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| Madalena foi resgatada em Minas Gerais. (FOTO/ Reprodução). |
10 de dezembro de 2021
Escravizada por 38 anos, Madalena Gordiano comemora 1 ano de liberdade
Escola sem (com) partido: Receituário da classe dominante
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| Manifestantes protestaram na Câmara, em novembro, contra o projeto conhecido como Escola sem Partido. (FOTO/ Cleia Viana/Câmara dos Deputados). |
Por Alexandre Lucas, Colunista
A
escola pública é espaço de disputa e contradições pedagógicas, a luta de
classes sociais se apresenta a partir das veias ideológicas, prevalecendo a
hegemonia dos valores da classe dominante.
O que torna inviável falar de educação imparcial ou de educação de
qualidade sem definir para quem se destina e qual sua finalidade enquanto
projeto de sociedade, no sentido de manutenção ou superação das estruturas de
poder.
Avaliações,
premiações, competições, acolhimentos desiguais e excludentes fazem parte do
cotidiano da escola e vão circulando como artérias de pulverização ideológica,
a partir de uma engrenagem institucional, articulada em rede, o que fortalece a
reprodução de concepções legitimadas desta sociedade individualista e
competitiva que se apresentam como fatores espontâneos e inevitáveis.
Se o
processo educativo não é espontâneo, mas construído a partir das relações
sócio-históricas, logo, as internalizações e a reprodução dos valores
ideológicos hegemônicos não ocorrem de forma natural ou espontaneísta pelo
contrário existe uma intencionalidade sistematizada e contínua, que ora aparece
de forma camuflada e em outros momentos sem pudores.
A
escola tem partido! A escola sem partido faz parte do arroto ideológico da
elite econômica e dos setores conservadores e reacionários para manter a
dominação cultural no âmbito educacional e combater as perspectivas pedagógicas
progressistas e de emancipação humana, alinhadas a classe trabalhadora e que
coloca desnuda as relações de opressão e exploração do modo de produção
capitalista.
Se a
escola é um desses aparelhos ideológicos do Estado, deve ser percebida também
como espaço da luta de classes sociais e por conseguinte de disputa de concepções pedagógicas
antagônicas. A escola tem papel
essencial enquanto instrumento de luta da classe trabalhadora, ela é parte do
processo de transformação social, apesar de que a educação não revoluciona a
realidade social se a estrutura de poder político e econômico não for
alterada.
A
escola já tem partido enquanto ideologia estrutural. Se “As ideias dominantes
de uma época sempre foram as ideias da classe dominante”, como aponta o
Manifesto Comunista, a educação institucionalizada em nenhuma hipótese pode ser
patenteada como imparcial, independente, neutra ou sem partido! A escola é
parcial, tem lado, posição, partido, isso independente dos nossos desejos.
A escola pública precisa ser defendida enquanto espaço de democratização do conhecimento produzido historicamente pela humanidade, interligada à prática social, formação integral e contextualizada. A escola pública precisa temperar os filhos e as filhas da classe trabalhadora para dirigir as engrenagens políticas e econômicas da sociedade. Os defensores da escola sem partido defendem a manutenção de uma educação para formar dirigidos e subalternos, essa é a escola com partido que não interessa a classe trabalhadora.
OMS afirma que vacinas contra a covid-19 oferecem ‘proteção robusta’ por até seis meses
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| Continente africano registra crescimento abrupto de número de casos, mas internações e óbitos permanecem baixos. (FOTO/ Reprodução/ OMS). |
A
Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta quinta-feira (9) que a
imunidade das vacinas contra a covid-19 se estende por até seis meses após a
segunda dose aplicada, ou a dose única, no caso do imunizante da Jansenn. Nesse
período, o risco de doença grave, internação ou morte diminui drasticamente,
afirmou a diretora do Departamento de Imunização, Kate O’Bryan.
A
médica explicou que, após esse período, a proteção induzida pelos imunizantes
“não desaparece completamente”. Mas há um declínio da eficácia, principalmente
em idosos e pacientes com comorbidades. As declarações foram feitas após
análise de dados realizada pela OMS nos últimos dois dias.
O
presidente do grupo de peritos que assessora o órgão, Alejandro Cravioto,
ressaltou que as conclusões desses estudos apontam que as vacinas contra a
covid-19 aprovadas pela própria OMS, bem como pela maioria dos órgãos reguladores,
oferecem “uma proteção robusta pelo menos
durante seis meses contra formas graves da doença”.
