25 de março de 2026

Santana do Cariri e a abolição da escravidão

 

(FOTO | Reprodução | WhatsApp).

No coração do Cariri cearense, onde a fé e a terra se misturam, Santana do Cariri escreveu um dos capítulos mais bonitos da abolição no Brasil. Em agosto de 1883, antecipando-se à própria Data Magna do Ceará e cinco anos antes da Lei Áurea, Sant’Anna do Brejo Grande decidiu que não havia mais espaço para correntes sob o sol de sua terra.

O grande articulador dessa mudança foi o Padre Bernardino Gomes Leitão. Ele não via a liberdade apenas como uma questão política, mas como um dever cristão. Ao escolher o consistório da Capela de Senhora Sant’Anna para fundar a Associação Libertadora Santanense, o padre transformou o debate em uma "missão santa". No púlpito, sua voz não poupou palavras: classificou a escravidão como um crime moral e um atraso econômico, tocando diretamente na ferida da elite local.

A estratégia funcionou. Onde muitos viam apenas prejuízo financeiro, o Padre Bernardino fez enxergar um ato de virtude. O apoio não demorou a vir, fortalecido pela presença de figuras como o Capitão Pedro Onofre de Farias, da vizinha Assaré. O resultado dessa união entre fé e civismo foi imediato e emocionante: já no dia da instalação da associação, proprietários de terras, influenciados pelo apelo do capelão, entregaram voluntariamente 16 cartas de liberdade.

Esse gesto de desprendimento marcou o alinhamento de Santana do Cariri com a vanguarda abolicionista do Ceará, a "Terra da Luz". Mais do que um ato administrativo, o que aconteceu na  igreja foi uma redenção coletiva. Sob a sombra de Senhora Sant’Anna, o Padre Bernardino conseguiu unir o poder espiritual ao compromisso social, provando que, quando a liderança moral abraça uma causa justa, a liberdade deixa de ser um sonho para se tornar inevitável.

Abaixo a relação dos escravizados alforriados no Distrito de Sant'Anna do Brejo Grande

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Texto do professor João Cabral encaminhado ao blog.


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