3 de setembro de 2026

A revolução não se faz de espontaneidade

Alexandre Lucas. (FOTO | Acervo pessoal).

                                  

Por Alexandre Lucas, Colunista 

Na política, a ação não nasce do espontaneísmo. Gerir uma organização política de caráter marxista exige uma tomada consciente da ação, que vai desde a divisão de tarefas e responsabilidades individuais até as demandas coletivas.

O espontaneísmo não é um caminho que se sustenta para a ação coletiva, porque pressupõe a ideia de que os indivíduos estão preparados para assumir seu papel coletivo a partir de sua responsabilidade/consciência individual, o que é um mero engano. A ideia do espontaneísmo político pode se caracterizar pela fantasia e pela impossibilidade da leitura da realidade concreta e das condições objetivas.

Imaginemos, por exemplo, que a revolução da classe trabalhadora se desse por nota de convocação: bastaria apenas um aviso convocando o proletariado para se fazer presente no dia e hora marcados para efetivar o processo revolucionário. Por diversos fatores, essa tentativa seria um fracasso.

Imaginemos o espontaneísmo político a partir da realização de uma festa de aniversário em que o aniversariante irá comemorar seu natalício e providenciou um banquete para 100 pessoas, mas não convidou ninguém, por acreditar que todos sabem o dia, o horário e o local do seu aniversário.

A ação política exige o combate ao espontaneísmo. O resultado positivo da ação e da insurgência política pressupõe planejamento e permanente articulação. Checar dados, fazer escutas, recolher informações, sistematizar anotações, manter listas de contatos atualizadas, contabilizar articulações, planejar cada detalhe, quantificar forças políticas e pessoas, criar contatos de imprensa, produzir conteúdos jornalísticos e de agitação e propaganda são algumas das ações que não podem ser descartadas dentro do fazer político de uma organização marxista. Obviamente, tudo isso é conjugado com a concepção teórica e os objetivos políticos definidos para cada ação política circunstancial.

O espontaneísmo deve ser varrido da nossa prática política, pois ele não cria as condições concretas para dimensionar a nossa capacidade de mobilização, articulação e amplitude da musculatura política. O planejamento e o acompanhamento político são parte do que alguns irão chamar de gestão, mas cabe aqui pontuar que esse trabalho não descarta o caráter político-ideológico e pressupõe a dimensão pedagógica para a formação das novas gerações políticas e o norteamento para um organismo marxista.

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