O
grupo, no entanto, destacou que ainda é muito cedo para se manifestar sobre a
variante ômicron. Nesse sentido, também ainda não é possível aferir a resposta
das vacinas à nova cepa do vírus.
“Duas velocidades”
Kate
disse também que a pandemia de covid-19 tem avançado em duas velocidades
diferentes: entre os vacinados e os não vacinados. Para os primeiros, embora
permaneça o risco de serem infectados, desenvolverão um quadro “moderado” da doença, na maioria dos
casos. Contudo, “isso não deve ser interpretado de forma alguma como falta de
eficácia das vacinas”, destacou a especialista. Por outro lado, os não
vacinados representam entre 80% e 90% dos pacientes com infecções graves,
internações e óbitos.
“À medida que a cobertura da vacinação
aumenta, entre os novos casos haverá uma maior proporção que corresponde a
pessoas vacinadas. Não é surpreendente que, havendo mais pessoas vacinadas,
vejamos um número maior de infeções”, explicou.
A
diretora da OMS chamou ainda atenção para o fato de a variante ômicron causar
uma nova corrida por imunizantes nos países ricos. Dessa maneira, o esforço
global para a contenção da doença não funcionará, “a menos que as vacinas contra a covid-19 cheguem a todos os países onde
a transmissão continua, justamente em áreas onde estão a surgir variantes”.
África
No
continente no qual a ômicron foi identificada pela primeira vez, o número de
casos confirmados de covid-19 duplicou na última semana, também de acordo com a
OMS. A região responde por 46% dos confirmados da nova variante em todo o
mundo. No entanto, o número de mortes caiu 13% no mesmo período na região,
totalizando 498 óbitos. Nesse sentido, a entidade afirmou que “há sinais de esperança”, já que o número
de hospitalizações, na região, também vem se mantendo baixo.
Especificamente
na África do Sul, primeiro país a registrar a nova variante, o número de
pessoas diagnosticadas com covid-19 aumentou 255%. Contudo, o índice de
hospitalização no país está em em 6,3%, “o que é muito baixo comparado com o
período, quando o país enfrentava o pico da variante delta, em julho”, disse a
OMS. Esses dados preliminares indicam, segundo a organização, que a ômicron
pode causar “uma doença menos severa”,
mas ainda é cedo para garantir.
Covid no Brasil
Hoje,
o Brasil registrou mais 206 mortes pela covid-19. O total de óbitos chegou a
616.457 desde o início do surto da doença no país, em março de 2020. Foram
registrados mais 9.278 casos confirmados nas últimas 24 horas, de acordo com
Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). Até o momento, 65% da
população brasileira está totalmente imunizada, com duas doses ou dose única.
No
entanto, de acordo com a epidemiologista Alexandra Boing, do Observatório
Covid-19BR, é preciso pressionar o governo federal para que apresente
cronograma de vacinação das crianças de 5 a 11 anos. Ela destacou que a Europa,
por exemplo, tem registrado um recrudescimento do número de infecções nas crianças
em idade escolar. Por outro lado, nos Estados Unidos, que já contam com 5
milhões de crianças vacinadas, não foi reportado nenhum caso de miocardite,
principal risco apresentado na utilização dos imunizantes para essa faixa
etária, o que demonstra que as vacinas são seguras, de acordo com a
especialista.
Além
disso, o coordenador da Rede Análise Covid-19, Isaac Schrarstzhaupt, alertou
que a Plataforma Integrada de Vigilância Integrada, do Ministério da Saúde,
responsável pela testagem de vírus respiratórios, está sem atualização há
quatro semanas. “Torcer muito para não
termos nova onda, pois só saberemos caso tenhamos aumento de hospitalizações”,
lamentou.
________
Com informações da RBA.
9 de dezembro de 2021
Carlos Alberto Tolovi divulga seu novo livro: “Moral e Ética nas Relações de Poder”
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| Carlos Alberto Tolovi. (FOTO/ Reprodução/ YouTube/ Papo Social Podcast). |
O
professor da Universidade Regional do Cariri (URCA) e um dos fundadores do
Projeto ARCA em Altaneira, Carlos Alberto Tolovi, divulgou na manhã desta
quinta-feira (09), seu mais novo livro. A obra é intitulada “Moral e Ética nas Relações de Poder”, e
foi publicada pela editora Brazil Publishing.
No
livro, conforme informações do site da Brazil Publishing, Tolovi afirma que “a pandemia que atinge hoje toda a humanidade
não é apenas um problema sanitário, mas o resultado e a consequência de um
posicionamento ético”.
