe Geoparque Mundial com sucessivas avaliações exitosas, projeto de grande ousadia e que já faz escola no Brasil e na América Latina; de uma universidade que antes majoritariamente formava professores, foi ampliada e incrementamos a esta estratégica tarefa a produção do conhecimento inovador pela implantação da pós-graduação e consolidação da pesquisa. Além disso, foi a primeira instituição do Cariri a implantar a pós-graduação Stricto Sensu em nível de mestrado e de doutorado.

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Com informações do Portal da URCA.