17 de setembro de 2026

Finalista do Jabuti, jornalista Bruno de Castro lança livro sobre a imprensa negra brasileira pela Editora UFC

 

Bruno de Castro. (FOTO | Divulgação).


Após estrear no mercado editorial como finalista do mais importante prêmio da literatura brasileira, o escritor e jornalista cearense Bruno de Castro publica novo livro. Nós por nós: mídias negras combatem o racismo é o mais novo título do catálogo da Editora UFC, com data de lançamento para o dia 06 de outubro, no auditório da Reitoria da UFC, no bairro Benfica.

A obra reúne depoimentos de 12 jornalistas e comunicadores(as) negros(as). De três gerações diferentes e originários(as) de seis estados do Brasil, incluindo o Ceará, eles(as) revelam em entrevistas exclusivas como a atuação da imprensa negra foi central para as ações de combate à ditadura militar, que dizia não existir racismo no país, e desempenha até hoje papel importante na promoção da igualdade racial e desconstrução de mitos.

O livro revela ainda a existência do Malemba, um jornal negro que circulou em Fortaleza na década de 1990 e era feito pelo Grupo de União e Consciência Negra, o Grucon, coletivo do qual fazia parte o historiador Hilário Ferreira, então estudante da UFC, que viria a se tornar um dos mais importantes nomes do movimento negro no Ceará e faleceu em maio deste ano.

Nós por nós é resultado de dois anos de pesquisas desenvolvidas por Bruno. Esses estudos, inclusive, renderam a ele o III Prêmio Lélia Gonzalez, concedido pela Associação Brasileira de Antropologia (Aba) à melhor dissertação de mestrado do país feita por uma pessoa negra. A Aba é a mais antiga das entidades científicas nacionais na área de ciências sociais.

Livro de Bruno de Castro. (FOTO | Reprodução).

A história da imprensa no Brasil quase sempre é restrita aos grandes grupos de comunicação. E nenhum deles é negro, apesar de o Brasil ter jornais negros desde 1833. Mesmo em locais que se dizem pioneiros do fim da escravização, como o Ceará, pouco se fala da imprensa negra. Então, são quase 200 anos de um setor que ainda conhecemos muito pouco. Eu mesmo só tomei conhecimento dele quando passei a fazer parte de um projeto de jornalismo antirracista”, afirma Bruno.

Ele é fundador do Ceará Criolo, o primeiro portal de jornalismo negro do Ceará, no qual atua dede 2018, também retratado no livro. “Quase 80% dos jornalistas brasileiros são brancos. Como um jornalista negro, quero contribuir com a preservação da memória da imprensa negra deste país, que sistematicamente tentam apagar da história quando, na verdade, ela deveria constar nos currículos dos cursos de jornalismo do Brasil todo. Não é mais admissível o país formar jornalistas sem oferecer a eles informações sobre a atuação negra, tão relevante à profissão e ao regime democrático”, acrescenta o jornalista.

Nomes de Peso Recomendam a Obra

A exemplo do livro de estreia de Bruno, lançado com prefácio de Valter Hugo Mãe e posfácio de Socorro Acioli, Nós por Nós nasce respaldada por grandes nomes: a historiadora Ana Flávia Magalhães Pinto assina a orelha da publicação, a jornalista Fabiana Moraes faz a apresentação da publicação e a pedagoga Nilma Lino Gomes é autora da crítica da quarta capa. “Este livro expressa um importante salto de qualidade nos estudos sobre imprensa negra no Brasil. Bruno supera o paradigma descritivo das fontes e potencializa as vozes de agentes da comunicação antirracista que asseguraram o registro da incidência política da população negra no debate público desde os anos 1970. Trata-se de uma obra que ensina a ver como projetos de epistemicídio têm sido frustrados em nosso tempo-espaço por comunicadoras(es) negras(os)”, diz Ana Flávia, uma das maiores referências do Brasil em pesquisas sobre imprensa negra.

A pesquisa de Bruno de Castro chega em um momento crucial. Vivemos um tempo de recrudescimento global da extrema-direita, com os Estados Unidos à frente de um projeto francamente fascista. Eles também crescem na Europa, na Ásia e na América Latina. Projetos explicitamente antinegros, anti-indígenas, antiperiféricos, misóginos, LGBTfóbicos. É exatamente por isso que uma imprensa que ousa dizer os reais nomes dos fenômenos sociais é necessária”, acrescenta Fabiana Moraes, um dos expoentes da luta antirracista na comunicação e vencedora de três prêmios Esso de Jornalismo.

O livro revela como a palavra se consolidou não apenas como instrumento de denúncia, mas como afirmação da voz enquanto gesto de existência. Bruno reposiciona a comunicação no centro do debate sobre relações raciais no país. Ao iluminar trajetórias, disputas e narrativas, este livro evidencia que afirmar a própria voz é afirmar a própria humanidade — ontem, hoje e amanhã”, frisa Nilma Lino Gomes, uma das mais importantes ativistas do movimento negro brasileiro e primeira reitora da Unilab.

Sobre Bruno

Nascido em Fortaleza (CE) em 1986, Bruno de Castro é jornalista por formação e mestre em Antropologia. Está prestes a concluir o doutorado em Comunicação na UFC, no qual estuda a relação entre a identidade racial de jornalistas cearenses e as notícias que eles publicam. Já ganhou 22 prêmios em diversas áreas, sendo 15 deles por trabalhos sobre questões raciais.

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