As relações de poder que produzem e sustentam as desigualdades sociais estão gerando, também, o desequilíbrio ecológico e vital em nosso planeta, diz Tolovi.
Ao
problematizar a pandemia pelo viés da ética, o professor questiona: “se pensarmos em vacinas como a solução para
o retorno à normalidade, temos de perguntar: o que definimos como normal? A
estratificação e a desigualdade social; o racismo e o machismo estruturais; a
destruição dos nossos ecossistemas, de nossas reservas naturais – poderíamos
encarar tudo isto como normal, ou natural? O que estaria na base destes
problemas, que comprometem a vida em nosso globo terrestre?”
O
autor destaca, ainda em conformidade com a Brazil Publishing, que defende no
livro que a grande questão está no campo da valoração, pois “a nossa visão de mundo – comprometida pela
colonialidade e norteada por valores morais (os quais são materializados em
nossas relações sociais) – precisa ser problematizada”, diz e complementa
descrevendo que está “propondo reflexão e
debate em torno da moral e da ética, a partir de uma questão fundamental: até
que ponto os valores influenciariam as relações de poder que definem o campo da
política? Como pensar as semelhanças e as diferenças destas relações, a partir
destes dois campos?”.
Tolovi também é autor do livro “Mito, Religião e Politica. Padre Cícero e Juazeiro do Norte” que foi lançado em 2019. Nas redes sociais, o professor afirmou que sua mais nova obra já deve está em diversas livrarias.
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‘PL antiterrorismo’ sofre derrota na Câmara. ‘Ditadura nunca mais’
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| Deputados em sessão do Plenário. (FOTO/ Paulo Sérgio/ Câmara dos Deputados). |
O
Projeto de Lei (PL) 1595/19, conhecido como “PL antiterrorismo” sofreu uma
primeira e importante derrota na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (8). O
presidente da Casa, Arthur Lira (PP-PI), em articulação com a base do governo
Bolsonaro, pautou a votação do regime de urgência para a proposta, mas não
houve apoio suficiente para aprovar tramitação acelerada. Para tanto, seriam
necessários, 257 votos favoráveis. Entretanto, o requerimento obteve apenas 228
votos a favor, e outros 199 deputados votaram contra. A oposição comemorou o
resultado.
De
autoria do deputado Vitor Hugo (PSL-GO), a proposta tem como justificativa
regulamentar as ações estatais para prevenir e reprimir atos terroristas no
Brasil. Mas, na prática, cria uma série de mecanismos para reprimir movimentos
sociais e populares, bem como para perseguir opositores do governo.
“Ditadura nunca mais”, gritaram deputados
da oposição, ao saberem do resultado que derrubou o pedido de urgência. Dentre
outros dispositivos, o projeto prevê a criação do Sistema Nacional
Contraterrorista (SNC) e a Política Nacional Contraterrorista (PNC), que
ficariam a cargo do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência.
Além
disso, também estariam previstas ações de segurança e de inteligência para
ações preventivas e repressivas, “sigilosas
ou ostensivas”, para desarticular ou enfrentar grupos terroristas.
Inclusive com a utilização de interceptação de telefonemas e operações de
infiltração.
Polícia Política
Para
o deputado Leo de Brito (PT-AC), a proposta pretendia criar uma “SS Bolsonarista”, fazendo alusão à
polícia política da Alemanha nazista. Ele comemorou a derrubada do pedido de
urgência como “mais uma vitória contra a
escalada autoritária”. Da mesma maneira, o deputado Henrique Fontanna (PT-RS)
afirmou que a real motivação da proposta é “criminalizar movimentos
reivindicatórios e criar no Brasil um ambiente para um regime de exceção”.
Ainda
em plenário, a deputada Talíria Petrone (Psol-RJ), também destacou que a
intensão do “PL antiterrorismo” é “criar um Estado de exceção permanente, um sistema
de polícia paralelo ao que já existe, para ser um espaço de perseguição a
opositores do governo.”
Até
mesmo parlamentares mais conservadores, como Arthur Maia (DEM-BA) e Marcelo
Ramos (PL-AM), criticaram a proposta. O primeiro classificou o “PL antiterrorismo” como “esdrúxulo” e que “atenta contra a democracia”. Já o segundo afirmou que a proposta
cria tipos penais “absolutamente abertos”.
“É um equívoco conceitual, porque terrorismo tem que ter tipos claros”, disse
Ramos.
