24 de setembro de 2026

EEMTI Padre Luís Filgueiras promove Novembro Negro 2026 com foco na descolonização dos saberes

 

EEMTI Padre Luís Filgueiras. (FOTO | Professor Nicolau Neto).


Por Valéria Rodrigues, Colunista

Evento, realizado pela área de Ciências Humanas a partir do projeto aCORde uma Voz e da prática pedagógica afrocentrada ENSINAFRO, reunirá professores, estudantes e manifestações artísticas e culturais de populações negras e indígenas.

A EEMTI Padre Luís Filgueiras, em Nova Olinda, na região do cariri, realizará no dia 24 de novembro de 2026, a partir das 9h, o Novembro Negro 2026, iniciativa que terá como eixo central a reflexão sobre a educação antirracista, a equidade curricular e a valorização de diferentes formas de produção do conhecimento.

O evento é de responsabilidade da área de Ciências Humanas, desenvolvido a partir do projeto aCORde uma Voz e, de maneira particular, da prática pedagógica afrocentrada ENSINAFRO, idealizada pelo professor de História e Filosofia Nicolau Neto.

Com o tema geral voltado à construção de uma educação comprometida com a diversidade, o encontro pretende criar um espaço de diálogo entre professores, estudantes e comunidade escolar, articulando conhecimento, cultura e práticas pedagógicas que contribuam para uma educação que privilegie os múltiplos saberes e o enfrentamento ao racismo.

Duas mesas de debate colocam a educação antirracista no centro da programação

Um dos destaques da programação será a realização de duas mesas temáticas. A Mesa 1 terá como tema “Equidade Curricular: a descolonização dos saberes como caminho para a Educação Antirracista”. O espaço será composto por professoras e professores com atuação na educação básica, Cícera Oliveira, Liliane Rosado e Valdenízio que discutirão os desafios e as possibilidades de construção de currículos mais plurais, capazes de reconhecer diferentes sujeitos, saberes, histórias e perspectivas na formação dos estudantes.

A proposta parte da compreensão de que promover equidade curricular também envolve questionar quais conhecimentos tradicionalmente ocupam lugar de destaque na escola e ampliar a presença de referências históricas, culturais e científicas produzidas por diferentes povos e comunidades.

Já a Mesa 2 terá como protagonistas estudantes dos 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio (Deylane Teles, Paloma Eslen, Maria Lívia e Francisco Gabriel), que participarão de uma discussão sobre Educação Antirracista nas Ciências da Natureza. A participação estudantil pretende evidenciar o protagonismo dos jovens na produção de conhecimentos e no debate sobre relações étnico-raciais, aproximando a educação antirracista de áreas do conhecimento que, muitas vezes, são apresentadas de maneira dissociada das questões históricas, sociais e culturais. As duas mesas serão mediadas por professoras e professores da própria escola, fortalecendo o caráter coletivo e interdisciplinar da iniciativa.

Cultura, arte e ancestralidade também estarão presentes

Além das discussões acadêmicas e pedagógicas, o Novembro Negro 2026 contará com apresentações artísticas e culturais relacionadas às populações negras e indígenas. A programação incluirá manifestações como capoeira, dança e música, além de comidas afro-indígenas, criando um ambiente de celebração, convivência e valorização das expressões culturais.

A presença dessas manifestações busca aproximar o debate educacional das experiências culturais e das diferentes formas de expressão dos povos que contribuíram e continuam contribuindo para a formação da sociedade brasileira e são resultados das atividades desenvolvidas em sala de aula a partir das eletivas desenvolvidas pelas professoras Lucimar Macedo e Aline Alves e contará ainda com apresentações da fanfarra da escola comandada pelo professor Jaime Borges, das disciplina de Música e Arte.

Uma escola que transforma conhecimento em prática

Ao articular educação, cultura, protagonismo estudantil e formação docente, o Novembro Negro 2026 da EEMTI Padre Luís Filgueiras se apresenta como uma ação pedagógica voltada à valorização da diversidade e à construção de práticas educativas comprometidas com uma perspectiva antirracista.

A iniciativa também dá continuidade ao trabalho desenvolvido por meio do aCORde uma Voz e do ENSINAFRO, colocando em evidência a importância de práticas pedagógicas que reconheçam a pluralidade dos saberes e ampliem os espaços de participação de estudantes e educadores.

Mais do que uma programação alusiva ao mês de novembro, a proposta busca transformar o debate sobre relações étnico-raciais em experiência pedagógica, cultural e coletiva, envolvendo diferentes áreas do conhecimento e colocando a comunidade escolar como parte ativa desse processo.

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