“O povo está morrendo é de fome e não de
ações terroristas. A livre atuação dos movimentos sociais e populares é
indispensável para manutenção do regime democrático e a conquista de melhores
condições de vida”, afirmou o coordenador da Central de Movimentos
Populares (CMP), Raimundo Bonfim à Revista Fórum.
Outro
que comemorou a derrubada do pedido de urgência foi o diretor presidente do
Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Renato Sérgio de Lima. De acordo
com o sociólogo, trata-se de uma “grande
vitória” contra uma projeto “tosco e
cheio de armadilhas autoritárias e teorias da conspiração”.
____________
Com informações da Agência Câmara Notícias e RBA.
8 de dezembro de 2021
‘Melhor perder a vida do que perder a liberdade’, diz ministro da Saúde
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| (FOTO/ Reprodução). |
Nós queremos ser, sim, o paraíso do turismo mundial. E vamos controlar a Saúde, fazer com que a nossa economia volte a gerar emprego e renda. Essa questão da vacinação, como realcei, tem dado certo porque nós respeitamos as liberdades individuais. O presidente falou agora há pouco: ‘às vezes, é melhor perder a vida do que perder a liberdade’disse Queiroga
Só 3% das universidades têm equidade racial entre professores
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| (FOTO/ Divulgação). |
Análise
feita pelo Estadão compara a proporção de docentes negros com a de habitantes
negros no Estado; além de democratizar o acesso, especialistas dizem que
diversidade melhora ambiente acadêmico.
Eunice
Prudente, de 75 anos, foi a primeira negra a se tornar professora da
tradicional Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), na década
de 1980. Até hoje, é a única. "Sofri questionamentos racistas e tive de
enfrentá-los", conta ela, que só nos últimos anos viu suas turmas ficarem
mais diversas. Pelos corredores das universidades públicas, é possível
encontrar mais estudantes pretos e pardos - graças às cotas. No comando da sala
de aula, porém, esse perfil ainda é raro.
Levantamento
feito pelo Estadão mostra que menos de 3% das instituições de ensino superior
brasileiras têm número de professores negros que espelha a distribuição racial
da região onde está. Em uma década, as cotas e programas como Fies e ProUni
ampliaram as oportunidades de acesso na graduação, mas transformar o perfil dos
professores é um processo mais lento e difícil. Especialistas apontam que a
equidade racial na docência melhora o acolhimento dos diferentes tipos de
alunos, enriquece a instituição, para todos, com um ambiente mais diverso e
traz mais temas e pontos de vista para a pesquisa.
O
Estadão tabulou dados do Censo da Educação Superior de 2019, os últimos
divulgados pelo Ministério da Educação. A análise considera que há equidade
racial na universidade que possui proporção de docentes negros (pretos e
pardos) igual ou superior à de habitantes negros na unidade da Federação em que
está instalada.
No
Estado de São Paulo, por exemplo, 40% da população é negra, segundo o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na USP, porém, só 3,8% dos
professores se declaram negros. Essa universidade não tem equidade racial, segundo
os critérios da reportagem.
Já a
Universidade do Estado do Amapá (Ueap) possui equidade racial segundo esse
critério. Dentre os docentes, 90% são negros, enquanto a população do Estado
tem 81% de pretos e pardos.
O
recorte feito pelo Estadão leva em conta as universidades onde ao menos 75% dos
professores fizeram autodeclaração de raça e que têm mais de 50 docentes.
Abrange amostra de 823 das 2.608 instituições que participaram do Censo. Leia
mais sobre a metodologia no fim da reportagem.
Entre
todas as universidades analisadas, só 23 têm quantidade de professores negros
que reflete a distribuição racial no Estado. A única pública é a Universidade
do Estado do Amapá.
No
gráfico abaixo, cada círculo representa uma instituição de ensino superior.
Quanto mais próxima de um, mais equidade racial há no corpo docente. Quanto
mais perto de zero, menos diversa é a universidade.
Todas
as 59 melhores universidades brasileiras listadas no ranking da revista
britânica Times Higher Education, referência mundial na análise do ensino
universitária, têm menos docentes negros do que o perfil regional.
Nas
23 universidades com diversidade semelhante à do Estado na docência, os números
nem sempre resultam de uma política de inclusão. Onze afirmam não ter programa
do tipo, três disseram ter políticas para elevar o número de docentes negros e
nove - entre elas a Estadual do Amapá - não responderam.
As
faculdades Projeção de Ceilândia e de Sobradinho (DF), afirmam que assinaram um
pacto de inclusão racial no mercado de trabalho e mantêm políticas de
diversidade, como o cadastro de vagas em plataformas voltadas a profissionais
negros. Já a Faculdade Zumbi dos Palmares, que tem como missão incluir pessoas
negras no ensino superior, disse que a equidade racial é um dos critérios
observados na hora de contratação de professores.
A
presença de professores negros (pretos e pardos) nas universidades aumentou de
13,2% em 2012 para 16,2% em 2019. É difícil mensurar a evolução real porque há
lacunas na autodeclaração, visto que os docentes não são obrigados a informar
sua raça ao Censo. Em universidades como a Federal de Pelotas e do Paraná, por
exemplo, mais de 95% dos professores não informaram sua raça na pesquisa de
2019.
Falta de diversidade é ainda maior em
universidades públicas
As
universidades públicas têm ainda menos docentes negros do que as particulares.
Nenhuma das federais possui equidade racial, conforme o critério adotado pela
reportagem. A que mais se aproxima da equidade é a Universidade Federal Rural
da Amazônia, com 79,4% da quantidade esperada de professores negros.
Entre
as causas, estão a pequena proporção dos que acessam a pós-graduação. O
doutorado é exigido em concursos públicos na maioria das federais. Segundo
balanço de 2019 da Capes, órgão do Ministério da Educação (MEC), só 29% dos
alunos de pós eram pretos ou pardos.
E,
mesmo entre os que acessam mestrado e doutorado, há dificuldades de
permanência. Racismo estrutural e vulnerabilidade econômica dificultam o
caminho até a titulação, uma vez que as bolsas pagam pouco. "Temos número significativo de alunos negros
na graduação que acabam indo trabalhar no setor privado", diz Fabiana
Schleumer, pró-reitora adjunta de Extensão e Cultura da Federal de São Paulo
(Unifesp), negra e professora de História na instituição.
Como
a Unifesp, universidades têm apostado em cotas na pós, para permitir que mais
alunos negros se formem mestres e doutores e possam entrar no magistério
superior. "Independentemente do
campo de conhecimento, esse professor traz outros referenciais que vão
enriquecer a formação dos alunos", afirma Fabiana.
A
aprovação de políticas, no entanto, não significa resultados imediatos. Desde
2014, uma lei prevê reserva de 20% das vagas em concursos para professores nas
federais, mas parte das instituições não adota a regra, sob argumento de fazer
processos seletivos pequenos.
A
lei só é aplicada quando o número de vagas no concurso é igual ou superior a
três. Editais por área do conhecimento abrem, em geral, uma ou duas vagas.
"O número de instituições que
aplicam o porcentual de 20% é muito baixo", diz Luiz Mello, professor
de Ciências Sociais da Federal de Goiás (UFG), que estuda o cumprimento da
regra nas universidades e outros órgãos públicos.
Levantamento
da Escola Nacional de Administração Pública mostra que mais da metade das
federais não tem professores nomeados em vagas reservadas para negros. Segundo
Mello, há pequenos avanços nos últimos anos, impulsionados pela pressão de
docentes. A UFG, por exemplo, mudou a metodologia em seus editais. Pelo novo
método, que considera o total de vagas oferecidas em várias faculdades, um
concurso de 2019 reservou 12 das 59 vagas para docentes negros.
A
Federal do Rio (UFRJ), em 2020, aprovou resolução interna que prevê os 20%
sobre o total de vagas. A Universidade Federal Fluminense (UFF) também adotou o
mesmo entendimento este ano.
"O número de professores negros no ensino
superior não aumentou da forma que poderia ter aumentado se a lei tivesse sido
aplicada adequadamente", diz Delton Aparecido Felipe, diretor de
Relações Internacionais da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros
(ABPN). Nas estaduais paulistas - que não seguem a lei federal - a disparidade
é ainda maior.
"Enquanto as federais já contam com mais de
15% de docentes negros após adoção de cotas em concursos, a Unicamp não chega à
marca de 5%", reconhece Silvia Maria Santiago, diretora executiva de
Direitos Humanos da Estadual de Campinas (Unicamp), que discute adotar cotas
para concursos de profissionais de apoio ao ensino, pesquisa e extensão. Procurada,
a USP não se manifestou.
Outro
desafio é garantir a presença de negros em cargos de direção. Para José
Vicente, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, gestores das universidades
devem estar conscientes da desigualdade racial no País e apostar em mecanismos
de inclusão.
"Ter consciência negra é compreender que
existe uma distorção racial na sociedade. E é essa distorção que leva à
desigualdade". A instituição é a única em São Paulo com número de
professores negros compatível com o perfil racial do Estado. Vicente, advogado
e doutor em educação, critica a forma de contratar nas instituições públicas.
Ele
afirma que esses processos seletivos são baseados exclusivamente na
meritocracia, privilegiando quem teve trajetória acadêmica intensa. "Precisa haver mérito, mas não pode ser esse
mérito exclusivo dos títulos e do quanto a pessoa sabe sobre um assunto
específico. Temos de democratizar os processos seletivos."
"A gente se relaciona com isso de forma
cômoda porque o racismo é capaz de naturalizar até o absurdo", diz o
reitor, sobre a baixa presença dos negros na docência. Além de mudar os
processos seletivos, ele diz que é preciso garantir a jovens negros acesso a
programas de graduação e pós, assim como sua permanência.
Felipe,
da ABPN, também destaca a importância para a permanência. "O número de alunos negros nas universidades
aumentou, mas isso não foi suficiente para haver mais pessoas negras em
profissões estratégicas, como Engenharia e Medicina. O sucesso profissional
desses alunos depende de uma série de fatores, entre eles a presença de
professores negros."
___________________
Com informações do A Crítica. Clique aqui e leia o texto completo.
7 de dezembro de 2021
Douglas Belchior se filia ao PT, que se compromete em fortalecer candidatos do movimento negro
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| Douglas Belchior disputará uma cadeira na Cãmara dos Deputados em 2022. (FOTO/Elineudo Meira). |
O
Teatro Oficina, um dos mais tradicionais pontos culturais de São Paulo (SP),
foi palco de uma importante movimentação na política brasileira, na noite da
última segunda-feira (6). O ato de filiação do educador Douglas Belchior ao
Partido dos Trabalhadores (PT), que significou uma reaproximação do partido com
o movimento negro.
No
palco, a presidenta do PT, Gleisi Hoffman, e o ex-prefeito da capital paulista
Fernando Haddad, postulante do partido ao governo de São Paulo em 2022, ouviram
por duas horas algumas das principais lideranças do movimento negro. No final,
Blechior falou sobre a filiação.
“O que está acontecendo aqui não é a minha
filiação ao PT, é um convite do movimento negro ao PT para que ele corresponda
às expectativas da maior parte da população brasileira. Nós estamos fazendo
esse convite para vocês”, afirmou o educador, que prevê, para 2022, a
eleição de uma bancada do movimento negro.
Por
fim, Belchior, que foi filiado ao PT entre 1997 e 2005, deixou um recado aos
partido. “Se eu estiver em alguma
enrascada, eu estarei no maior partido da América Latina, mas será aqui que
serei dirigido. Antes de ser um petista, porque volto a ser um petista de
carteirinha e estrelinha, o meu partido é o movimento negro.”
Douglas
Belchior chega ao PT após uma série de reuniões com o ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, Haddad e outras lideranças do partido. As negociações para a
filiação duraram seis meses. Em 2022, o educador disputará uma vaga na Câmara
dos Deputados em Brasília. Antes, ele concorreu às eleições de 2014 (deputado
federal), 2016 (vereador em São Paulo) e 2018 (deputado federal). Todas, pelo
PSOL.
No
evento, Hoffmann saudou a chegada do líder do movimento negro ao partido. “É
uma alegria você estar retornando ao Partido dos Trabalhadores”, começou a
presidenta do PT. “O Brasil é um país que tem uma dívida imensurável com esse
povo. A luta de classe só tem sentido no Brasil se for antirracista, se ela for
estruturante do debate. A maioria do povo é preto, pobre e mulher. É um
desafio, incorporar essa luta no dia a dia do partido.”
Haddad
se comprometeu com o novo filiado. “A massa crítica está crescendo, é um bolo
fermentando. Agora, você vai liderar, porque você estará no parlamento, estará
nos nossos governos, você terá poder e vai liderar, de dentro, um processo de
transformação para passos mais ambiciosos.”
“A
tua eleição tem um significado muito importante para nós. Nós temos que assumir
um compromisso de público, viemos para cá, eu e Gleisi. Isso será traduzido em
políticas públicas e em caminhos para nossos irmãos, pretos e brancos, e
enxergar representatividade”, finalizou Haddad.
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Com informações do Brasil de Fato.







